Por Luiza Barros
1967, São Francisco. Basta apenas dizer o ano e o lugar para trazer à tona imagens repletas de gente jovem, roupas coloridas, musica alta e consumo de drogas. Nos Estados Unidos, o verão de 1967 ficou marcado pela reunião de mais de 100 mil pessoas na região do Haight-Ashbury, o famoso distrito de São Francisco. Entre os presentes, estavam Janis Joplin e as bandas Jefferson Airplane e The Greatful Dead. O encontro hippie foi um dos acontecimentos mais importantes não so na musica, mas na historia social recente, e ficou conhecido como o Verão do Amor.
Muitos verões depois, a geração seguinte viu surgir um fenômeno similar. Só que dessa vez, o epicentro não estava nos EUA, e sim no Reino Unido - mais precisamente nas cinzentas Londres e Manchester. Acuados com a cultura individualista e com a política neoliberal da primeira-ministra Margaret Thatcher, que acabara de completar 10 anos no poder, a juventude britânica da época reagiu de maneira inesperada: festejando. Surgiam assim as festas raves, realizadas ao ar livre e sem hora para acabar. Gratuitas e muitas vezes realizadas ilegalmente, as raves se multiplicaram pelo país, arrastando milhares e enlouquecendo a tradicional sociedade britânica. Espelhando-se abertamente no espírito hedonista e libertador do final dos anos 60, o movimento trouxe de volta algumas modas do período, como a estampa tie-dye e outros motivos psicodélicos.
A inspiração hippie não significa que o Segundo Verão do Amor tenha sido apenas um revival do primeiro. No lugar de Janis e Hendrix, entram os sintetizadores do Acid House, subgênero da House Music baseado na repetição e no uso de samples. O LSD volta a ser consumido, mas a droga do momento era o recém-popularizado ecstasy. O efeito da droga, que induz à euforia, é facilmente perceptível nos videos das festas da época. Faltava apenas um símbolo tão marcante quanto o ícone da paz utilizado nos anos 60. O escolhido o smiley, a famosa carinha sorridente amarela criada pelo designer americano Harvey Ball.
A popularidade que o acid house adquiriu durante o período não significa que o rock'n'roll ficou esquecido. Ao contrário, o final dos anos 80 marca o surgimento de varias bandas alternativas, que misturaram o rock psicodélico com a dance music. A maioria delas, como Stones Roses, Happy Mondays e Inspiral Carperts, surgiram em Manchester, que no começo da década também ja tinha visto surgir nomes como The Smiths, New Order e The Fall. A influencia dessas bandas, unida ao acid-house, gerou uma nova cena musical, apelidada de de Madchester (um trocadilho do nome da cidade e a palavra mad, louco em ingles).
Abaixo, você pode conferir, em inglês, a primeira parte do documentário da BBC "The summer of Rave", de 2006, que colheu depoimentos de quem viveu o período.
Veja também:
Trilha Especial - Woodstock
Trilha do Filme - Trainspotting
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25 março, 2011
14 março, 2011
Trilha do Filme – Trainspotting OST #1 e #2
Por Luiza Barros
(1.Lust for Life -Iggy Pop/ 2. Deep Blue Day - Brian Eno / 3. Trainspotting - Primal Scream / 4. Atomic – Sleeper / 5. Temptation - New Order/ 6. Nightclubbing - Iggy Pop /7. Sing - Blur /8. Perfect Day - Lou Reed /9. Mile End - Pulp / 10. For What You Dream Of (Full-on Renaissance Mix) - Bedrock (feat. KYO) - 11. 2:1 -Elastica / 12. "A Final Hit" - Leftfield / 13. "Born Slippy .NUXX" - Underworld / 14. Closet Romantic - Damon Albarn)
(1. Choose Life - PF Project featuring Ewan McGregor / 2. The Passenger - Iggy Pop / 3. Dark & Long (Dark Train) – Underworld / 4. Carmen Suite No.2 - Georges Bizet / 5. Statuesque -Sleeper / 6. Golden Years - David Bowie / 7. Think about the Way - Ice MC / 8. A Final Hit Leftfield / 9. Temptation - Heaven 17 / 10. Nightclubbing (Baby Doc Remix) - Iggy Pop / 11. Our Lips Are Sealed - Fun Boy Three / 12. Come Together - Primal Scream / 13. Atmosphere -Joy Division / 14. Inner City Life - Goldie / 15. Born Slippy .NUXX (Darren Price PPPPOPPI UPMix) Underworld)Sabe aquela impressão de que uma certa música nasceu para estar num certo filme? Em "Trainspotting", de 1996, essa sensação se repete pelo filme todo. Não é por menos, a trilha do drama ficou entre uma das dez melhores da historia do cinema numa lista de 2007 da revista "Vanity Fair". O mérito não se deve apenas ao fato da seleção ser realmente boa. A produção britânica não tratou apenas de escolher as faixas que simplesmente combinassem melhor com cada cena, e sim de trata-las como elemento essencial da narrativa (mas afinal, não deveria ser esse o papel de toda trilha sonora?).
Porém, para quem esta familiarizado com a história do longa, fica claro que o tratamento concedido à música não poderia ser outro. Baseado no romance homônimo de 1993 de Irvine Welsh, “Trainspotting” se passa na Escócia dos anos 80 e é protagonizado por Renton, jovem viciado em heroína. Interpretado por Ewan McGregor, Renton é o narrador do filme. Cabe a ele contar os eventos, muitas vezes trágicos, que aconteceram com ele e seu grupo de amigos. A sinceridade ácida do protagonista se lança tanto ao submundo quanto à sociedade burguesa, e não deixa ninguém escapar, seja ele mesmo ou o público. O retrato cru de uma parte da juventude que, descrente e sem maiores perspectivas, mergulhava fundo no universo das boates e das drogas, serviu para chamar a atenção da critica. Mas acima de tudo, foi o tratamento pop que o diretor Danny Boyle deu à película que cativou a audiencia e fez o filme ser identificado com o « Cool Britannia », termo usado para designar a onda de produtos culturais britânicos surgidos na década de 90, dos hits do Oasis ou mesmo das Spice Girls às criações do estilista Alexander McQueen.
O status cult rapidamente conquistado pelo filme fez com que o sucesso da trilha sonora fosse maior do que o esperado. O primeiro disco, lançado alguns meses depois do longa, não foi suficiente para saciar o interesse do público. Por isso, no ano seguinte, foi feito um segundo volume. Nele, estão incluídas tanto faixas que ficaram de fora do disco anterior quanto musicas que não aparecem na versão final do filme, mas chegaram a ser consideradas pelos realizadores. No entanto, seja no primeiro ou no segundo volume, o mote é o mesmo: uma seleção caprichada de boa parte do que passeia na seara da música alternativa. As faixas vão do proto-punk de vovôs como Iggy Pop e Lou Reed ao Britpop do Blur e do Pulp. Ao lado do rock, não poderia deixar de estar a música eletrônica, que vivia o seu auge: foram contemplados tanto pioneiros como Brian Eno quanto grupos que construiam o som eletrônico na Grã-Bretanha na época, como Leftfield e Underworld. No caso do ultimo citado, a consagração veio em muito por causa de “Trainspotting”. A inclusão do B-side “Born Slippy NUXX” na trilha fez com que a faixa se tornasse o maior sucesso comercial do antigo trio.
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