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11 fevereiro, 2011

Descubra a diferença entre samba e pagode

Pelo colaborador Ramon Cardoso*

O samba é um ritmo original de Angola e do Congo (Semb, ou Semba = umbigada) trazido para o Brasil pelos negros durante o período de escravidão. Devido à forte influência portuguesa, incorporou instrumentos de corda tradicionais portugueses e instrumentos de sopro de outros países, anteriormente incorporados à cultura musical de portugal.

Em sua chegada ao Brasil, concentrou-se principalmente na Bahia, nos sambas de roda realizados pelos descendentes de escravos. No fim da primeira metade do séc. XIX, foi trazido para a então capital do império (Rio de Janeiro) pelos negros que para cá imigraram e instalaram-se. Dessa época deriva o início do que hoje conhecemos como samba, uma mistura do ritmo dos escravos com a polca, maxixe (principalmente), baião, xote, lundu, entre outros, ritmos estes já praticados na cidade.

Na primeira metade do século seguinte o ritmo ganha uma singularidade carioca e diversos adeptos representativos, como Donga, Pixinguinha, João da baiana, Almirante e Dorival Caymmi. Já no fim da década de 20 o samba recebe uma nova roupagem por meio de compositores dos blocos carnavalescos (futuras escolas de samba) do Estácio, Oswaldo Cruz, Mangueira e Salgueiro.

Na segunda metade desse mesmo século, após ganhar espaço nas rádios e, consequentemente, nos demais bairros do RJ, o ritmo começa a ser presença comum nas festas realizadas pelos sambistas, regadas a muita bebida e comida. A essas festas dava-se o nome de pagode (origem nas senzalas), nome mais tarde associado a um “novo estilo” musical, baseado na inserção de novos instrumentos, como repique de mão e tantã, inicialmente e, mais tarde, teclado e bateria.

*Ramon é estudante de Marketing e sambista nas horas vagas

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02 dezembro, 2010

Quem não gosta de samba bom sujeito não é


Eu sou o samba

Sou natural daqui do Rio de Janeiro

Sou eu quem levo a alegria

Para milhões de corações brasileiros

(Zé Keti)


O samba tem um som que contagia. É só ler os versos do Zé Keti que as mãos já começam a batucar na mesa enquanto os pés ditam o ritmo no chão. O ritmo tipicamente nacional tem um dia no calendário só para ele, e não são dias de carnaval. O dia do samba é hoje, 2 de dezembro.



Declarado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan em 2007, o samba ganhou esse dia por iniciativa de um vereador da Bahia, Luis Monteiro da Costa. O político escolheu essa data em homenagem a Ary Barroso, o grande compositor fez o sucesso “Na baixa do sapateiro” sem nunca ter ido a Salvador, e fez sua primeira visita no dia 2 de dezembro.

A história do ritmo, principalmente no Rio de Janeiro, está diretamente ligada às Escolas de Samba e aos desfiles na Sapucaí. Mas o começo do samba em blocos de carnaval não foi nada profissionalizado. Em meados dos anos 20 nasceram blocos carnavalescos no Estácio de Sá, Osvaldo Cruz, Mangueira, Salgueiro e São Carlos. O mais importante nessa época era a festa e não a competição.

Desse grupo de blocos a “Turma do Estácio” se destacou, criando em 1928 a primeira escola de samba, a “Deixa Falar”. Participaram da fundação os sambistas Ismael Silva, Silvio Fernandes, Oswaldo Vasques, entre outros. A escola foi a primeira a desfilar no carnaval carioca com uma bateria, uma orquestra formada por surdos, cuícas e tamborins.

A classificação escola de samba foi uma brincadeira dos fundadores. Na rua existia uma Escola Normal, que formava professores primários. A “Deixa Falar” seria a escola formadora de professores de samba.

A agremiação conquistou os moradores e estimulou a criação de outras escolas. Foi nessa época que surgiram as grandes escolas do carnaval do Rio, como Estação Primeira (Mangueira) e Vai que pode (Portela). Anos depois a “Deixa Falar” trocou de nome, passando a se chamar Estácio de Sá, mas manteve as cores vermelho e branco em seu estandarte.

Hoje, mais de oitenta anos depois da Deixa Falar, o carioca e o brasileiro continuam apaixonados pelo samba. O ritmo que apresentou brilhantes compositores nacionais ainda tem muito fôlego e anos pelo frente, assim esperamos. Afinal, “Quem não gosta de samba bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé”.


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