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28 abril, 2011

O primeiro fã-clube do Brasil: Sinatra-Farney

Por Mariana Coutinho

Por volta de 1948, o radialista Luís Serrano desembarcou na Praça Mauá vindo de Nova York.  Da terra do tio Sam, ele trouxe a ideia de um programa de rádio, que passou a apresentar na Rádio Globo - o Disc-Jockey. A modernidade da vez era exatamente o que parece, o DJ tocaria discos na rádio. Hoje isso pode parecer uma coisa banal, mas na época quase toda a música que se ouvia no rádio era ao vivo. Além de apresentar as gravações mais recentes, Serrano ainda falava dos artistas e buscava um intercâmbio com os fãs. 

Como acontecia nos Estados Unidos, esse intercâmbio ficava muito mais fácil se os fãs se reunissem de alguma forma. Por esse motivo, o radialista começou a divulgar os fã-clubes em seu programa e a tocar discos estrangeiros, principalmente os da Capitol.

No bairro da Tijuca, três meninas pegaram no ar as ideias sobre fã-clubes que Serrano transmitia pelas ondas do rádio. As primas Joca, Didi e Tereza Queiroz fundaram, em 1949, o primeiro fã-clube do Brasil. A sede do Sinatra-Farney ficava em um porão, na Rua Dr. Moura Brito. Para ser membro era preciso passar por um teste. Todos no fã-clube tinham que ter um talento artístico, como seus ídolos. Alguns cantavam, outros dançavam e uma boa parte se esforçava para tocar algum instrumento.

Nessa época, o grande sucesso de Sinatra era "Night and day". E o brasileiro Dick Farney fora revelado pela canção "Copacabana". De Sinatra, os fãs tijucanos recebiam cartas e fotos autografadas. O que já era uma grande conquista. Farney, por sua vez,  teve participação ativa no clube. O dono da "voz de almofada" fez amizade com a turma que frequentava o porão, e até lhes apresentou outros artistas. 

Mas os jovens do Sinatra-Farney não se destacam no cenário musical apenas por terem fundado o primeiro fã-clube do país. Alguns dos membros foram também nomes importantes no início da Bossa Nova. Para se ter uma ideia, faziam parte do clube: Johnny Alf, João Donato, Paulo Moura, Raul Mascarenhas, Fafá Lemos, Klécius Caldas, Armando Cavalcante, Nora Ney, Mirzo Barroso e Carlos Manga.

O Sinatra-Farney durou até 1953. Nessa época, Sinatra já tinha se casado com Ava Gardner e já tinha entrado no seu famoso inferno astral. Dick também se casou e passou a ter menos tempo para se dedicar ao clube. Nessa época os garotos também já estavam crescendo, e o clube foi perdendo o gás. Mas até hoje, são muitos os que admiram Frank Sinatra e Dick Farney.

Assista abaixo ao vídeo de Dick Farney interpretando "Copacabana":







Veja também
Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim
In The Wee Small Hours (Frank Sinatra)

Pesquisa: livro "Chega de Saudade - A história e as histórias da Bossa Nova" de Ruy Castro

28 março, 2011

Trilha do fã - Uma homenagem para nossa blogueira Luiza Barros

A nossa homenageada na Trilha do fã de hoje não tem nenhum grande sucesso musical, nenhum cd lançado e, na verdade, nem canta muito bem. Mas, somos fãs dela, fazer o quê? Na verdade, o que ela sabe fazer na área musical é dar pitaco. E isso ela faz cheia de propriedade. Se vocês ainda não conhecem a nossa blogueira (shame on you!), com certeza devem lembrar dos textos. Luiza Barros é a nossa elitista musical, uma fã assumida de Beatles, Smiths e Dylan.

Nossa colega de blog e de faculdade de jornalismo, agora devidamente apresentada, está fazendo intercâmbio em Paris. Por isso, não podemos fazer uma festinha para comemorar seus 21 anos. Então, vamos celebrar do melhor modo que podemos: com muita música. Fizemos uma playlist especial para nossa amiga.

1) Para começar, a versão hispânica de uma das músicas favoritas da Luiza: "There is a light that never goes out" dos Smiths em espanhol. É uma heresia, mas é engraçado! Nada melhor pra animar um aniversário!


2) Na seqüência, um clipe em homenagem as noites parisienses que Luiza tem passado no intercâmbio, por uma banda que é quase sua xará: Louise Attaque, com "J't'emmène au vent":


3) Para abrir um sorriso bem grande, só mesmo assistindo a esse vídeo da música número 1 na lista das 20 músicas favoritas dos Beatles que a Luiza fez no Last.fm: Girl!


4) 28 de março. Acho que tem mais alguém que faz aniversário nesse dia. Então vamos prestigiar mais uma ariana nessa playlist: Lady Gaga com "Alejandro"!


5) Agora para lembrar uma piada interna, a indicada é a Cláudia Leitte. Preste atenção: para entrar no clube da Luiza, você deve fazer caretas e mexer as sobrancelhas enquanto assiste ao clipe abaixo:


Luiza, essa é a nossa maneira de desejar um feliz aniversário e mostrar o quanto você é especial.

13 janeiro, 2011

Amy Winehouse pela primeira vez no Rio

Uma cobertura especial, por José Alan Ribeiro


Ela disse que era problema. Depois não venha reclamar do show curtinho, da voz vacilante, das letras esquecidas em pleno palco. Eram 22h30 quando Amy Winehouse abriu sua primeira apresentação em solo carioca, na segunda-feira, 10.

Vestida de tigresa, acompanhada de uma banda com motivos tribais do tipo não-existe-pecado-ao-sul-do-Equador, eles celebravam, com uma alegria que pareceu genuína, a relativa rehab da moça nesse cantinho tropical do globo.

A música escolhida para abrir os trabalhos, Just Friends, foi como uma espécie de cartão de visitas para o roteiro que a apresentação seguiria dali para a frente: nada de muita intimidade, embora Amy sorvesse com satisfação explícita os aplausos efusivos que a plateia lhe dedicava a cada gesto (sobretudo se esse gesto fosse o gargarejo, algo recorrente, no líquido de uma caneca branca postada aos seus pés).

Apesar da relativa frieza, a sequência de Back to Black com Tears Dry on their Own foi capaz de manter alvoroçado um público que, de resto, já estava ganho desde o início da apresentação.

Dureza foi ver Amy abandonar o palco com menos de meia hora, deixando o show por cerca de 15 minutos a cargo de sua banda — que, embora excelente, não era a atração da noite.

O jeito foi aproveitar o intervalo forçado para dar uma escapulida no bar, onde era possível conseguir, a certo custo, um chope quente (R$ 5) ou uma caipirinha congelada (R$ 10).

O programa já se desenhava uma furada completa quando a sacana voltou munida de cerveja (consumida em um trago só) e de um medley matador: Rehab, You Know I’m No Good e Valerie. Desse jeito, deu até pra reconsiderar e curtir Love is a Losing Game.

Mas era só. Em You're Wondering Now, o palco já era, novamente, exclusivo da banda de apoio. Winehouse se fora sem nem um tchau protocolar. E, às 23h30, caiu a ficha: aquela tigresa improvável nos contou só parte — e sem certeza, ao que parece — de tudo o que viveu.

José Alan Ribeiro é jornalista

27 setembro, 2010

Trilha do Fã - Jimi Hendrix e uma questão

Por Robson Sales

Rubens Pires é, por coincidência, meu irmão. Há algum tempo ele escreveu uma breve opinião sobre a arte, mais precisamente sobre a arte de Jimi Hendrix - que para Rubens é o maior guitarrista de todos os tempos. Meu irmão é um guitarrista em formação e sua opinião pode estar contaminada por ser tão fã.

Mas 'A Trilha' abre espaço para esta discussão, através desta Trilha do Fã: não se fazem mais artistas como antigamente?


Em 1967, o mundo conhecia Jimi Hendrix, o que iria se tornar um dos maiores nomes da música pop, e o
maior da guitarra. Mas o que quero escrever aqui, são as lições que ele nos ensinou. Hendrix não queria saber se a música era considerada comercial, ou não. O quanto podia ter fama e dinheiro, ou se a música iria soar radiofônica. Jimi Hendrix tocava porque simplesmente amava tocar e se preocupava o quanto aquilo poderia levar alegria às pessoas e ajudar a mudar o mundo. Como de fato conseguiu.

Apesar de ter uma carreira curta, sua passagem foi tão impactante que em apenas quatro anos se tornou um mito.

Mas infelizmente, acredito que seria quase impossível surgir uma figura que se tornasse um mito hoje em dia. Pois ninguém está preocupado com a arte 100%, ago que consequentemente dá dinheiro. E sim, aparecer na TV, na MTV, ou estar em primeiro lugar nas rádios, enfim...

Agora a resposta está com você: Se faz ou não se faz artistas como antigamente?

Veja Também
Trilha do Fã - Depoimento de Cristal Proença (The Rasmus)
Trilha do Fã: Depoimento de Luana Bernardes

19 agosto, 2010

Trilha do Fã: Depoimento de Luana Bernardes

Por Mariana CoutinhoA Trilha do Fã apresenta hoje o depoimento de Luana Bernardes, fã da banda Engenheiros do Hawaii. Esse texto foi publicado originalmente no blog de Luana, o Quinto Take. Segue o texto:

"Ela não se recorda exatamente da ordem dos fatos, sua memória com o passar do tempo, tem preenchido as lacunas com um bocado de imaginação. Portanto, ela imagina que as coisas tenham se passado quase assim:

"Em uma manhã sem importância em uma semana sem importância, no final dos anos 90, ouviu no rádio da sala dos sofás vermelhos algo completamente distoante do que havia ouvido até então. Era um ritmo pulsante, vibrante, alegremente triste - mágico instante."

"Longe Demais das Capitais":

Tratava-se de uma banda gaúcha nascida no início do anos 80 onde toda a rebeldia juvenil ganhara fôlego nas influências entrangeiras que gritavam de forma intensa no peito de quem queria ser ouvido. Era o Rock'n'Roll confirmando as suas raízes em solo tupiniquim, incentivado pelos ensandecidos e pelos cansados de idolatrar os mesmo ídolos que seus pais.

Essa banda continha músicas repletas de ironias, críticas e analogias inspiradas em Filosofia, História, Política, Folk, The Police, Rush e Pink Floyd - coisas que ela só descobriria mais tarde, naquele primeiro momento, bastava o fascínio exercido pela melodia e pelo timbre dos vocais. De qualquer forma, gravou a poesia das letras na memória e quando a sua própria revolta juvenil se tornou mais evidente essas canções estavam todas lá.

Essa mesma banda foi o caminho para todas as outras, de décadas anteriores ou posteriores, todas estavam de alguma forma conectadas a essa que muito antes já exercia nela fascínio ímpar.


"Simples de Coração":

Quase uma década mais tarde dessa descoberta fortuíta, ela encontrou aquele a quem ousou chamar de "A Lenda". O coração entrou em disparo acelerado, as mãos tremiam, a garganta secou e tudo o que conseguia racionar naquele breve momento não passava de "Ele existe!" Desaprovou o moicano exagerado e o dente de ouro que ele agora exibia, e dessa forma aquele instante ficou registrado numa capa autografada de cd e numa fotografia onde a sua tensão ficou visível pelos lábios que não conseguiu parar de morder até sangrá-los (hábito que ela ainda repete masoquistamente até hoje).

"Somos Quem Podemos Ser":

Muitas histórias suas foram cantadas por essa banda, de "Terra de Gigantes" à "Refrão de um Bolero" passando por "Eu Que Não Amo Você", "No Inverno Fica Tarde Mais Cedo" e "Simples de Coração", todas essas e muitas outras se tornaram parte da sua trilha sonora particular, resultando hoje em um misto de admiração e nostalgia, fascínio e saudade.

"Lado a Lado"

"A Lenda" ainda existe, sua banda já não mais. Talvez voltem ou talvez façam apresentações isoladas, seja como for, a gratidão por ter injetado o primeiro acorde vibrante em suas veias ainda existe, e assim sempre será.

"Novos Horizontes" (se não for isso, o que será?):

Atualmente, Humberto Gessinger não está mais a frente dos Engenheiros do Hawaii e roda o país com o Pouca Vogal, sua dupla com Duca Leindecker (Cidadão Quem).

Enquanto isso, a dona dessa história expandiu ainda mais seus horizontes musicais e hoje é viciada em bandas independentes, nacionais ou não."

Também é muito fã de algum artista ou banda? Então mande seu depoimento para atrilhasonora@gmail.com que ele pode ser publicado aqui no blog

09 fevereiro, 2010

Trilha do Fã: Depoimento de Paula Carone (Beyoncé)


Créditos: Roberto Setton/UOL

No último sábado (6) Beyoncé se apresentou no Estádio do Morumbi, em São Paulo. Paula Carone que é fã da cantora escreveu um depoimento sobre o show que assistiu, e é esse depoimento que publicamos a seguir:

"Sou fã da Beyoncé desde quando ela ainda cantava com as Destiny's Child, por isso estava super empolgada para o show. No sábado estava preparada para tudo, chuva, frio, roupas molhadas, e enfrentei tudo isso numa boa, afinal, eu havia conseguido o ingresso. Não estava na pista vip, longe disso. Meu lugar era na distante arquibancada azul. Por isso, além de levar meus óculos, eu contava com os telões para poder ver a diva de perto.

A pontualidade do evento me surpreendeu. Normalmente grandes shows atrasam, e muito, mas neste caso, excepcionalmente, Ivete Sangalo entrou 5 minutos antes do previsto.
Também gosto muito da cantora e achei o máximo poder assisti-las no mesmo dia, porém, não consegui aproveitar o evento como deveria.

A montagem do telão não estava pronta quando a musa do axé entrou. Ivete Sangalo era um ponto prateado pulando de um lado para o outro. Pelo menos o tombo que ela tomou eu pude perceber.
Nesta hora já não havia mais chuva nem vento, porém as caixas de som que ficavam um pouco mais distantes do palco ainda não haviam sido ligadas, ou o som estava muito baixo. Ivete conversava com o público e eu não ouvia. Ivete cantava e eu conversava com minha irmã, que estava ao meu lado, normalmente.

- Deve ser porque é o show de abertura. Pensei eu. Estava enganada.
Ivete fez sua parte, e muito bem por sinal, porém não pude aproveitar.

Entre um show e outro os telões foram montados. Uma decepção. Telões pequenos e com pouca definição.Quando Beyoncé entrou, o som continuava igual. Baixo.

Não vou dizer que não gostei, seria muita hipocrisia. Beyoncé canta, dança e se apresenta como ninguém. Porém, eu, uma pessoa acostumada a ir em grandes shows, esperava um pouco mais da produção do show, que, na minha opinião, faltou com respeito com as pessoas que não podem pagar R$ 600,00 para curtir a pista vip e ficaram nas arquibancadas tentando assistir e ouvir o show, que já foi considerado um dos melhores do ano para quem conseguiu ver e ouvir a diva cantando".

Também é louco por alguma banda ou cantor? Tem uma história para contar? Então mande seu depoimento para atrilhasonora@gmail.com que ele pode ser publicado aqui no blog.

06 janeiro, 2010

Trilha do Fã - Depoimento de Cristal Proença (The Rasmus)

Por Luiza Baptista

Ir ao show de um grande ídolo já é um sonho realizado. Imagina, então, conhecer sua banda favorita que veio da Finlândia? Foi o que aconteceu com a estudante de museologia Cristal Proença, fã do The Rasmus.

"Conheci o The Rasmus aos 14 anos. Não sei por que fui gostar de uma banda meio gótica da Finlândia, mas tem coisas na vida que não tem explicação. A primeira vez que ouvi In the Shadows e vi o vocalista da banda – Lauri: um cara baixinho, meio testudo, muito branco e com penas no cabelo – fiquei impressionada de tal maneira que em menos de um ano eu já me considerava fã de carteirinha. Dia e noite eu pensava neles e imaginava um dia poder vê-los ao vivo e casar com o Lauri também, por que não? (Aaah, 14 anos...) Então no ano de 2006 eu finalmente pude provar o gostinho que é ter os ídolos perto. Não mencionei que durante meus anos de obsessão, fiz grandes amizades na internet com meninas tão ou mais loucas que eu no quesito “tiete” e foi justamente com essas amigas que eu pude viver esse momento tão especial. Bom, pra encurtar a história, em novembro de 2006, no alto dos meus 16 anos, fui a dois dos três shows da banda no Brasil: um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo. Hoje vejo como meus pais foram legais ao me deixarem viajar sozinha de avião (junto com uma amiga da internet) pra São Paulo, voltar e ir a mais um show no Rio, que resultaram em uma semana de pura satisfação The Rasmística.

Acho que esgotei minha cota de sorte nesses dois shows. Em São Paulo uma amiga ganhou uma promoção da MTV para entrar no camarim com direito a cinco acompanhantes: eu e mais quatro fomos as escolhidas pra ir junto. Além do mais, amizades com a dona do site brasileiro sobre a banda sempre garantem alguns pequenos privilégios. No Rio, assistimos o show entre a grade e o palco, ganhei a palheta do guitarrista, tive a impressão que o Lauri olhou pra mim, hahaha. Resumindo: nos dois shows pudemos assistir o ensaio e entrar no camarim. Falar com eles foi emocionante, não parecia real, mas era. Até hoje me lembro dos detalhes da nossa “conversa”, dos abraços, das caras de desespero (tanto nossas quanto deles).

Enfim, gosto de pensar que ser fã do The Rasmus – meu período de obsessão durou até bastante, com 17 anos a coisa foi enfraquecendo e por sorte, eu não perdi muitos amigos – me ajudou a conhecer melhor a mim mesma além de ter me trazido pessoas muito especiais. Hoje sinto como se eles fossem uma pequena parte de mim e tenho um carinho enorme por eles e tudo o que eles representaram na minha adolescência. Até minha primeira decepção amorosa aprendi com o The Rasmus: O Lauri casou e virou pai, ou seja, nosso futuro casamento foi por água abaixo".

Cristal e seu ex-futuro-marido Lauri


21 dezembro, 2009

Trilha do Fã - Depoimento de Victor Loback (Marina Lima)


Qual fã que nunca sonhou em ser chamado para subir ao palco pelo seu ídolo no meio de um show lotado? O estudante de Geografia Victor Loback, de 19 anos, teve a sorte de ver isso acontecer consigo mesmo. Quem o chamou ao palco? A cantora Marina Lima, musa dos anos 80, que Victor ama de paixão desde pequeno. Mas ele pode contar essa história melhor do que eu...


"A paixão pela Marina vem de longe, desde quando eu era bem pequeno. Suas músicas embalaram minha infância graças à minha mãe, que a ouvia bastante. Mas a paixão ficou adormecida desde a infância até o primeiro show dela que assisti no Teatro Municipal de Niterói. Marina estava incrível, com sua tradicional camiseta branca deixando à mostra a clássica tatuagem, que, conforme notei, ganhara companhia. Viajei junto com ela até a minha infância nos anos 90 da melhor forma que alguém pode viajar. Lembro também que no show Marina convidou um rapaz para dançar com ela no palco, que por sua vez recusou o convite, fato que nunca entrou na minha cabeça. Desde então, passei a acompanhá-la mais de perto, explorando suas músicas menos conhecidas, mas não menos gostosas de serem ouvidas.

Um tempo depois do show em Niterói, veio o show no Teatro Rival. Agora, já conhecia as músicas mais recentes da Marina e isso, entre outras coisas, me empolgavam pro show. Fui muito bem acompanhado de uma menina que eu havia conhecido graças também ao gosto pela Marina. Lá encontramos um amigo nosso que na época auxiliava na produção do show. Sentou-se à mesa conosco, desta vez na primeira fila, e lançou a pergunta: “Victor, você sabe dançar?” Deixei-o sem resposta e confesso que a pergunta me deixou inquieto, mas ao mesmo tempo não passava de uma brincadeira. Logo após a pergunta, meu amigo deixou a mesa e o show começou.

Marina estava incrível mais uma vez e as músicas, como sempre, me cativaram. Os primeiros acordes de Virgem começaram a mostrar toda sua força e algo me contagiou mais ainda. Estava aproveitando cada nota da música até ouvir: “Victor! Victor, cadê você? Vem pra cá!” Fiquei por um momento fora do ar, pensando em milhões de coisas. Não era eu. Óbvio que não era. Mas não apareceu outro Victor, então... Será que era eu? Marina estava me chamando?

Finalmente, acreditei que era mesmo comigo e quando me vi estava no palco recebendo um abraço da Marina e o convite para acompanhá-la na dança. Entrei em um turbilhão de emoções e por um instante saí de mim, saí daquele palco, saí do mundo. Dançamos, Marina me deu dois beijos e desci do palco volitando. Meus pés não tocavam o chão, eu não me tocava.

Victor e Marina dançam juntos no palco

Terminando o show, fomos ao camarim com meu amigo. Assim que Marina me viu, veio em minha direção e falou: “Oi, Victor! E aí, o que achou? Eu gostei, foi bacana”. Também disse que gostei bastante, tiramos fotos e depois Marina pediu licença pra atender a outras pessoas.

Na saída do Rival, várias pessoas me pararam para fazer perguntas, querendo saber várias coisas, se era parente ou amigo da Marina. A resposta pra elas era sempre a mesma: sou só alguém que admira muito o trabalho da Marina desde sempre. "


Você não precisa ter subido ao palco como Victor, mas se também tem uma história especial sobre você e seu ídolo para contar, não deixe de nos mandar um e-mail para atrilhasonora@gmail.com!

06 dezembro, 2009

Trilha do Fã: Depoimento de Lucas de Sena Lima (Chet Baker)


Lucas de Sena Lima é fã do trompetista e cantor de jazz Chet Baker. Em 13 de maio desse ano ele escreveu, em seu blog, um depoimento sobre os 21 anos da morte do músico, que quase coincidem com a data de aniversário de Lucas. Segue o depoimento cedido para publicação em 'A Trilha':

"Há exatamente 21 anos, hoje, um dia depois da minha chegada ao mundo, despencava do seu apartamento em Amsterdam o Chet Baker.

Quando eu tinha uns 5 ou 6 anos, na coleção de cds do meu tio eu via um álbum com o rosto dele na capa, aquela cara de garoto, e lembro que quando ouvi a voz dele me pareceu que eu já havia ouvido aquela voz antes, e sempre que eu ouço parece que eu já ouvi aquela voz antes.
Chet Baker, assim como eu, ouvia muito Miles Davis, depois acabou influenciando muita gente, até mesmo a bossa nova brasileira. Ele tem uma canção, "I Fall in love too Easily", que lembra muito aquela música do Tom Jobim, "Triste" (Triste é viver na solidão... lembra?), ou aquela em que o João Gilberto canta a famosa frase do filósofo Pascal (O coração tem razões que a própria razão desconhece...). A música se chama "Aos pés da Cruz".

Ah... essa voz...

Chet empunhava o trompete como um símbolo fálico, essa é que é a verdade.

Tem aqueles versos do Roberto Piva: "eu vejo Brama sentado em flor de lótus/ Cristo roubando a caixa dos milagres/ Chet Baker ganindo na vitrola " (Visão de São Paulo à noite).

Tem um monte de coisa.

E eu só dividi o mundo com ele um só dia, entre 12 e 13 de maio.

Era um cara que vivia pela heroína e pelo jazz, mais pela heroína que pelo jazz. Foi chamado, por conta da beleza, da suavidade da voz, daquele aroma tátil que saía do trompete, de "Poeta do Jazz". Chet Baker era um alquimista, a reencarnação de Rimbaud. Apolíneo e Dionisíaco.

Acontece que faz 21 anos que ele se desequilibrou, ou que foi empurrado, ou que se jogou, faz 21 anos que eu estou despencando daquela sacada, no seu apartamento, em Amsterdam".

Se você também é fã de alguma banda, cantor ou músico, mande seu depoimento para
atrilhasonora@gmail.com. Seu texto pode ser publicado aqui no blog como o do Lucas

01 dezembro, 2009

Trilha do Fã - Depoimento de Lucilia Bortone (parte 2)

Por Luiza Baptista

Agora você vai poder saber o resto da história da Louci. Ontem, postamos a “Saga do encontro- parte 1”. Hoje você vai ler sobre como foi o segundo encontro da Louci com seus ídolos. A saga do encontro- parte 2:

“Março

Shows confirmados. Só faltava o início da vendas dos ingressos. Luiz já tinha dito no ano anterior que quando precisasse era só falar. E eu falei. Pedi um ingresso para mim. Dessa vez ele tinha prometido ir junto e levar a filha dele.

Maio (duas semanas antes do show)

A tensão ia subindo a cada dia. Não tinha notícias do ingresso. Recebo um e-mail do Luiz dizendo que o contato dele estava demorando para arrumar os ingressos. Já fiquei um pouco apreensiva.

26 de maio de 2009 (quatro dias antes do show)

Luiz me manda outro e-mail. E a felicidade. Um ingresso. Pista Vip.

Mais um momento daqueles em que você fica tão feliz que não consegue parar de sorrir.

30 de maio de 2009

Já estava no Rio com meus pais. Fomos até a casa da madrinha da minha mãe (mãe do Luiz). Estávamos esperando. O horário marcado por ele era 19h. Chegamos às 18h30.

Ele vinha da barra com a filha. Era o que eu sabia até então.

E mais uma vez os atrasos. Chega a ser engraçado contando, mas eu não conseguia esconder a preocupação. Queria chegar e arrumar um lugar bom e encontrar a Laura.

Por volta das 20h Luiz chega. No carro, ele, a filha, a namorada e mais três amigos da filha. Carro cheio, certo?! Errado. Nunca subestime o espaço interno de um carro. Nunca! Só naquela hora fui entender porque ele demorou para conseguir os ingressos. Ele tinha pedido seis! E para não perder o hábito: levou o dvd do Radio:Active pra mim.

E fomos para o Vivo Rio. Éramos agora sete dentro do carro. Minha mãe resolveu ir junto. No caminho, rádio no talo e pé afundado no acelerador. E eu nervosa.

E mais uma vez não sabia que entraria no camarim. Era pra eu ter a esperança, lógico. Mas fui feliz por ter conseguido isso das outra vez.

Chegamos no Vivo Rio em cima da hora. É quase que uma repetição da história. Minha mãe e a namorada do Luiz entraram com os amigos da filha dele. Eu, Luiz e ela fomos para os fundos da casa de shows. Luiz procurando o amigo dele que nos levaria ao camarim. Nada do cara aparecer. Finalmente Luiz consegue falar com ele no telefone. E entramos.

Acho que se tivéssemos atrasados mais não teríamos entrado no camarim. Disse que não sabia, certo? Mas de certa forma tinha esperança. Escrevi uma carta horas antes. Lembro da minha mão tremer e eu ter que reescrever tudo e em inglês. Ali coloquei um pouco do que eles representam para mim. Como eles estavam presentes na minha vida, principalmente nos momentos difíceis que tinha passado nos últimos anos e em especial nos últimos meses.

Na fila me dei conta que não tinha levado nada para ser autografado. Saquei meu comprovante de matrícula da faculdade. E assim foi. Entrei no camarim. Dougie não estava lá. Estava doente e por precaução ele não foi receber os fãs – naquela época o assunto do momento era a gripe suína. Cumprimentei Harry e Tom. E entreguei a ele a minha carta. Pedi os autógrafos. Fotos tiradas e Danny diz: “Alguém ta passando a mão na minha bunda”. Risada coletiva. Mais importante foi depois ver que Tom (aquele que não gosta dos dentes e evita sorrir nas fotos) saiu rindo numa das fotos. Antes de pegar minha câmera com um dos seguranças, finalmente fui falar com Danny. Ele me olhou um pouco assustado. Pedi um autógrafo. Ele sorriu. E, sinceramente, não lembro de mais nada. É como se o tempo passasse de um jeito e você perdesse uns pedaços.”

Para quem gosta de McFly, a banda ganhou a primeira enquete do blog. Então, amanhã teremos a biografia do McFly, aguardem.

30 novembro, 2009

Trilha do Fã - Depoimento de Lucilia Bortone

Por Luiza Baptista

O segundo depoimento é de uma fã que já conseguiu encontrar seus ídolos duas vezes. Lucilia Bortone, 20 anos, é fã da banda britânica McFly e estuda jornalismo em Juiz de Fora – MG. Louci, como é conhecida, descreveu sua experiência sob o título “A saga do encontro”:

“10 de outubro de 2008

Meu dia começou agitado: aula e o nervosismo de ver ao vivo, pela primeira vez, as quatro pessoas que participaram da minha vida naqueles últimos três anos sem saber.

Saí de Juiz de Fora um pouco antes das onze da manhã, obrigando meu pai a ouvir McFly até chegar lá. Resolvemos seguir pelo Aterro do Flamengo e passar na porta do Vivo Rio: a fila era imensa, estava quase perdendo as esperanças de poder ver de perto o McFly. Encontrei minha mãe e alguns minutos depois o telefone dela toca. Era o Luiz, primo dela que trabalha na EMI – quando saiu a confirmação da vinda do McFly para o Brasil eles não tinham assinado com a EMI ainda, então para mim a chance de conhecê-los era remota.

O segredo revelado, meus pais sabiam menos eu: Luiz tinha conseguido permissão para me levar ao camarim. Era uma mistura de sentimentos que não é possível explicar. Luiz ligou de novo: ele passaria para nos pegar às 19h depois que ele saísse do escritório da EMI na Barra. Seis e meia, Luiz liga: estava preso no engarrafamento na Barra, teríamos que ir de táxi. Sete da noite. Entramos no táxi. Laura me liga dizendo que já estava dentro do Vivo Rio. Comecei a me preocupar.

Sete e vinte. Entramos na fila e Luiz preso no engarrafamento. Oito horas. Nossa vez de entrar e nada do Luiz. Oito e quinze e ele chega, com um presente: o Radio:Active. O CD tinha acabado de chegar na EMI e ele levou para mim. O coração já batia mais forte. A banda de abertura tocando e os meninos não tinham chegado ainda – estavam no hotel fazendo fotos para uma revista. Oito e vinte e cinco: a van. Nunca fiquei tão feliz por ver uma van. Muita gente esperando por eles. Tom saiu, acenou para nós. Danny saiu em seguida e fez o mesmo. Vi Harry sair, mas não vi o Dougie. O Portão abriu para nós. Conversei com um monte de gente que até hoje não sei o nome, rendeu até uma foto. Oito e meia. Eu era a oitava na fila. Passei na frente porque as meninas que estavam na minha frente queriam tirar foto juntas. Quando me virei vi Danny olhando para mim. Nunca imaginei que os olhos dele fossem tão azuis. Não conseguia parar de sorrir. Cumprimentei cada um deles, todos muito simpáticos. Harry ainda estava um pouco abatido porque pegou uma gripe. Oito e trinta e quatro: a minha foto e o meu dia.”

No ano seguinte a banda voltou para uma pequena turnê de shows pelo Brasil. No próximo post teremos Louci e sua “Saga do encontro parte 2”. Aguardem.

A Louci é a segunda menina da esquerda para direita. Para as fãs do McFly: ela está entre o Tom e o Harry.


Em breve a biografia do McFly. A banda ganhou a primeira enquete do blog e logo sua história vai estar por aqui.

23 novembro, 2009

Trilha do Fã - Depoimento de Carolina Castro (Ana Carolina)

Por Luiza Baptista

Se um artista ficaria incompleto sem seus fãs, um blog de música ficaria incompleto sem as histórias de fanatismo. É por isso que o “A Trilha Sonora” abriu espaço para que o fã conte sua história. Vamos postar uma história por semana, e você também pode mandar a sua: basta se comunicar conosco pelo e-mail atrilhasonora@gmail.com ou deixar um comentário.

O primeiro depoimento é da Carolina Castro, 22 anos, fã da cantora Ana Carolina:

“Em um pouco mais de um ano sendo fã da Ana Carolina, já fui a 12 shows e tenho mais 3 ingressos comprados. Sempre rola algo engraçado, diferente ou até mesmo preocupante nos shows. Mas o meu primeiro foi o mais marcante com certeza. Além da emoção de estar vendo meu ídolo de pertinho, eu passei por um belo de um perregue pra chegar até o local do show, que ficava a umas 2 horas de ônibus da minha casa. Primeiro eu peguei a condução errada e fui parar bem longe, depois eu fui "acompanhada" por um desconhecido que se ofereceu pra me levar até o local do show. Eu fiquei bem receosa, claro, mas não tinha muito o que fazer, já que eu estava perdida num lugar que eu não conhecia muito bem. O cara me levou até um shopping e disse que de lá eu poderia pegar uma condução que me deixaria na porta do show. Claro que ele pediu telefone, orkut, e eu dei pra ele um número desconhecido e falei meu nome errado. Acho que eu nunca senti tanto medo de ser sequestrada, ou acontecer coisa pior. Mas ainda bem que tudo correu bem, cheguei no show a tempo, sã e salva.

Como eu disse, sempre rola algo engraçado, diferente ou preocupante, mas esse show se encaixa na quarta categoria: cansativo. Eu fiz uma dobradinha, fui a dois shows em noites seguidas, em cidades diferentes. O primeiro em Campos, fui de ônibus com uma amiga. Era show de mesa, então não tivemos que chegar cedo pra pegar fila. Saímos do Rio três horas da tarde, encontramos outros fãs lá, assistimos ao show e logo em seguida pegamos o ônibus de volta para o Rio. Chegamos as sete da manhã, fomos pra casa, nos arrumamos e seguimos direto pra o outro show, que era em Nova Iguaçu. Esse era de pista (em pé), então tínhamos que chegar cedo pra ficar na fila. Como gosto de ficar o mais perto possível do palco, na grade de preferência, então tenho que chegar cedo aos shows. Foi tudo muito cansativo, mas bem divertido.”

A foto usada acima foi tirada por Carolina, que faz questão de colocar seu nome em marca-d'água em todas as fotos que faz nos shows, para que outros fãs não as usem sem dar os créditos.


Abaixo você pode assistir um vídeo feito por Carolina em um dos shows que acompanhou: