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20 maio, 2012

Wagner Moura assume vocal da Legião Urbana para reviver banda junto com Dado e Bonfá

Ele já declarou que era fã da Legião Urbana, como muitos adolescentes dos anos 1980. Talvez justamente por isso o convite para participar como vocalista de um tributo à banda, ao lado do guitarrista Dado Villa-Lobos e do baterista Marcelo Bonfá, tenha gerado um misto de sentimentos: medo e coragem. Wagner Moura sabe que muitos fãs de Renato Russo ficam desconfiados de um ator assumir o lugar do ídolo, mesmo que já tenha certa experiência no assunto.



Apesar de ser um cantor diletante, interpretando canções bregas com a banda Sua Mãe, e de já ter cantado Legião em cena – como em Vips, cantando Será, e no bom longa O Homem do Futuro, quando fez par com Aline Moraes e soltou a voz na música Tempo Perdido – diversos fãs criticam a escolha de Wagner Moura para o lugar de Renato Russo.

“Estamos nos expondo muito, porque estamos lidando com um repertório que tem milhões de fãs. É óbvio que haverá preconceito por eu ser um ator popular, não ser cantor. A gente sabia que ia ter de lidar com isso desde o começo, e esse risco me instiga”, disse Wagner Moura em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Wagner incorpora Renato Russo, cantando Será no filme Vips:

Par romântico de Aline Moraes, ator solta voz em Tempo Perdido:


O show foi encomendado pela MTV e vai acontecer nos dias 29 e 30 de maio, em São Paulo. A apresentação terá 25 músicas, passando por todos os discos da Legião Urbana, inclusive os dois que a banda nunca tocou ao vivo: A Tempestade, lançado em 1996, ano da morte de Renato Russo, e o CD póstumo Uma Outra Estação.

Como a marca Legião Urbana pertence a família de Renato Russo, o trio não poderá usar o nome da banda, o que irrita os remanescentes do grupo. Dado Villa-Lobos afirma estar cansado da briga e assume que “realmente a situação é incômoda, mas vai ser a última vez. A partir do dia 31 de maio, não teremos mais esse tipo de problema”. Talvez seja a última oportunidade de tentar relembrar a banda que marcou parte dessa “geração Coca-Cola”. Os ingressos custam R$ 200,00.

23 outubro, 2011

Lizzie Bravo: a brasileira que cantou com os Beatles

Por Mariana Coutinho
Lizzie Bravo hoje, e em 1967 com John Lennon (arquivo pessoal)

A brasileira Lizzie Bravo tinha 15 anos quando conheceu os Beatles, em 1967. Ela morou em Londres por três anos e chegou a fazer coro na gravação da música "Across the Universe" junto com uma amiga britânica. Lizzie promete que em breve vai lançar um livro sobre suas aventuras atrás dos Fab Four. Por enquanto, conheça um pouco da história dessa fã na entrevista a seguir:

A Trilha Sonora: Como e em que época você começou a gostar dos Beatles?
Lizzie Bravo: Comecei a gostar dos Beatles logo que eles apareceram, quando eu tinha uns 13 anos.  A banda tinha um som muito diferente de tudo que se conhecia, e apreciei especialmente a personalidade dos integrantes, sua inteligencia e humor.

ATS: Como você foi para Londres? Como conheceu os Beatles?
LB: Fui pra Londres como presente de 15 anos, só que eu sabia que não ia voltar.  Fiquei de fevereiro de 1967 a outubro de 1969, com alguns meses de volta ao Rio em 1968.  Fui pra lá só pra conhecer os Beatles.  Minha amiga Denise tinha ido na frente e já sabia de tudo.  Cheguei do aeroporto, larguei as malas no hotel de estudantes e as duas voamos pros estúdios da gravadora EMI, em Abbey Road.  Ela tinha visto os quatro entrando pra gravar, e ficamos esperando para vê-los sair.  No dia que cheguei do Brasil, pude ver pela primeira vez os quatro Beatles.  Passei a ir todos os dias para a frente dos estúdios e fazer amizade com as outras fãs.  Quase todos os dias podíamos vê-los, bater breves papos, tirar fotos, pedir autógrafos.  Era bom demais, o sonho de qualquer adolescente!

ATS: Como você fazia para se sustentar em Londres todo esse tempo?
LB: Meu primeiro emprego foi num hotel, mas fui despedida depois de alguns dias porque não era rápida o suficiente. Também, pudera, eu nunca tinha feito uma cama na minha vida.Trabalhei como "au pair", que é um sistema onde o governo te dá uma permissão para morar com uma família e ajudar no serviço de casa e com as crianças por uma parte do dia, e estudar no outro. Você recebe casa, comida e uma mesada - não é bem um salário. Nem preciso dizer que eu vivia dura! Fiquei um tempo numa casa e outro em outra. Ainda tenho contato com essa última família, e estive com eles em Londres no ano passado.Fiz matrícula num curso de literatura inglesa e de francês, mas confesso que faltava mais do que ia a aula. Meus pais e alguns tios me mandavam dinheiro, mas pouco.  todo mundo queria que eu voltasse pra casa, o que não estava nos meus planos naquela época.

ATS: Que lembranças você tem dessa época em Londres?
LB: Londres era o centro do mundo, tudo acontecia por lá.  Moda, música, cinema, teatro.  Vi muita coisa bacana, muitos shows, inclusive Jimi Hendrix por duas vezes.

ATS: Como foi a gravação de "Across the Universe"?
LB: Isso vocês vão ter que ler no meu livro. Os quatro Beatles estavam no estúdio, foi gravado ao vivo, todos nós ao mesmo tempo.  George Martin produzindo, os técnicos e o Mal Evans, assistente dos Beatles, roadie deles.  Repetimos muitas vezes, ficamos duas horas e meia lá dentro.

ATS: Você se considera uma beatlemaníaca?
LB: Não gosto muito do termo "maniaco".  Sou fã dos Beatles, e também de muitas outras bandas. E muito fã de MPB, que é o que eu mais ouço hoje em dia.

ATS: Você acha que ainda existe beatlemania hoje?
LB: Claro que existe beatlemania hoje!  Não só o pessoal da minha época como muita gente jovem no mundo inteiro. A cada dia nascem milhares de futuros fãs dos Beatles!

ATS: Você foi a Liverpool naquela época?
LB: Fui a Liverpool em 1967 e 1968.  O mais interessante é que pude conhecer a cidade exatamente como ela era quando eles viviam lá, não tinha nada escrito "Beatles" em lugar nenhum.  Fui ao Cavern original  assistir uma banda local.

ATS: Quantos shows dos integrantes dos Beatles você já assistiu?
LB: Nunca vi um show dos Beatles juntos porque eles pararam de excursionar em 1966. Mas assisti a 19 shows do Paul McCartney, um do George Harrison e um ou dois do Ringo Starr.

ATS: Como se sentiu quando a banda acabou? 
LB: A banda acabar não foi nenhuma surpresa, já era esperado por nós, que acompanhavamos o dia a dia do lado de fora dos estúdios.

ATS: Sua filha, Marya Bravo, participou do musical "Beatles num Céu de Diamantes". Como foi isso para você?
LB: Foi muito bom! O musical é lindo e a participação dela muito especial.  É bom saber que pude deixar um pouquinho dos anos 60 na minha filha e também na minha neta de 18 anos.

ATS: Ter sido fã dos Beatles mudou a sua vida? Como?
LB: Influenciou minha vida principalmente por me fazer conhecer gente do mundo inteiro, e pertencer a essa "tribo" que são os fãs dos Beatles.  A música é inquestionável, perfeita.  E claro que o fato de ter cantado com eles gerou uma curiosidade a meu respeito, e que me rendeu boas entrevistas, como a que a BBC fez no ano passado, quando me levou a Londres para me filmar junto com minha amiga Gayleen, que cantou junto comigo, na frente dos mesmos estúdios de Abbey Road.  Passou num programa de TV no horário nobre.

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25 julho, 2011

Lágrimas que secam por conta própria



Amy Winehouse - 1983-2011

Em meados dos anos 00, o bom-mocismo à la Bono Vox reinava no show-biz, quando, num burburrinho da internet, apareceu Amy, fazendo tudo errado. Enquanto as outras moças eram todas franjinhas e chapinhas, a porralouca surgiu ostentando um vespeiro na cabeça, alguns quilos de maquiagem na cara, uma garrafa de vodka na mão e tatuagens para todo lado. Com uma voz poderosa e clamando de que não iria pro « rehab » de forma alguma  - antes mesmo que a maior parte das pessoas sequer soubesse o que era isso – a mulher parecia mais um furacão. Saiu por aí destruindo corações e arrastando grammys pelo caminho. No meio da fúria, ninguém parou para reparar que a gigante na verdade era uma menina ainda, com vinte e poucos anos mal completos, um corpinho frágil e uma cabeça mais ainda. Embriagados pela dose exagerada de um tipo de talento que há muito tempo não se experimentava, os amantes da boa música fizeram da Amy a sua cachaça durante todo o ano de 2007. « Back to Black » , lançado em outubro do ano anterior, tinha nome de disco de roqueiro e gosto de Motown misturado com novidade. As dez delícias do álbum se popularizaram e foram entornadas por todos os cantos, respingando até nas radios FMs que insistiam ainda no hip hop vendido e na repetição exaustiva de insossos sucessos dos anos 80. De repente, Amy era cool o suficiente pros indies, mas também era tão diva quanto Beyoncé, e os seus pais poderiam não saber o nome dela ainda, mas já conheciam as músicas, e gostavam delas. Amy era uma unanimidade, menos para ela mesma. Enquanto suas criações subiam nas paradas, ela afundava cada vez mais. Estava mais do que óbvio que a coisa tinha saído de controle, e era tão fácil ver uma manchete envolvendo algum escândalo quanto ouvir um hit dela tocando em algum lugar.


Se na música – apesar da influência visível de artistas como Marvin Gaye - Amy soube ser original, na esfera pessoal a cantora não era mais do que uma triste sucessão de clichês. Os repetidos vexames envolvendo bebida e outras drogas pareciam um mau presságio  do que estaria por vir e, afinal, chegou nesse 23 de julho. Amy se foi aos 27 anos, mesma idade em que tantas outras estrelas da musica partiram, tantas o suficiente para compor um « clube » - o infame Clube dos 27, em cujo rol estão o seu provável fundador, o bluesman Robert Johnson, morto em 1938 em condições misteriosas; a santa trindade dos anos 60, Jim, Janis e Jimi; o genial fundador dos Rolling Stones, Brian Jones; e Kurt Cobain, o último grande rockstar de que se tem notícia. Com causa de morte ainda a se determinar, Amy é forte candidata a entrar no macabro panteão. No entanto, e isso, eu não sei se é para vocês também ou se é só para mim, fica a amarga sensação de que a garota se foi antes mesmo de provar sua grandeza como artista aqui na Terra. Não basta o talento, também conta a obra – ninguém duvidaria de que Amy era capaz de encantar mas… Quase cinco anos se passaram desde o lançamento de « Back to Black », e estávamos todos esperando aqui por algo mais. A morte acabou vindo antes que a inglesa pudesse comprovar de que não era uma cantora de uma nota só. Tão equivocada quanto inevitável é a especulação sobre o que teria acontecido, mas o que todos parecem pensar é que Amy desistiu de si mesma – afinal, a cada ida e volta do rehab (que ela acabou frequentando mais de uma vez, quando a coisa ficou realmente feia), a cada vaia que recebia durante cada show que não conseguia completar, o terceiro disco se tornava uma quimera, e assim se tornava cada vez mais distante também a libertação final dos terrores que lhe cercavam. As queixas após as curtas e irregulares apresentações mostravam que boa parte dos fãs já havia desistido de esperar alguma recuperação, e ver a Amy cantar se tornou mais uma questão de poder presenciar qualquer desafino da musa dos degenerados antes que ela se fosse do que de ouvir uma grande cantora no auge de seu talento. E, mesmo sabendo o quanto Amy deixou a desejar nas ultimas aparições, não é que bate o arrependimento de não ter comprado um ingresso quando se podia? Agora o que fica é isso, o remorso digno de uma grande ressaca e a certeza de que, por mais romântico que se pareça, morrer jovem não vale a pena pra ninguém.







24 maio, 2011

Fãs surpreendem Paul McCartney no Rio de Janeiro

Por Mariana Coutinho

Foto: Marcos Hermes

O primeiro show de Paul McCartney no  Rio de Janeiro, no domingo (22) no estádio do Engenhão, foi animado e emocionate. Mas não teve grandes surpresas na setlist para quem já tinha assistido o ex-beatle em São Paulo ou em Porto Alegre, no ano passado. A surpresa dessa vez veio da plateia.

Semanas antes do show, fãs como Vivianne Prota, de Recife, começaram a organizar homenagem para Paul McCartney. As ações foram combinadas pelas redes sociais, principalmente Orkut e Twitter. Na fila para o show foram distribuidos balões coloridos e folhas de papel com a sílaba "na" impressa. A orientação era que todos enchessem os balões e levantassem os cartazes na música "Hey Jude". Vivianne explica o porquê dos balões coloridos: "A ideia dos balões serem coloridos pode parecer sem significado, de início, mas as cores sortidas tem relação com o piano colorido que o Paul usa nessa música".

McCartney declarou-se surpreso com a organização dos fãs: "Quando tocamos 'Hey Jude' e pedi a plateia para cantar 'na na na na's', de repente todos mostraram cartazes. Foi uma coisa muito visual. Foi muito emocionante porque os fãs tiveram todo este trabalho. Eles poderiam ter apenas vindo ao show e assistido, mas eles se falaram antes para criar este momento tão especial. Eles se conectaram uns com os outros, depois conectaram-se conosco e com a equipe inteira. Todos se sentiram unidos. Foi muito excitante e emocionante ver que as pessoas se importam tanto".

Foto: Gustavo Miller/G1
O cantor começou o show com aproximadamente 15 minutos de atraso. Uma das poucas novidades na setlist foi a animada abertura com "Hello, Goodbye". Paul fez o público pular com canções como "Mrs. Vanderbilt", "Jet", a pirotécnica "Live and Let Die" e a eletrizante "Helter Skelter". Como de praxe, o ex-beatle homenageou seus amigos John Lennon (Here Today) e George Harrison (Something). Antes de tocar "Blackbird", Paul explicou que tinha composto a música nos anos 1960, quando havia muitos problemas com os direitos civis e ele podia ver o sofrimento dos negros com a segregação racial: " Eu queria fazer uma música sobre isso", disse antes de começar os primeiros acordes de uma das canções mais esperadas.

No final do show, Paul ganhou uma camisa da seleção brasileira com o nome "Macca" nas costas. Com a camisa nas mãos ele comentou sorrindo: "Agora eu oficialmente faço parte da seleção brasileira". As referências ao país, aliás, foram muitas. Paul sacudiu uma bandeira do Brasil e pediu que a plateia o acompanhasse mais de uma vez em um coro de "Rio, Rio, Rio". No início do show cumprimentou os "cariocas" e disse que estava muito feliz de estar de volta à cidade. Paul vai deixar saudade nos brasileiros.

Assista abaixo a um vídeo especial sobre a cobertura do show, exclusividade de A Trilha Sonora:





Veja também:

22 maio, 2011

Trilha especial para o fim do mundo


O tão temido dia 21 de maio já passou e continuamos aqui, vivinhos, prontos para mais um post de A Trilha Sonora. Ufa... ainda não foi dessa vez que o mundo acabou. O sábado do Juízo Final foi anunciado por Harold Camping, presidente da rede cristã de comunicação dos EUA Family Radio. A partir de uma análise numérica, o suposto profeta previu um terremoto que varreria a Terra ontem. Mas parece que Camping errou nas contas (e não foi a primeira vez, para ele o mundo já teria acabado em 1994). Enfim, enquanto o apocalipse não chega, separamos uma trilha especial com músicas sobre o tema. Mas não se animem muito, ano que vem já é 2012...

1. It's the end of the world as we know it (and I feel fine)
(Bill Berry / Peter Buck / Mike Mills / Michael Stipe)
Na voz do R.E.M., a música fez sucesso no final dos anos 80 e chegou a entrar na lista Billboard Hot 100.



2. O último dia
(Paulinho Moska e Billy Brandão)
Tema de abertura da novela da Globo O Fim do Mundo (1996) na voz de Moska, lançou uma questão que se popularizou durante a trama: “o que você faria se só te restasse um dia?”



3. E o mundo não se acabou
(Assis Valente)
A música ficou famosa com a interpretação da brilhante Carmen Miranda e ainda foi regravada por cantoras como Adriana Calcanhoto e Paula Toller. É a trilha ideal para hoje, já que o fim não aconteceu.



Se o mundo acabasse, qual a última música que você gostaria de ouvir?


Pesquisa:

01 maio, 2011

Trilha Especial – Tema da Vitória

Por Luiza Barros

O dia primeiro de maio marca um triste evento para a maior parte dos brasileiros: o aniversário de morte do ídolo nacional Ayrton Senna. Eleito em 2009 pela revista britanica especializada "Autosport"  o maior piloto de Fórmula 1 de todos os tempos, Senna morreu tragicamente durante o Grande Prêmio de San Marino de 1994. Dezessete anos depois, o tricampeão ainda é uma das figuras mais populares no país – mesmo as crianças que não o viram correr sabem quem ele foi. E para quem o viu, impossível não lembrar das conquistas de Ayrton sem lembrar também da trilha sonora que sempre as acompanhavam, o "Tema da Vitória". 


Composto pelo maestro Eduarto Souto Neto, o "Tema da Vitória" é uma daquelas músicas que pouca gente sabe o nome, mas todo mundo conhece. De tão associado que foi à imagem de Senna, não é incomum alguém se referir ao tema como a "música do Ayrton" . Curiosamente, a composição foi utilizada pela primeira vez na televisão para embalar a vitória de outro piloto brasileiro, Nelson Piquet, no Grande Prêmio do Brasil de 1983. Encomendada pelo diretor da Rede Globo Aloyso Legey, a música foi gravada pelo grupo Roupa Nova em 1981 e, a princípio, deveria funcionar como trilha sonora de qualquer vitória na Fórmula 1, independentemente da nacionalidade do piloto. Por isso, por mais incrível que pareça, a música foi tocada quando o grande rival de Senna, o francês Alain Prost, sagrou-se campeão no GP de 1984. 


Apenas a  partir de 1986 a música passou a ser utilizada apenas para vitórias de brasileiros. Sorte que o automobilismo brasileiro vivia naquela época o seu auge. Nos anos seguintes, os brasileiros comemoram ouvindo o "Tema da Vitória" o tricampeonato de Piquet, em 1987, e, claro , os três titulos de Senna, em 1988, 1990 e 1991. Infelizmente, levariam vários anos para que os telespectadores pudessem vibrar novamente com a música. O recesso foi da última vitória de Senna, no GP da Australia de 1993, até a vitória de Rubens Barrichello em 2000, no GP da Alemanha. Hoje escasso nas transmissões da Fórmula 1, o "Tema da Vitória" faz a maioria dos apaixonados por esporte sentirem um saudosismo inevitável. 

28 abril, 2011

O primeiro fã-clube do Brasil: Sinatra-Farney

Por Mariana Coutinho

Por volta de 1948, o radialista Luís Serrano desembarcou na Praça Mauá vindo de Nova York.  Da terra do tio Sam, ele trouxe a ideia de um programa de rádio, que passou a apresentar na Rádio Globo - o Disc-Jockey. A modernidade da vez era exatamente o que parece, o DJ tocaria discos na rádio. Hoje isso pode parecer uma coisa banal, mas na época quase toda a música que se ouvia no rádio era ao vivo. Além de apresentar as gravações mais recentes, Serrano ainda falava dos artistas e buscava um intercâmbio com os fãs. 

Como acontecia nos Estados Unidos, esse intercâmbio ficava muito mais fácil se os fãs se reunissem de alguma forma. Por esse motivo, o radialista começou a divulgar os fã-clubes em seu programa e a tocar discos estrangeiros, principalmente os da Capitol.

No bairro da Tijuca, três meninas pegaram no ar as ideias sobre fã-clubes que Serrano transmitia pelas ondas do rádio. As primas Joca, Didi e Tereza Queiroz fundaram, em 1949, o primeiro fã-clube do Brasil. A sede do Sinatra-Farney ficava em um porão, na Rua Dr. Moura Brito. Para ser membro era preciso passar por um teste. Todos no fã-clube tinham que ter um talento artístico, como seus ídolos. Alguns cantavam, outros dançavam e uma boa parte se esforçava para tocar algum instrumento.

Nessa época, o grande sucesso de Sinatra era "Night and day". E o brasileiro Dick Farney fora revelado pela canção "Copacabana". De Sinatra, os fãs tijucanos recebiam cartas e fotos autografadas. O que já era uma grande conquista. Farney, por sua vez,  teve participação ativa no clube. O dono da "voz de almofada" fez amizade com a turma que frequentava o porão, e até lhes apresentou outros artistas. 

Mas os jovens do Sinatra-Farney não se destacam no cenário musical apenas por terem fundado o primeiro fã-clube do país. Alguns dos membros foram também nomes importantes no início da Bossa Nova. Para se ter uma ideia, faziam parte do clube: Johnny Alf, João Donato, Paulo Moura, Raul Mascarenhas, Fafá Lemos, Klécius Caldas, Armando Cavalcante, Nora Ney, Mirzo Barroso e Carlos Manga.

O Sinatra-Farney durou até 1953. Nessa época, Sinatra já tinha se casado com Ava Gardner e já tinha entrado no seu famoso inferno astral. Dick também se casou e passou a ter menos tempo para se dedicar ao clube. Nessa época os garotos também já estavam crescendo, e o clube foi perdendo o gás. Mas até hoje, são muitos os que admiram Frank Sinatra e Dick Farney.

Assista abaixo ao vídeo de Dick Farney interpretando "Copacabana":







Veja também
Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim
In The Wee Small Hours (Frank Sinatra)

Pesquisa: livro "Chega de Saudade - A história e as histórias da Bossa Nova" de Ruy Castro

24 abril, 2011

Trilha do casamento real – You and I

Por Raiane Nogueira

Na semana do casamento mais badalado dos últimos tempos, do príncipe William com Kate Middleton, A Trilha Sonora acompanha os preparativos da festa e traz uma canção gravada especialmente para os pombinhos. No último dia 15, o cantor britânico George Michael divulgou em um programa da rede CNN uma versão de You and I, feita para presentear o casal real:


You and I foi gravada originalmente em 1973, por Stevie Wonder, que autorizou a distribuição gratuita da nova versão. Assim, além de presentear os noivos, George Michael oferece o download da música em um site especial, para todos que desejam celebrar a união do príncipe William com a plebeia Kate. Na página da internet, o cantor também incentiva os fãs a contribuírem com doações para um fundo de caridade relacionado ao casamento.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, George Michael informou no Twitter que, em apenas três dias, 110 mil downloads já teriam sido feitos. O vídeo com a música postado no Youtube registra mais de 114 mil visualizações.

Porém, mesmo com a homenagem, parece que o cantor britânico não foi convidado para o tão esperado casamento. Que ironia...

Mas vai uma boa notícia para George Michael e as outras bilhões de pessoas que vão ficar de fora: de acordo com jornais internacionais, cenas da cerimônia na Abadia de Westminster e a trilha sonora do casamento real estarão disponíveis na web algumas horas depois do evento. Pelo menos vai dar para guardar uma lembrancinha da festa.

Pesquisa:
O Estado de S. Paulo
O Globo
Veja

13 abril, 2011

Mart’nália no Teatro Municipal de Niterói

Por Raiane Nogueira

No último fim de semana, Mart’nália atravessou a ponte para trazer um pouquinho do continente africano para “o outro lado da poça”. Nos dias 8, 9 e 10 de abril, a cantora subiu ao palco do Teatro Municipal de Niterói para apresentar o show Mart’nália em África, uma grande celebração à música de países como Angola, onde ela gravou CD e DVD ao vivo.


O espetáculo foi aberto com uma forte performance de Zumbi, de Jorge Ben Jor, para anunciar o início da festa africana. Mart’nália mostrou todo amor a sua origem negra, com muita dança e batucada, ao som de músicas como Angola e o samba-enredo de 1988 da Vila Isabel, Kizomba, festa da raça.

Criada no berço do samba, além da homenagem à África, a cantora não poderia deixar de fora do show clássicos da carreira, como Cabide, de Ana Carolina, Tava por aí, Ela é minha cara, Deu ruim e a versão de Don´t worry, be happy. O repertório ainda incluiu músicas de Arlindo Cruz (Boto meu povo na rua), Adriana Calcanhoto (Vai saber – gravada por Marisa Monte), Moska (Sem dizer adeus), Zélia Duncan (Benditas) e, claro, sucessos do seu pai, Martinho da Vila, como Mulheres e Disritmia.

E, falando em família, a cantora fez do palco uma roda de samba no quintal de casa. Acompanhada por nove músicos, entre eles as irmãs Maíra Freitas (piano e vocal) e Analimar Ventapane (percussão e vocal) e a sobrinha Dandara Black (vocal), Mart’nália se mostrou muito à vontade durante todo o show. Arrasou na percussão, dançou, bateu papo com a plateia e até tomou umas cervejinhas pra refrescar. No final, ainda chamou ao palco o amigo e compositor niteroiense Arthur Maia, que cantou de improviso duas músicas com ela. Festa completa.

Foi uma apresentação super empolgante. Ficou até difícil respeitar a organização do Teatro e se manter sentada, quietinha, até o final. Assim como seu nome, miscelânea de Martinho (pai) com Anália (mãe), Mart’nália é uma mistura de África com Brasil, o que foi muito bem apresentado no ótimo show.

03 abril, 2011

Woody Allen and his New Orleans Jazz Band em Paris

Por Luiza Barros





Que Woody Allen é fã de jazz, isso é facil de perceber assistindo seus filmes. O que pode parecer novidade para alguns é o fato do diretor de "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" ter a sua própria banda de jazz. Mas só parece mesmo, já que Allen toca clarineta na New Orleans Jazz Band há mais de três décadas. O projeto paralelo à sua carreira de cineasta já rendeu inclusive um documentário, “Wild Man Blues”, de 1997. No último sábado, a banda encerrou a sua turne européia em uma alegre apresentação no Grand Rex, em Paris. A escolha talvez não tenha sido à toa: a cidade é o cenário do filme mais recente de Woody, “Midnight in Paris”. Com a primeira-dama Carla Bruni no elenco, o longa sera lançado mundialmente em 11 de maio, no Festival de Cannes.



Mas apesar da grande estrela da noite ser um cineasta, e do Grand Rex ser, antes de tudo, um cinema (o mais tradicional de Paris), os 2 mil e 800 presentes estavam lá para escutar musica, ou pelo menos essa era a desculpa. Tão carismatico quanto controverso, Woody Allen é o tipo de figura que atrairia pagantes mesmo se fosse para assistir ele soprando bolinhas de sabão. Pela reação da plateia, que a cada movimento daquele senhor franzino, não sabia se aplaudia ou se sacava o iPhone, dava para perceber que o cara tem moral – afinal, não é sempre que se ve franceses tietando um americano.



Por outro lado, pode-se dizer que Woody fez sua parte galanteando o público: se esforçou no francês e fez charme dizendo que hoje tocaria a clarineta, embora, malheureusement, ele não tocasse bem. Avisou que ia tentar tocar alguma coisa e que, caso o som não agradasse, estavam todos livres para irem embora  procurar algo mais aprazivel. Como ninguém se levantou apos a primeira improvisação, o show fluiu sem sobressaltos. Por mais de uma hora, os sete integrantes da banda tocaram, sem perder o folêgo, uma boa amostra do festivo e inconfundível jazz de Nova Orleans. Ao que parece, a celebridade de Woody em outra arte faz com que ele e a sua banda livrem-se de qualquer pressão, tornando o palco o lugar mais confortável para se estar. Impossivel não resistir e batucar os pés juntos, dentro do limite que as apertadas fileiras de poltronas enveludadas do Rex permitiam.




Mesmo sendo aquela o tipo de apresentação focada no instrumental, os músicos não deixaram de cantar. Num revezamento, o trompetista Jerry Zigmont e o banjoista Eddy Davis (que também é diretor musical da banda) deram alguns versos à plateia. O que pelo menos eu não esperava era que, pertinho do final da primeira parte do show, Woody fosse se empolgar o suficiente para dar uma palhinha. Mesmo não dominando a voz tão bem quanto a clarineta ou mesmo a direção, a brincadeira foi mais do que suficiente para que, após a saída dos musicos, os franceses insistissem, batendo palmas, para que a banda voltasse. O pedido, ja esperado, foi atendido, e depois de meia-hora, outro retorno aconteceu. Insaciáveis, houve ainda alguns que clamaram por mais mesmo depois do segundo bis. Eu já estava começando a ficar preocupada com a saúde de um dos meus cineastas favoritos (imagino que não deve ser moleza soprar aquela clarineta por tanto tempo), quando Woody voltou para avisar que tinha sido fantástico, mas ele estava realmente fatigué e tinha que pegar o voo para Nova York ainda naquela noite. E que noite.




29 março, 2011

Especial “Marias”: Maria Gadú e Maria Rita em Niterói



Para comemorar em grande estilo o Dia Internacional da Mulher, ainda que meio atrasado, a MPB FM promoveu um encontro entre duas poderosas vozes da nova geração da nossa música popular. Foi o show "Marias", com as cantoras Maria Gadú e Maria Rita, que aconteceu no último domingo (27), no estádio Caio Martins, em Niterói.

A noite foi aberta com uma apresentação serena de Maria Gadú, que trouxe o repertório do seu último trabalho, o Multishow Ao Vivo. Com um jeito tímido e toda sorridente, a cantora encantou o público cantando sucessos, como Shimbalaiê, Dona Cila e Tudo diferente. Mas o ponto alto ficou para as ótimas versões de canções famosas de outros intérpretes, como A História de Lili Braun (Chico Buarque), Quase sem querer (Legião Urbana), Trem das onze (Demônios da Garoa) e Who knew (Pink). As performances mostraram mais uma vez a ousadia da jovem cantora, que não tem medo de misturar diferentes estilos. O show ainda contou com a participação do companheiro inseparável de Maria Gadú, Leandro Léo, que sempre aparece para dar uma canja nas apresentações, principalmente na empolgante Laranja.

Enquanto a primeira Maria fez um show mais tranquilo, desses que você fica apreciando, se balançando devagar, a segunda levantou o Caio Martins. Com um figurino cheio de glamour (um vestido micro, esbanjando brilho), Maria Rita fez o ginásio sambar ao som das principais canções dos seus três discos, como Cara valente, Num corpo só e Tá perdoado. Foi o primeiro show que vi da cantora e fiquei surpresa com seu vozeirão e simpatia. Maria Rita também teve direito a convidado de honra: a humorista Samantha Schmütz, o Juninho Play, subiu ao palco para imitá-la na música Encontros e despedidas e divertiu a plateia, como você pode conferir no vídeo abaixo:


Vídeo retirado do blog Sempre Maria Rita

Mas, como tudo que é bom dura pouco, depois de causar arrepio cantando Não deixe o samba morrer à capela e mais umas duas músicas, Maria Rita encerrou a noite, em um show curto. E se muita gente continuou olhando para o palco, na expectativa de que ela e Maria Gadú voltassem para cantar juntas, acabou um pouco frustrado. Apesar do nome do evento, as Marias fizeram apresentações independentes. De qualquer forma, foi uma bela homenagem a nós, mulheres, além da melhor forma de começar a semana.

25 março, 2011

O Segundo Verão do Amor

Por Luiza Barros



1967, São Francisco. Basta apenas dizer o ano e o lugar para trazer à tona imagens repletas de gente jovem, roupas coloridas, musica alta e consumo de drogas. Nos Estados Unidos, o verão de 1967 ficou marcado pela reunião de mais de 100 mil pessoas na região do Haight-Ashbury, o famoso distrito de São Francisco. Entre os presentes, estavam Janis Joplin e as bandas Jefferson Airplane e The Greatful Dead. O encontro hippie foi um dos acontecimentos mais importantes não so na musica, mas na historia social recente, e ficou conhecido como o Verão do Amor.


Muitos verões depois, a geração seguinte viu surgir um fenômeno similar. Só que dessa vez, o epicentro não estava nos EUA, e sim no Reino Unido - mais precisamente nas cinzentas Londres e Manchester. Acuados com a cultura individualista e com a política neoliberal da primeira-ministra Margaret Thatcher, que acabara de completar 10 anos no poder, a juventude britânica da época reagiu de maneira inesperada: festejando. Surgiam assim as festas raves, realizadas ao ar livre e sem hora para acabar. Gratuitas e muitas vezes realizadas ilegalmente, as raves se multiplicaram pelo país, arrastando milhares e enlouquecendo a tradicional sociedade britânica. Espelhando-se abertamente no espírito hedonista e libertador do final dos anos 60, o movimento trouxe de volta algumas modas do período, como a estampa tie-dye e outros motivos psicodélicos.





A inspiração hippie não significa que o Segundo Verão do Amor tenha sido apenas um revival do primeiro. No lugar de Janis e Hendrix, entram os sintetizadores do Acid House, subgênero da House Music baseado na repetição e no uso de samples. O LSD volta a ser consumido, mas a droga do momento era o recém-popularizado ecstasy. O efeito da droga, que induz à euforia, é facilmente perceptível nos videos das festas da época. Faltava apenas um símbolo tão marcante quanto o ícone da paz utilizado nos anos 60. O escolhido o smiley, a famosa carinha sorridente amarela criada pelo designer americano Harvey Ball.


A popularidade que o acid house adquiriu durante o período não significa que o rock'n'roll ficou esquecido. Ao contrário, o final dos anos 80 marca o surgimento de varias bandas alternativas, que misturaram o rock psicodélico com a dance music. A maioria delas, como Stones Roses, Happy Mondays e Inspiral Carperts, surgiram em Manchester, que no começo da década também ja tinha visto surgir nomes como The Smiths, New Order e The Fall. A influencia dessas bandas, unida ao acid-house, gerou uma nova cena musical, apelidada de de Madchester (um trocadilho do nome da cidade e a palavra mad, louco em ingles).


Abaixo, você pode conferir, em inglês, a primeira parte do documentário da BBC "The summer of Rave", de 2006, que colheu depoimentos de quem viveu o período. 







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22 março, 2011

Hair: o musical e o filme

Por Mariana Coutinho



A história se passa no final dos anos 1960 em Nova York. O mocinho precisa se decidir entre continuar morando em uma "tribo" hippie ou cumprir seu "dever" como cidadão americano e ir para o front na guerra do Vietnã. Pode parecer uma decisão não tão complexa, mas o adorável e confuso Claude vive um verdadeiro dilema. Versão brasileira do musical da Broadway, Hair é mais uma parceria bem sucedida entre Charles Möeller e Claudio Botelho, com texto e letras adaptados por Gerome Ragni e James Rado. 

A peça encanta pelo enredo, as músicas e principalmente o elenco. Jovens versáteis, eles cantam, dançam e interpretam lindamente. Os jogos cênicos são muito bonitos e o mais importante é que as marcações e as coreografias sincronizadas parecem espontâneas. A peça é ainda mais provocadora que o filme de 1979. O espectador não sabe se acha os personagens fabulosos ou se tem um pouco de medo deles.

Igor Rickli, o ator no corpo do rebelde Berger, surpreende a plateia logo em uma das primeiras cenas andando entre o público e tirando sarro com a primeira fileira. Irreverente, ele é um dos maiores destaques do elenco, ao lado do jovem Hugo Bonemer como Claude, e de Letícia Colim no papel da grávida chapada Jeanie. Outros destaques vão para as canções muito bem interpretadas por Karin Hil (antiga integrante do grupo Rouge) e Tatih Köhler, respectivamente "Aquarius" e "Frank Millis".





A música "Manchester, England" ganhou um brilho especial na voz de Hugo Bonemer, assim como "Sou Preto", versão de "I'm Black", na interpretação de Reynaldo Machado, no papel de Hud. Já "Fácil ser Cruel", versão de "Easy to be Hard", não foi tão emocionante como no filme. Outra música que merece destaque é a última do segundo ato que, portanto, fecha a peça, "Deixe o Sol Entrar", versão muito bem adaptada de "Let it Sunshine In".

Uma cena que fica de fora do musical, mas que é uma das mais emblemáticas do filme é a que Berger sobe na mesa durante uma festa e canta e dança derrubando pratos, copos e talhetes. A música é "I Got Life" e você pode ver a cena abaixo:




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11 março, 2011

A Liga da Justiça da Bahia


Além do hit Minha mulher não deixa não, o verão deste ano também foi contaminado pelo “vírus da kriptonita”. A praga surgiu na Bahia em novembro do ano passado e se espalhou por todo o Brasil, graças à banda LevaNoiz. Se você ainda não conhece, aprenda com o super-homem baiano André Ramon os passinhos da música Liga da Justiça:



O clipe e a letra são sensacionais. Primeiro, vamos a uma breve análise da composição. O Super-Man ficou fraco, porque o Pinguim (do Batman, sabe?) jogou kriptonita nele. Aí, o Lex Luthor e o Coringa, que se juntaram para ferrar o super-herói, aproveitaram e roubaram o laço da Mulher Maravilha. Com todo esse perigo, só restou ao casal fugir. *FIM* Faz todo sentido. Entendeu?

E para a história ficar ainda mais interessante, nada melhor que um clipe bem... exótico. Quem diria que um dia veríamos o Super-Man, o Lex Luthor, o Batman, o Coringa e a Mulher Maravilha (agora conhecida como “negona”) rebolando juntos ao som do axé, em uma dancinha sincronizada. Isso sem falar nas intervenções do Robin e do Coringa durante a música, com gritinhos frenéticos: “aaaaai!”.

No final, para completar a bela obra, uma homenagem do LevaNoiz aos companheiros de “Salvador City” Harmonia do Samba e Parangolé. Sim, eles merecem, porque são os Super Amigos!!!

Pois é, inacreditável...


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03 março, 2011

Sobre músicos e ditadores

Por Luiza Barros


Lionel Richie se apresenta diante da casa bombardeada de Muammar Kadhafi, em 2006


Kadafi, Kadhafi, Khadafi, Gaddafi, Qaddafi. Não importa como esteja escrito, o nome do ditador da Líbia é um dos mais mencionados no noticiário recente. A postura arrogante do ditador perante manifestantes que clamam por mais liberdade chamou a atenção do mundo inteiro, e acabou respingando no universo da música. Isso porque o clã dos Kadhafi tem, há anos, dado cachês bem gordos para estrelas internacionais em troca de shows particulares.

Entre essas estrelas, está a cantora Beyoncé, que como foi dito ano passado em A Trilha Sonora, recebeu em torno de R$2 milhões para se apresentar numa festa do filho de Kadhafi, Mutassim Bilal “Hannibal” (sim, o nome é exatamente esse que você leu). Hoje, 3 de março, a cantora afirmou que doou o dinheiro que ganhou na ocasião há mais de um ano. A antiga vocalista do Destiny's Child não é a primeira a tentar se desvincular da imagem de Kadhafi. Dois dias atrás, a canadense Nelly Furtado anunciou no twitter que doaria o milhão de dólares que recebeu para cantar para a familia do ditador na Itália, em 2007.

Nelly e Beyoncé não estão sozinhas. Na festa em que Beyoncé se apresentou, realizada na ilha caribenha de St. Bartes, estavam presentes ainda Jay-Z, o marido da cantora, e celebridades como Bon Jovi, Lindsay Lohan e Usher. Antes disso, Mutassim Kadhafi já tinha dado US$1 milhão a Mariah Carey por um show de apenas quatro músicas, no réveillon de 2008. Em 2005, o romântico Lionel Richie e o tenor José Carreras se apresentaram no que o governo da Líbia chamou de "concerto para a paz". O evento, realizado em frente à casa bombardeada de Kadhafi, na capital Tripoli, marcava os 20 anos da operação das forças armadas americana que atacou o país em resposta a um atentado em Berlim.

Manic Street Preachers tocam em Cuba, em 2001

Fora do exemplo libanês, há vários casos de estrelas que não resistiram ao cachê alto oferecido por ditadores conhecidamente cruéis. Um ano atrás, o ex-líder do Police, Sting, queimou feio a sua reputação de defensor dos direitos humanos ao aceitar mais de £2 milhões para tocar para a filha de Islam Kasimov. No poder do Uzbequistão desde 1991, Kasimov é acusado de assassinar seus inimigos políticos.

Da mesma maneira, até Bob Marley, lendariamente ligado ao pacifismo, chegou a tocar para Robert Mugabe e uma plateia de 10 mil pessoas, durante a festa de independência do Zimbabue, em 1980. O mais ironico de tudo, Marley não era a primeira opção de Mugabe. O presidente de um dos países mais pobres da África preferia o britânico Cliff Richards. Ainda no continente africano, James Brown e B.B. King, entre outros, se apresentaram na década de 70 para Mobutu Sese Seko, governante da República Democrática do Congo de 1965 a 1997.

Do outro lado do Atlântico, o caso mais recente foi o dos roqueiros do Manic Street Preachers, que tocaram para Fidel Castro em 2001. A banda galesa ainda aproveitou uma das falas do líder cubano para nomear o DVD que a viagem originou. "Louder than war" foi escolhido como título depois que Fidel, ao ser avisado que o som da banda era pesado, respondeu que não podia ser mais alto do que o barulho da guerra.

20 fevereiro, 2011

Cantores que fazem a moda - Michael Jackson


Lançar moda não é para qualquer um. E lançar moda durante mais de quatro décadas é para um grupo muito seleto, em geral formado por estilistas. Mas, esse ícone da moda fez sucesso antes pela dança e talento musical. É claro que estou falando do Michael Jackson. A grande estrela do pop deixou sua marca não apenas no mundo da música, mas também nas passarelas. Como esquecer algumas de suas roupas e acessórios históricos?
Desde o começo da carreira, ainda com os irmãos em Jackson Five, Michael já se apresentava com roupas que faziam sucesso na época. A calça boca de sino era um dos principais figurinos, nada mais propício para os anos 70. Depois o cantor deixou de seguir a moda e passou a criar suas próprias tendências. Quem não se lembra da jaqueta vermelha usada em Thriller?

As jaquetas viraram quase marca registrada do cantor. Depois da vermelha, ele passou a usar outras de inspiração militar, jaquetas com aplicação em ouro e até com apliques de metal, que chegaram a circular por algumas passarelas. Além disso, Michael cansou de usar uma luva branca com apliques brilhantes. O cantor não tinha medo de usar muito brilho. A palavra cafona nem passava pela cabeça do artista.

E para quem achava que o couro era só para os metaleiros de plantão, o caçula dos Jackson chegou a vestir blazer e calça de couro. Mas esse não foi o seu visual mais marcante ou copiado. As ombreiras sim, essas foram usadas e aprovadas pelo mundo fashion. As paquitas da Xuxa que o digam.

Os figurinos extravagantes do cantor eram assinados por Michael Bush e Dennis Tompkins em sua maioria. O cantor sabia muito bem ousar e causar impacto com suas roupas. Nos shows, a atração não era apenas a música ou a dança, mas também o figurino especial preparado por Michael. O artista deixou saudade para o mundo da moda assim como para a música. Será difícil encontrar alguém como ele, com tanto brilho, nas roupas e acessórios, quanto talento.

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14 fevereiro, 2011

Cantores que fazem a moda - Madonna


Não são só os estilistas que lançam moda. E não é só na passarela que os modelos preferidos da estação se revelam. Os videoclipes também podem ajudar a definir o que será usado nas ruas, tudo depende do cantor e seu senso de estilo e inovação. Pena que nem sempre o bom gosto sobressai.
Difícil falar de música e moda sem lembrar-se da Madonna. A estrela pop lançou diversas tendências em seus mais de 25 anos de carreira. Afinal, como esquecer os soutiens pontudos que a cantora usou em Vogue? O figurino inusitado foi, inclusive, criado por Jean Paul Gaultier. Ou o look com influência punk que a material girl usava em meados dos anos 80? Outro visual típico da cantora.

Madonna iniciou sua trajetória no mundo da moda no começo de sua carreira, quando circulava pelos palcos com seu visual Vagabond Chic. A cantora sabia misturar como ninguém jaquetas de couro, coletes, correntes, crucifixos, entre outros acessórios. Nessa época, o punk mais suave virou moda no armário de muitas meninas.

Com o passar dos anos a cantora encontrou uma maneira de balancear melhor o visual, cortando os excessos. A aceitação de Madonna como musa fashion é tão grande, que no ano passado ela lançou a coleção Material Girls pela Macys, loja de departamento nos Estados Unidos.

Outros tantos cantores acabaram se envolvendo também com o mundo da moda. Em posts futuros, comentaremos figuras que ajudaram, com muito estilo, a definir as roupas da estação.

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08 fevereiro, 2011

Trilha Sertaneja

Por Raiane Nogueira

A música sertaneja está em alta no Rio de Janeiro. Borboletas, meteoros e fugidinhas embalam a noite de muitos jovens, adeptos ao chamado sertanejo universitário. Embora não abandone as raízes, o estilo foge um pouco das antigas modas de viola ou das canções sofridas de duplas como Chitãozinho & Xororó ou Zezé di Camargo & Luciano. O “novo” sertanejo vem com uma linguagem menos caracterizada, além de uma notável influência pop.

Entre os principais representantes do movimento, estão as duplas Victor & Leo, César Menotti & Fabiano, Jorge & Mateus, Guilherme & Santiago, João Bosco & Vinícius, Hugo Pena & Gabriel, Fernando & Sorocaba (ufa...), além de cantores como Luan Santana, Michel Teló e Paula Fernandes (aquela que encantou Roberto Carlos no show em Copacabana, no final de 2010).

E se, a princípio, o preconceito por parte dos jovens era enorme, aos poucos o sertanejo foi caindo nas graças desse público. Com o grande número de estudantes vindos do interior para as universidades, passou a ser comum em algumas baladas um momento dedicado à música sertaneja, o que contribuiu para a penetração do gênero. Hoje, muitas boates reservam pelo menos uma noite por semana exclusivamente para o ritmo. É o que fazem, por exemplo, as casas Nuth, Melt, ZeroVinteUm e Botequim Bate-Papo, no Rio, e Rancho do Tomate, em Niterói.

Para encerrar, como estamos perto do carnaval, fica uma dica para os cowboys e cowgirls leitores de A Trilha: neste ano, dois blocos sertanejos vão desfilar pela cidade do Rio. São o “Chora, me liga” e o “E daí?”, nomes das músicas de João Bosco & Vinícius e Guilherme & Santiago, respectivamente. Diversão para todos os gostos.

Pesquisa: G1, Rádio UOL

03 fevereiro, 2011

Deixe o ritmo do Stomp te levar

Por Luiza Baptista

Você tem vários instrumentos em sua casa, sabia? Não estou me referindo a violão, guitarra, bateria ou nenhum desses instrumentos tradicionais. Na verdade, qualquer objeto pode fazer música, e, nas mãos certas, ele pode fazer um ótimo som. Vassouras, latas, baldes, bolas de basquete... com o Stomp qualquer tipo de objeto pode virar instrumento musical.

Se você ainda não conhece esse grupo de músicos/dançarinos, não sabe o que está perdendo. O Stomp surgiu no Reino Unido em 1991, mas hoje são diversos grupos se apresentando por aí. Você vai se deparar com várias formações diferentes ao pesquisar no YouTube, por exemplo, mas é isso que deixa o trabalho ainda mais interessante. Todo Stomp tem um estilo diferente, trazendo uma experiência nova a cada espetáculo.

“STOMP is about rhythm”, como descreve o site do grupo. Por isso, Stomp faz sucesso no mundo todo com o ritmo produzido com objetos inusitados. Não existe barreira de idioma, todos podem aproveitar o som desse grupo. Agora, aumente o som e preste atenção nas sutilezas do som do Stomp.

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27 janeiro, 2011

Trilha Especial - PianOrquestra

Por Raiane Nogueira

Quantos instrumentos você acha que são necessários para compor uma orquestra? Segundo eles, bastam “dez mãos e um piano preparado”. A resposta não te convenceu? Então, você precisa conferir o criativo trabalho do PianOrquestra.

O grupo traz uma proposta inovadora para a música instrumental brasileira. Com um piano especialmente montado, com peças de metal, madeira, tecido e plástico, além do uso de baquetas, luvas e até chinelos de borracha, são produzidos sons idênticos aos de outros instrumentos, como cavaquinho, cuíca, contra-baixo e percussão. É genial!



O projeto se desenvolveu a partir de uma pesquisa iniciada na UFRJ, e se baseia em técnicas do vanguardista compositor norte-americano John Cage. O PianOrquestra tem direção artística do pianista Claudio Daulsberg.

Ainda não fui a nenhuma apresentação do grupo, mas fiquei impressionada desde o primeiro vídeo a que assisti. Altíssima qualidade. Além da ideia original, as performances chamam atenção pelas cores, movimento e sincronia dos músicos. Tudo isso, com um toque de leveza e bom humor. No repertório, ritmos brasileiros, incluindo músicas de Tom Jobim, Bezerra da Silva, Milton Nascimento e Toninho Horta, e composições próprias.

Uma excelente iniciativa, que precisa ser conhecida por todos.