




80 mil CDs, 30 mil LPs, 4 mil DVDs espalhados e muito bem arrumados em móveis de madeira, numa loja de 1.200 m². Esses são alguns números da Modern Sound, que para o jornalista Ruy Castro, é a melhor loja de discos do Brasil e uma das melhores do mundo. No entanto, essa história começa bem antes...
Bem lá no interior da Bahia, quase sertão, numa cidade pequena, a 333 km da capital Salvador, nasceu Pedro Passos o personagem principal desta história. Caldeirão Grande não tinha mais de 17 mil habitantes quando, em 1940, Pedro veio ao mundo se juntar a outros 18 irmãos. Filho de lavrador, em 1955 se mudou para o Rio de Janeiro para trabalhar como office-boy, acabou virando empresário.
Numa das ruas mais movimentadas e conhecidas de Copacabana, a Barata Ribeiro, Pedro montou a maior loja de discos do país. Junto com um sócio, morto há 15 anos, a Modern Sound começou pequena em 1966, numa sala de apenas 60 m² dentro da galeria que ali havia.
Segundo Pedro Passos, o dono da loja, a ideia inicial era vender discos importados, clássicos e jazz. “Uma loja diferenciada das outras”, nas palavras do próprio. Ainda era época do Long Play e do compacto e aos poucos a loja foi se ampliando. Pegou a livraria, arrematou a loja 6, a sala D e finalmente o espaço do cinema Bruni foi incorporado. A Modern Sound entrou na era digital tomando praticamente toda a antiga galeria, um espaço de 1.200 m².

E tem de tudo por lá. No imenso salão central há milhares de CDs, de todos os ritmos e lugares do mundo, subindo as escadas estão os clássicos. E são muitos, de todos os compositores. À direita de quem entra estão os títulos latinos e de outros países menos midiáticos. Do lado esquerdo estão os lançamentos e os vários fones com 5 opções de CDs para escutar. No centro da loja estão a música brasileira, o pop/rock e o rock progressivo, organizados em ordem alfabética.
Numa outra sala contígua encontra-se os 4 mil DVDs, entre filmes e música. No subsolo, descendo pela escada, há o brechó, que começou com pessoas que ofereciam os LPs de parentes que morreram e com doações. São mais de 30 mil discos, todos usados e por um bom preço. Até o vendedor responsável pelo brechó tem um visual antigo, meio Elvis Presley, de topete e costeletas.
Pedro Passos não acredita que o Long Play vá voltar, apesar de alguns novos artistas terem lançado esse formato recentemente. “A venda da nova geração não pesa em termos de mercado”, diz Pedro. “O LP é para um público colecionador, não é a massa que compra”, completa o dono da mega loja. É por isso que o CD vendeu mais que o disco de vinil, é mais popular, mais acessível. No entanto, a pirataria está acabando com a Modern Sound, aliás “com todas as lojas”, ressalta o empresário lembrando que o prejuízo não é exclusivo de sua loja, mas de todas as lojas especializadas em música. A dívida da Modern Sound pode chegar a 3,3 milhões de reais.
Mas o comerciante Pedro Passos tenta se adaptar as novas necessidades do mercado. O estoque da loja diminuiu, mas não a variedade. “O importante agora é agilizar o atendimento”, esclarece Pedro. Se o cliente quer um título que não há em estoque, ele vai achar rapidamente. E acha mesmo. Mas é difícil não encontrar o que você quer entre mais de 80 mil títulos. Além de tudo, é um prazer garimpar a raridade que você procura entre tantos discos e escutando uma bela música, que toca ao vivo, no bistrô ao lado, que fica para depois, tema de um próximo post.
Por Robson Sales
O Paço Imperial, um lugar com ares de século XVII, às margens de uma das avenidas mais movimentadas do Centro do Rio, já foi casa da moeda e casa de governador, em 1743. Já foi promovido a Palácio dos Vice-Reis e depois despromovido a departamento dos correios e telégrafos. Hoje é um museu, que é tombado como patrimônio histórico, e abriga a aconchegante loja de discos Arlequim.
Numa harmonia calma, o jazz acolhe quem entra pela porta de vidro e pisa no chão de pedra antiga dessa loja na Praça XV. Criada há 16 anos por Fernando Guilhon e Ronald Skin, a loja tinha como objetivo vender música clássica e jazz. Mas acabou se tornando referência em música independente e artistas alternativos.

Se você procura por Cláudia Leitte, é melhor ir à outra loja. O calmo e receptivo gerente Márcio Pinheiro diz que não há títulos como esse à venda. Há, sim, uma extensa prateleira com ritmos argentinos, que se acabaram depois da morte de Mercedes Sosa, em outubro. Marcio viajou para a Argentina atrás de clássicos do tango dos anos 30, 40 e 50 do século passado. Agora pensa em montar uma seção de música africana. Está de olho na música da África do Sul, por causa da Copa de 2010. O gerente lamenta que a cultura africana não é mostrada comercialmente ao mundo.
A loja, que já teve uma filial no Leblon fechada por culpa da crise do disco, não teme concorrência. Muito menos da pirataria. Segundo Marcio, não há um só título da loja que seja vendido também no camelô. Claro, a Arlequim vende discos importados, sambas e choros de primeira qualidade, músicos independentes, artistas de Pernambuco, ou seja, nada que interessa ao público alvo da pirataria. É por isso que Marcio acha que não é a pirataria que está destruindo as gravadoras.
A Arlequim pesquisa novos discos pelo mundo, que você pode ouvir num toca discos diferente, de ferro verde, com fones grandes, meio antigo. Contrata vendedores que entendem de música, como Ruy, que sabe tudo sobre os ritmos brasileiros.
Bisbilhotando as prateleiras podemos descobrir raridades e correndo pela seção de filmes, achamos diretores clássicos imperdíveis. Há ainda um balcão cheio de souvenirs. São imãs com desenhos diferentes, bloquinhos com capas bem feitas, cartões, camisetas e chaveiros que você fica observando e não consegue não pôr a mão.
Ao fundo, uma livraria segue pelo mesmo caminho: lutando pela qualidade. Há muitos títulos de editoras universitárias. As mesinhas da cafeteria são colocadas estrategicamente entre a livraria e a loja de discos. Deveria ter experimentado o café, cujo cheiro se espalha e se mistura com o jazz que não para de tocar dentro da loja.
Sob um pé-direito altíssimo e teto de madeira, típico de construções antigas, siga as instruções da loja de ler, ouvir e comer.
No vídeo abaixo, um pouquinho do papo com Marcio e algumas fotos da loja. Conversamos desde mercado fonográfico até Lojas Americanas, passando pelo discurso das gravadoras sobre pirataria. Ele lembra que investir em discos não é barato, mas que vale a pena. MP3 não passa de pai para filho e não fica com aquela poeirinha que tem história.
Por Luiza Baptista
Adoro música pop e conhecer novos artistas, não tenho preconceitos. Mas quando se trata de ouvir música, sou das antigas, ainda carrego o discman e meus CDs a tiracolo. Então, as lojas de CDs são para mim como as lojas de doces para as crianças: os olhos brilham, a boca fica meio entreaberta e o “mãe, eu quero esse, aquele e... só mais um ” é quase inevitável . Essa semana visitei uma loja de CDs que me fez lembrar “A fantástica fábrica de chocolates”. A Estasom tem CDs para todos os gostos e um cenário aconchegante para falar de música. Afinal, o que é mais confortável que estar entre 12 mil CDs? José Virgílio dos Santos, dono da loja, distribui lançamentos e raridades entre as prateleiras e até no teto, não tem um lugar vazio na loja de 3 por 4m.
Como o combinado era trazer as melhores lojas para comprar CDs, é importante dizer que a Estasom não é uma loja qualquer, é também sebo. Lá você pode levar aquele CD ou DVD que não gosta mais e trocar por um que seja de seu interesse, tanto lançamentos quanto raridades, “a gente troca, vende, aluga, empresta, dá”. José explicou que a vantagem de comprar em loja e não na internet é justamente essa: poder trocar quantas vezes quiser. Eu acrescentaria o prazer de garimpar, não tem sensação melhor que entrar numa loja, mexer nos CDs e achar aquele que você procura há tanto tempo. E acaba que sempre encontramos outros álbuns pelo caminho. O dono, fã de rock progressivo, também aceita encomendas. Então, se você quer um CD, mas não consegue achar, José vai procurar por você, em sebos de outros estados se for preciso. Agradar o cliente é o que importa.
A vontade de trabalhar com CDs alternativos e raridades vem de muito tempo, mas foi há 10 anos que José realizou o sonho. Porém, a trajetória dele na música vem de muito antes, aos 14 anos ele teve seu primeiro emprego em uma loja de discos de Copacabana, depois, a pedido do patrão, foi trabalhar em Icaraí. Com o sucesso profissional veio a proposta de ser sócio de outra loja, ficou por lá alguns anos e saiu para abrir a Estasom. Hoje a loja faz sucesso entre os mais velhos, de 40 a 70 anos, os jovens não freqüentam tanto quanto antes. Nem sempre foi assim. O dono ainda sente falta daqueles adolescentes que iam à loja e os olhos brilhavam, passavam horas garimpando, procurando CDs e conversando.
Lojas de CDs são como livrarias, a pessoa às vezes vai mais pela conversa que pela compra. E na Estasom, o bom e velho bate-papo faz parte do negócio. José costuma dizer que os vendedores são um pouco terapeutas também, e estão sempre dispostos a aconselhar, falar de música e da vida, e no meio do caminho, quem sabe até vender um CD?
Apesar de todo envolvimento com a música, José faz graça e confessa “nem campainha eu sei tocar direito”. Mas para falar de música ninguém precisa saber tocar um instrumento, para falar de música só é preciso ouvir, e quem não gosta? Festa, comemorações, até tomar banho, não tem a mesma graça sem música. A vida não tem a mesma graça sem uma trilha sonora.
Agora veja um pequeno video do José, quem melhor que ele para te convidar para conhecer a Estasom?
Vale a pena conhecer essa charmosa e tradicional loja de Icaraí.
Visite na Rua Moreira César, Shopping 211 (fica no mesmo shopping da livraria Gutemberg) loja 112, no bairro de Icaraí – Niterói (RJ). Ou ligue para (21) 2711-1848.

Luiza Baptista
@luizabaptista

Luiza Barros
@LuizaMBarros
Mariana Coutinho
@mariscoutinho
Raiane Nogueira
@raiane_nog

Robson Sales
@robsonsales