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10 maio, 2011

Trilha do Filme - Les chansons d'amour (Canções de Amor)

Por Mariana Coutinho


Les chansons d'amour  Love Songs (2007) (1. De bonnes raisons/ 2. Inventaire/ 3. La Bastille/ 4. Je n’aime que toi / 5. Brooklyn Bridge (Alex Beaupain)/6. Delta Charlie Delta/ 7. Il faut se taire/ 8. As-tu déjà aimé /9. Les yeux au ciel/10. La distance/ 11. Ma memoire sale/12. Au parc /13. Pourquoi viens-tu si tard/ 14. J’ai cru entendre)

Diferente dos musicais hollywoodianos, o francês Les Chansons d'Amour, de Christophe Honoré, não tem figurinos cheios de adereços, centenas de figurantes dançando, nem cenários com luzes piscando. As canções no filme não são apresentadas de nenhuma forma especial, ou diferenciada das demais cenas. A música aparece de forma muito natural. Ela faz parte da narrativa, e é isso que a destaca.

Honoré tirou a ideia da trama de Les Chansons d'Amour do primeiro álbum lançado por Alex Beaupain, Garçon d'honneur. E o cantor e compositor acabou fazendo a trilha do longa-metragem. A história começa com o relacionamento conturbado de Julie (Ludivine Sagnier) e Ismäel (Louis Garrel), que resolveram introduzir um terceiro elemento na relação, Alice (Clotilde Hesme), companheira de trabalho de Ismäel. O filme parece que vai se desenrolar em torno dos conflitos gerados pelo ménage à tróis. Mas, logo no início, um acontecimento inesperado fará com que Ismäel tenha que procurar outra forma de amor, fora desse triângulo.

As canções de Alex Beaupain fazem a passagem das três partes em que o filme se divide. A primeira delas tem canções mais animadas com letras irreverentes, como "Je n'aime que toi", e a primeira música do filme, "De bonnes raisons", que você pode assistir abaixo:






A segunda fase representa a perda, e por isso as letras são mais poéticas e sentidas. A melhor canção dessa fase é "Il faut se taire", que você pode assistir abaixo. Em seguida, a terceira fase do filme é a de uma descoberta. Nessa parte, os destaques vão para "As-tu dejà aimé" e "Ma memorie sale".





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Trilha do Filme - Todos Dizem Eu Te amo
Trilha do Filme - 500 dias com ela
Trilha do Filme - Un Homme et Une Femme

08 abril, 2011

Trilha do Filme - O Mágico de Oz

Por Mariana Coutinho

Dorothy, o espantalho, o homem de lata e o leão
O Mágico de Oz (The Wizard of Oz) - 1939
(1. Over the Rainbow/ 2. Munchkinland Medley/ 3. Follow the Yellow Brick Road/ 4. You're Off to See the Wizard/ 5. If I Only Had a Brain/ 6. We're Off to See the Wizard/ 7. If I Only Had a Heart/ 8. If I Only Had Nerve/ 9. Optimistic Voices/ 10. The Merry Old Land of Oz/ 11. If I Were King of the Forest)

Dorothy (Judy Garland) é uma menina do Kansas que está sempre se metendo em confusão. Sua última desventura envolveu um tornado que a levou, junto com seu cachorro Toto, para um mundo de fantasia chamado 'Oz'. O inocente filme de 1939, baseado na história de L.Frank Baum, tenta resgatar valores  morais e apela para as emoções do espectador. 

A protagonista, Dorothy, mata, sem querer, a Bruxa Má do Leste, de quem herda sapatos vermelhos com poderes mágicos. A irmã da morta, a Bruxa Má do Oeste, resolve se vingar da menina e passa o filme tentando lhe roubar os ditos sapatos. Ajudada pela Bruxa Boa do Norte, Dorothy segue por uma estrada de tijolos amarelos que a levará ao famoso e poderoso mágico de Oz. A garota deseja pedir ao soberano que use seus poderes para levá-la para casa. 

Em sua jornada, Dorothy encontra um espantalho que deseja um cérebro, um homem de lata que quer ganhar um coração e um leão que só precisa de um pouco de coragem. Os três seguem com ela pela estrada em direção ao castelo para apelar ao mágico. 

Os sapatos vermelhos que Dorothy herda da Bruxa Má do Leste

A magia de "O Mágico de Oz" está no filme que começa em tons de sépia no Kansas, e depois é apresentado em cores em Oz, no cenário, e principalmente nas canções. Quem assina a trilha sonora desse clássico é Harlod Arlen. As letras são de E. Y. Harburg. As músicas seguem um padrão que se repete durante o filme, como nas canções em que o espantalho (If I Only Had a Brain), o homem de lata (If I Only Had a Heart) e o leão (If I Only Had Nerve) lamentam suas faltas. As letras mudam, mas a melodia é a mesma. Outra canção que se destaca é "We're Off to See the Wizard", que também se repete várias vezes como um hino de incentivo pelo caminho até o castelo do mágico.

Mas a canção mais emblemática  desse filme é mesmo "Over the Rainbow". A música é interpretada por Judy Garland logo no início da história, quando a menina sonha com um lugar "além do arco-íris" onde não houvesse problemas. Essa música já ganhou diversas versões ao longo dos anos, em várias línguas e ritmos. Assista à versão original de "Over the Rainbow" abaixo:






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Trilha do Filme - Amor Sublime Amor
Trilha do Filme - A Noviça Rebelde

22 março, 2011

Hair: o musical e o filme

Por Mariana Coutinho



A história se passa no final dos anos 1960 em Nova York. O mocinho precisa se decidir entre continuar morando em uma "tribo" hippie ou cumprir seu "dever" como cidadão americano e ir para o front na guerra do Vietnã. Pode parecer uma decisão não tão complexa, mas o adorável e confuso Claude vive um verdadeiro dilema. Versão brasileira do musical da Broadway, Hair é mais uma parceria bem sucedida entre Charles Möeller e Claudio Botelho, com texto e letras adaptados por Gerome Ragni e James Rado. 

A peça encanta pelo enredo, as músicas e principalmente o elenco. Jovens versáteis, eles cantam, dançam e interpretam lindamente. Os jogos cênicos são muito bonitos e o mais importante é que as marcações e as coreografias sincronizadas parecem espontâneas. A peça é ainda mais provocadora que o filme de 1979. O espectador não sabe se acha os personagens fabulosos ou se tem um pouco de medo deles.

Igor Rickli, o ator no corpo do rebelde Berger, surpreende a plateia logo em uma das primeiras cenas andando entre o público e tirando sarro com a primeira fileira. Irreverente, ele é um dos maiores destaques do elenco, ao lado do jovem Hugo Bonemer como Claude, e de Letícia Colim no papel da grávida chapada Jeanie. Outros destaques vão para as canções muito bem interpretadas por Karin Hil (antiga integrante do grupo Rouge) e Tatih Köhler, respectivamente "Aquarius" e "Frank Millis".





A música "Manchester, England" ganhou um brilho especial na voz de Hugo Bonemer, assim como "Sou Preto", versão de "I'm Black", na interpretação de Reynaldo Machado, no papel de Hud. Já "Fácil ser Cruel", versão de "Easy to be Hard", não foi tão emocionante como no filme. Outra música que merece destaque é a última do segundo ato que, portanto, fecha a peça, "Deixe o Sol Entrar", versão muito bem adaptada de "Let it Sunshine In".

Uma cena que fica de fora do musical, mas que é uma das mais emblemáticas do filme é a que Berger sobe na mesa durante uma festa e canta e dança derrubando pratos, copos e talhetes. A música é "I Got Life" e você pode ver a cena abaixo:




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Beatles Num Céu de Diamantes

14 março, 2011

Trilha do Filme – Trainspotting OST #1 e #2

Por Luiza Barros

(1.Lust for Life -Iggy Pop/ 2. Deep Blue Day - Brian Eno / 3. Trainspotting - Primal Scream / 4. Atomic – Sleeper / 5. Temptation - New Order/ 6. Nightclubbing - Iggy Pop /7. Sing - Blur /8. Perfect Day  - Lou Reed /9. Mile End - Pulp / 10. For What You Dream Of (Full-on Renaissance Mix) - Bedrock (feat. KYO) - 11. 2:1  -Elastica / 12. "A Final Hit" - Leftfield / 13. "Born Slippy .NUXX" - Underworld / 14. Closet Romantic  - Damon Albarn)





(1. Choose Life - PF Project featuring Ewan McGregor / 2. The Passenger - Iggy Pop  / 3. Dark & Long (Dark Train) – Underworld / 4. Carmen Suite No.2  -  Georges Bizet / 5. Statuesque -Sleeper / 6. Golden Years - David Bowie / 7. Think about the Way - Ice MC / 8. A Final Hit Leftfield  / 9. Temptation  -  Heaven 17 / 10. Nightclubbing (Baby Doc Remix) - Iggy Pop / 11. Our Lips Are Sealed - Fun Boy Three / 12. Come Together  - Primal Scream / 13. Atmosphere -Joy Division / 14. Inner City Life - Goldie / 15. Born Slippy .NUXX (Darren Price PPPPOPPI UPMix) Underworld)


Sabe aquela impressão de que uma certa música nasceu para estar num certo filme? Em "Trainspotting", de 1996, essa sensação se repete pelo filme todo. Não é por menos, a trilha do drama  ficou entre uma das dez melhores da historia do cinema numa lista de 2007 da revista "Vanity Fair". O mérito não se deve apenas ao fato da seleção ser realmente boa. A produção britânica não tratou apenas de escolher as faixas que simplesmente combinassem melhor com cada cena, e sim de trata-las como elemento essencial da narrativa (mas afinal, não deveria ser esse o papel de toda trilha sonora?).

Porém, para quem esta familiarizado com a história do longa, fica claro que o tratamento concedido à música não poderia ser outro. Baseado no romance homônimo de 1993 de Irvine Welsh, “Trainspotting” se passa na Escócia dos  anos 80 e é protagonizado por Renton, jovem viciado em heroína. Interpretado por Ewan McGregor, Renton é o narrador do filme. Cabe a ele contar os eventos, muitas vezes trágicos, que aconteceram com ele e seu grupo de amigos. A sinceridade ácida do protagonista se lança tanto ao submundo quanto à sociedade burguesa, e não deixa ninguém escapar, seja ele mesmo ou o público. O retrato cru de uma parte da juventude que, descrente e sem maiores perspectivas, mergulhava fundo no universo das boates e das drogas, serviu para chamar a atenção da critica. Mas acima de tudo, foi o tratamento pop que o diretor Danny Boyle deu à película que cativou a audiencia e fez o filme ser identificado com o « Cool Britannia », termo usado para designar a onda de produtos culturais britânicos surgidos na década de 90, dos hits do Oasis ou mesmo das Spice Girls às criações do estilista Alexander McQueen.

O status cult rapidamente conquistado pelo filme fez com que o sucesso da trilha sonora fosse maior do que o esperado. O primeiro disco, lançado alguns meses depois do longa, não foi suficiente para saciar o interesse do público. Por isso, no ano seguinte, foi feito um segundo volume. Nele, estão incluídas tanto faixas que ficaram de fora do disco anterior quanto musicas que não aparecem na versão final do filme, mas chegaram a ser consideradas pelos realizadores. No entanto, seja no primeiro ou no segundo volume, o mote é o mesmo: uma seleção caprichada de boa parte do que passeia na seara da música alternativa. As faixas  vão do proto-punk de vovôs como Iggy Pop e Lou Reed ao Britpop do Blur e do Pulp. Ao lado do rock, não poderia deixar de estar a música eletrônica, que vivia o seu auge: foram contemplados tanto pioneiros como Brian Eno quanto grupos que construiam o som eletrônico na Grã-Bretanha na época, como Leftfield e Underworld. No caso do ultimo citado, a consagração veio em muito por causa de “Trainspotting”. A inclusão do B-side “Born Slippy  NUXX” na trilha fez com que a faixa se tornasse o maior sucesso comercial do antigo trio.

12 março, 2011

I put a spell on you – Casey Abrams e Abracadabra


Algumas músicas são eternas. O tempo passa, podemos até esquecer o compositor, mas as letras continuam na cabeça para sempre. “I put a spell on you” é uma dessas canções que ultrapassam gerações. Lançada em 1956, a música foi escrita pelo agora esquecido Screamin' Jay Hawkins, um ator e músico estadunidense. Já foi regravada inúmeras vezes, mas, na minha cabeça, ainda é a voz de Bette Midler que embala os versos.

Se você tem cerca de 20 anos, aposto que acaba de se lembrar do filme mais reprisado na sessão da tarde: Abracadabra (1993). Na película, a atriz arrasou em uma divertida apresentação de “I put a spell on you” ao lado de Sarah Jessica Parker (bem antes do sucesso em Sex and the City) e Kathy Najimy. Um escolha perfeita para um filme sobre bruxas, magia e feitiços.

Sucesso do rock, é interessante lembrar que a intenção do compositor era bem diferente. Enquanto escrevia a música, Hawkins pretendia gravar uma balada romântica. Mas, segundo o cantor, o produtor deixou todos os músicos bêbados e eles gravaram a outra versão. Na verdade, ele nem se lembra do dia da gravação. A idéia do produtor mudou completamente o rumo da carreira de Jay Hawkins, que descobriu que sua capacidade vocal também se adaptava ao rock n’roll.

Em 2010, “I put a spell on you” foi regravada em prol das vítimas do terremoto que destruiu o Haiti. Este ano, a canção serviu também para mostrar o talento do jovem Casey Abrams. Os fãs do programa American Idol já devem conhecer o cantor. Ele, inclusive, foi a minha inspiração para escrever este post. Se você quer ouvir a famosa música em mais uma versão bem-sucedida, assista ao vídeo abaixo.  

26 fevereiro, 2011

Na Trilha do Oscar - A Origem (Inception)

Por Mariana Coutinho

Inception Soundtrack (2010)

(1. Half Remembered Dream/ 2. We Built Our Own World/ 3. Dream is Collapsing/ 4. Radical Notion/ 5. Old Soulds/ 6. 528491/ 7. Mombassa/ 8. One Simple Idea/9. Dream Within a Dream/10. Waiting for a Train/ 11. Paradox/ 12. Time)




Seguindo a trilha do Oscar, hoje vamos falar de um filme que agradou muito o público jovem e foi mais badalado nas redes sociais do que o próprio A Rede Social. As músicas de A Origem estão bem cotadas para o Oscar de melhor trilha sonora, ao lado das seleções musicais de O Discurso do Rei, A Rede Social, 127 horas e Como Treinar o Seu Dragão.

O responsável pelas 12 músicas incidentais que compõe o álbum de A Origem (Inception) é Hans Zimmer. O alemão já foi agraciado pela Academia nessa categoria no ano de 1994 pela trilha de O Rei Leão. Zimmer já havia trabalhado com Christopher Nolan em Batman Begins e O Cavalheiro das Trevas. E a trilha sonora de A Origem segue o mesmo clima misterioso e sombrio dos filmes anteriores.

Como em toda a ficção científica, a trilha incidental tem um papel fundamental como pano de fundo de A Origem. As orquestrações que vão crescendo me lembram a trilha sonora do seriado Lost, que tinham a mesma função de criar suspense. Zimmer terminou a trilha já durante as filmagens. Ele consultou Nolan sobre a incorporação da guitarra e convidou Johnny Marr, antigo guitarrista dos Smiths, para trabalhar nas gravações. Marr trabalhou cerca de 12 horas por dia em sua parte na trilha.

Zimmer buscou influências diversas para compor as músicas. Além da guitarra inspirada em Ennio Morricone, ele leu "Gödel, Escher, Bach: An Eternal Golden Braid", livro de Douglas Hofstadter, que, segundo Zimmer, o ajudou porque combina "a ideia de ludicidade da matemática com a diversão da música".

Outra inspiração para a trilha incidental de A Origem veio do próprio Christopher Nolan que inseriu a música "Non, je ne regrette rien" de Édith Piaf no roteiro. Nolan quase desistiu de usar a canção no filme quando escalou Marion Cotillard para o elenco. A atriz acabara de ganhar o Oscar por sua atuação como Piaf no filme francês La Môme. Por sorte, Hans Zimmer convenceu Nolan a manter a música e acabou usando-a como inspiração também na trilha orquestral. Algumas músicas lembram vagamente "Non, je ne regrette rien" em uma versão mais desacelerada.

A canção de Piaf, que é a principal do filme, não entrou no disco da trilha sonora, mas você pode ouvi-la abaixo:



Será que A Origem leva o prêmio de melhor trilha sonora na premiação de amanhã? O que você acha? Comente!

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19 fevereiro, 2011

Na Trilha do Oscar - A Rede Social

Por Mariana Coutinho

The Social Network Soundtrack - by Trent Reznor & Atticus Ross (1. Pieces Form the Whole/2. Eventually We Find Our Way/ 3. On We March/ 4. The Gentle Hum of Anxiety/ 5. Soft Trees Break the Fall/6. Dreadlock Holiday - 10CC/ 7. Baby You're a Rich Man - The Beatles/ 8. Ball and Biscuit - The White Stripes/ 9. Blythe String Quarter Handel Arrival of The Queen of Sheba/ 10. Crazy Baldhead - Bob Marley and the Wailers/ 11. California Uber Alles - Dead Kennedys/ 12. Sound of Violence - Dennis De Laat/ 13. Black Book Lodge - Gluecifer/ 14. I Swear - All 4 One/ 15. In The Hall of the Mountain King/ 16. Ital Visions - Roots Manuva/ 17. Like a Bad Girl Should - The Cramps/ 18. Man Fi Cool - Roots Manuva/ West Coast Poplock - Ronnie Hudson/ 19. So I Wait/ 20. Super Furry Animals-Bleed Forever)

Dia 27 de fevereiro se aproxima, e enquanto alguns se perguntam quem vai levar o Oscar de melhor filme, este blog se volta - adivinhem! - para o prêmio de melhor trilha sonora. A disputa promete ser apertada. Os principais candidatos são o afamado Discurso do Rei, o impressionante A Origem, e o queridinho da crítica A Rede Social. 127 horas e Como treinar seu dragão correm por fora.

A Rede Social saiu na frente, e abocanhou o Globo de Ouro de melhor trilha sonora. A seleção de Trent Reznor e Atticus Ross não podia ser mais variada. Ao contrário de Up - Altas Aventuras, que foi premiado pela Academia no ano passado, A Rede Social tem uma trilha extremamente heterogênea. O filme conta, sim, com músicas incidentais, mas a seleção vai do rock ao rap, passando por disco e música clássica. Essa mistura de gêneros é muito adequada a um filme que conta a história da criação do Facebook e que pretende tratar do dinamismo da geração do tudo-ao-mesmo-tempo-agora.

O álbum com a trilha sonora do filme começa com cinco maravilhosas músicas incidentais que tem um ar moderno e misterioso ao mesmo tempo. Caímos, então, no art rock gostoso do 10CC, com "Dreadlock Holiday". E seguem-se nomes como The Beatles, com "Baby You're a Rich Man" - do álbum Magical Mistery Tour -, The White Stripes com "Ball and Biscuit" e Bob Marley com "Crazy Baldhead".


A trilha pega fogo com o hard rock da banda norueguesa Gluecifer. O rap é representado por duas faixas do britânico Roots Manuva. A trilha conta também com algumas faixas de música eletrônica. A canção mais inesperada, no entanto, é certamente "I Swear" do grupo All 4 One. Você pode achar que não conhece essa balada, mas tenho certeza que já ouviu uma versão dela gravada pela dupla Leandro e Leonardo com o título de "Eu juro".

Outra faixa que você deve reconhecer, mas talvez não saiba onde ouviu, é "In the Hall of the Mountain King", uma obra-prima que Edward Grieg compôs para a peça Peer Grynt. Você provavelmente conhece essa música porque, além de ser um clássico, ela está na trilha sonora de Harry Potter.

Trent Reznor e Atticus Ross certamente merecem um Oscar por essa trilha, mas a competição será acirrada. O prestígio de Alexandre Desplat e sua trilha clássica, podem dar o prêmio a O Discurso do Rei. A Origem também parece ter boas chances. Qual é o seu palpite?

Assista abaixo ao trailer de 'A Rede Social'. A música Creep, do Radiohead, que toca no trailer não está na trilha do filme, mas é também uma boa pedida.


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13 janeiro, 2011

Uma Noite em 67

Por Mariana Coutinho

Edu Lobo e Marilia Medalha cantam "Ponteio" - Wilson Santos/Jornal do Brasil

Naquele junho de 1967, uma passeata tomou conta da avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo. Mas, ao contrário do que você possa estar pensando, o protesto não tinha nenhuma relação direta com a ditadura militar que o Brasil enfrentava naquela época. A marcha era contra um instrumento perigosíssimo, que estava enlouquecendo jovens e prometia promover uma invasão norte-americana em terras tupiniquins: a guitarra elétrica. Elis Regina, Edu Lobo, Geraldo Vandré, os rapazes do MPB4 e até Gilberto Gil estavam entre os artistas que tomaram a Brigadeiro Luís Antônio alguns meses antes do 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record.

O episódio narrado é apenas uma das histórias contadas no documentário "Uma Noite em 67", de Renato Terra e Ricardo Calil. A noite a que o título do filme se refere é a 21 de outubro, quando aconteceu a final do Festival de MPB da TV Record. O documentário trata dos 5 finalistas - Roberto Carlos, interpretando "Maria, Carnaval e Cinzas", Caetano Veloso com "Alegria, Alegria", Chico Buarque cantando "Roda Viva", Gilberto Gil defendendo "Domingo no Parque" ao lado dos Mutantes, e Edu Lobo e Marilia Medalha com "Ponteio" - e de Sérgio Ricardo, com seu "Beto Bom de Bola", que não agradou nada a plateia. Após ser vaiado efusivamente, Sérgio Ricardo saiu do palco irado, não antes de quebrar seu violão ao meio e atirá-lo no público.

O documentário entremeia as imagens das apresentações, com entrevistas da época feitas por uma jovem Cidinha Campos e um descontraido Randal Juliano, com depoimentos atuais desses nossos monstros da Música Popular Brasileira e de produtores, diretores e jurados do festival. São muitas as histórias: Gilberto Gil, por exemplo, estava tão bêbado antes da apresentação que teve de ser banhado e vestido por Nana Caymmi, sua namorada (!) na época, e Paulo Machado. No depoimento recente, ele se definiu como "um fantasma" no palco naquela noite.

Não foi o que pareceu. A apresentação vigorosa de Gil ao lado dos jovens Mutantes - que eram praticamente desconhecidos até essa noite - lhe rendeu o 2º lugar no Festival. Roberto Carlos ficou em 5º, Caetano em 4º e Chico em 3º. O grande vencedor foi Edu Lobo com a música "Ponteio". Talvez você não reconheça a música pelo nome, mas tenho certeza de que já ouviu os versos do refrão: "Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar...Ponteio!".

Além das ótimas histórias e imagens do documentário, vale muito a pena assistir aos extras do dvd, que são um segundo documentário com apresentações de Nara Leão, Elis Regina, Nana Caymmi e outras. O depoimento de Chico sobre o antigo programa "Essa Noite Se Improvisa", por exemplo, é interessantíssimo (mas esse tema fica para um outro texto). Embora a maioria dos entrevistados confesse não sentir saudades daquela noite, "Uma Noite em 67" traz a nostalgia de uma época que muitos nós não vivemos. Mas graças a essas imagens de arquivo e depoimentos cuidadosamente recolhidos podemos ter uma ideia de como era.

Assista ao trailer de "Uma Noite em 67" abaixo:




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05 janeiro, 2011

As músicas favoritas de Quentin Tarantino


Os portais de notícia desta quarta-feira anunciam a morte do cantor e e compositor escocês Gerry Rafferty, aos 63 anos, depois de uma série de problemas decorridos do alcoolismo. Para quem não conhecia, um dos maiores sucessos de Rafferty foi "Stuck in the middle with you". Lançada em 1975 no albúm de estreia de uma das bandas do cantor, o Stealers Wheel, a faixa ficou famosa mesmo décadas depois, em 1992, quando integrou a trilha sonora de "Cães de Aluguel", do então novato Quentin Tarantino.

A cena, como poderia se esperar do diretor, é um tanto quanto violenta: nela, o personagem Mr. Blonde tortura outro enquanto escuta a ensolarada canção, que fala sobre estar preso em algum lugar com alguém. Inapropriado ou até apropriado de mais? Com direito à mutilação, a cena não é recomendada para menores e, portanto, não cabe mostrá-la nesse blog de família. Mesmo assim, dá para ouvir a música, que é boa:





Ainda vale a pena lembrar outras músicas sensacionais que foram resgatadas por Tarantino em outros de seus filmes. Na sua obra-prima, "Pulp Fiction", a escolhida foi "Girl, you'll be a woman soon". A faixa de Neil Diamond fez algum sucesso na década de 60, mas hoje é conhecida mesmo na versão da banda de rock alternativo Urge Overkill. Tarantino descobriu o grupo por acaso, numa loja de discos na Holanda, e resolveu incluí-los na trilha do filme vencedor da Palma de Ouro de 1994. No vídeo abaixo, dá pra conferir a banda interpretando a sua canção mais (ou seria a única?) famosa:



Para fechar o post, um exemplo que está mais fresco na cabeça dos frequentadores de cinemas: "Cat People (Putting out the fire)", de David Bowie, que embalou um dos momentos mais marcantes de "Bastardos Inglórios". A faixa de 1982 do camaleão do Rock embala a vingança da mocinha Shosanna contra os nazistas. Na verdade, Bowie havia composto a música para um outro filme, o terror erótico "Cat People", por sua vez um remake do longa de 1942. Ao contrário de "Bastardos Inglórios", "Cat People" fracassou nas bilheterias e sua faixa-título talvez estivesse fadada ao esquecimento, não fosse a homenagem no filme de guerra de 2009.




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03 janeiro, 2011

Trilha do Filme - Un Homme et Une Femme (Um Homem, Uma Mulher)

Por Mariana Coutinho


Un Homme et Une Femme (1966) - França

(1.Un Homme et une femme de Francis Lai - Maurice Vender e orquestra/2. Samba Saravah de Baden Powell - Vinicius de Moraes - Pierre Barouh/ 3.Aujoud'hui c'est toi por Nicole Croisille/4. Un Homme et une femme por Nicole Croisille e Pierre Barouh/ 5.Plus fort que nous de Francis Lai - Ivan Julien e orquestra/ 6. Aujoud'hui c'est toi de Francis Lai - Ivan Julien e orquestra/ 7.A L'ombre de nous por Pierre Barouh/ 8.Plus fort que nous por Nicole Croisille e Pierre Barouh/ 3. A 200 a L'heure de Francis Lai - Maurice Vender e orquestra)

Para que um filme seja charmoso é preciso boa fotografia, bons diálogos, bons atores e, é claro, uma boa trilha sonora. Pois o charmoso filme francês "Um Homem, Uma Mulher", de 1966, tem todos esses ingredientes. A história se passa em Paris. O piloto de corridas Jean-Louis Duroc conhece a jovem viúva Anne Gauthier em uma das visitas semanais a seus respectivos filhos, que estudam no mesmo colégio interno. Também viúvo, Jean-Louis tenta se recuperar do suicídio da mulher. Apesar de muitas dúvidas durante todo o filme, os dois acabam se apaixonando. "Um Homem, Uma Mulher" tem direção de Claude Lelouch, e é estrelado por Anouk Aimeé e Jean-Louis Trintignant.

A história do filme é tocante, mas o que nos interessa mesmo é a trilha sonora: uma seleção cuidadosa de músicas, coordenada por Francis Lai, entremeando música instrumental e canções interpretadas por Pierre Barouh e Nicole Croisille. A canção título desse filme (A Man and a Woman) é uma das mais conhecidas do cinema e chegou a ser indicada ao Globo de Ouro de melhor canção, no ano de 1967. Outra bela música interpretada por Nicole Croisille é Aujoud'hui c'est toi.

Uma das canções que mais chamam a atenção no filme é a versão francesa de Samba da Benção de Baden Powell e Vinicius de Moraes - Samba Saravah - que é cantada por Pierre Barouh em uma cena do filme. Pierre faz o papel do marido de Anne. Em um flashback, a personagem lembra da semana que o marido passou obcecado pelo Brasil e pelo samba. No filme, a personagem de Barouh pede a benção de todos os mestres brasileiros, entre eles Pixinguinha, João Gilberto, Tom Jobim, Dorival Caymmi, Dolores Duran, Vinicius de Moraes e Baden Powell. Saravá!

Assista abaixo ao francês Pierre Barouh soltando a voz no Samba Saravah:


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01 dezembro, 2010

Trilha do Filme - Todos dizem eu te amo (1996)

Por Mariana Coutinho

Eveyone Says I Love You (1996)
Direção e Roteiro: Woody Allen
Trilha Sonora: Dick Hyman
Músicas: Just You, Just Me/ My Baby Just Cares For Me/I'm a Dreamer, Aren't We All/Makin' Whoopee/Venetian Scenes/ All My Life/ Cuddle Up a Little Closer/ Looking At You/ If I Had You/ Enjoy Yourself (It's Later than You Think)/Chiquita Bacana/ Hooray for Captain Spaulding/I'm Thru With Love/ Eveyone Says I Love You

No dia em que Woody Allen completa 75 anos de idade, A Trilha Sonora apresenta as músicas de um de seus filmes, o musical de 1996 "Todos Dizem Eu Te Amo" (Everyone Says I Love You). A comédia conta a história de uma família de Manhattan, mas se passa também em Paris e Veneza. Holden (Edward Norton) e Skylar (Drew Barrymore) estão apaixonados, mas tudo é posto a perder quando a mocinha conhece o ex-presidiário Charles Ferry (Tim Roth). Enquanto isso, Joe, amigo da família e ex-marido da mãe de Skylar, Steffi (Goldie Hawn), está mais uma vez em busca do amor. Depois de mais uma relação fracassada, ele voa para Veneza, onde conhece a encantadora Von (Julia Roberts). Com os toques da filha, DJ (Natasha Lyonne), Joe consegue conquistar Von, e eles vivem um breve romance.

O filme trata basicamente da busca pelo amor, e faz uma homenagem aos grandes musicais. "Todos Dizem Eu Te Amo" não é um dos grandes filmes de Woody Allen, mas é uma boa comédia. Para a parte musical, a ideia era que os atores cantassem de forma espontânea. Allen queria que fossem pessoas normais cantando, tanto que pediu a Goldie Hawn que "cantasse pior" para que o público acreditasse mais. Drew Barrymore foi a única atriz a ser dublada porque conseguiu convencer o diretor de que seus dotes vocais estavam aquém até mesmo da proposta do filme.

Na trilha sonora, os destaques vão para "Just You, Just Me", interpretada por Edward Norton, a canção-título - "Everyone Says I Love You" escrita por Bert Kalmar e Harry Ruby - e "I'm Thru With Love" na voz de Goldie Hawn. Essa última, aliás, é o pano de fundo para um famoso número de dança executado por Joe e Steffi em Paris, às margens do Rio Sena, em que ela literalmente desafia a gravidade. Assista à performance de Goldie Hawn e Woody Allen nessa cena:


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30 setembro, 2010

Trilha do Filme - O Garoto de Liverpool

Por Luiza Barros

2009
Reino Unido/Canadá
Direção: Sam Taylor-Wood
Roteiro: Julia Baird/ Matt Greenhalgh
Elenco: Aaron Johnson, Thomas Brodie Sangster, Kristin Scott Thomas, Anne-Marie Duff


Um filme que conte a adolescência de John Lennon tem uma premissa tão irresistível que é até de se estranhar que só tenham tido esta ideia agora. Ainda mais quando se sabe que o jovem John Lennon estava bem longe do líder pacifista que se tornaria com o passar dos anos. Abandonado pelo pai ainda na infância e negligenciado pela mãe, John foi criado por sua tia, Mimi Smith, uma dona-de-casa responsável e autoritária. Um ambiente familiar conturbado, ideal para gerar um garoto rebelde e mal-criado – um perfeito rockstar.

Sabendo disso, O garoto de Liverpool se empenha em mostrar como os conflitos familiares do beatle estiveram relacionados a sua escolha de seguir a carreira musical. Em cartaz atualmente no Festival de Cinema do Rio, o filme entra na vida de Lennon justamente quando esses dois universos – a família e a música – entram em ebulição. De um lado, John passa a entrar em conflito com tia Mimi após retomar o contato com a mãe, Julia (que inspirou uma das canções dos Beatles). Ao mesmo tempo, o rapaz se sente cada vez mais interessado pela música popular da época: do rock americano ao skiffle regional.

A pena é que, apesar do ótimo ponto de partida, O garoto de Liverpool não consegue empolgar. Focado no drama familiar, o longa acaba se tornando cansativo conforme a história se desenrola. Depois que o espectador já teve o suficiente das adorável referências à Liverpool dos Beatles (John passando por Strawberry Fields...), vem então aquela inconveniente pergunta: “se eu não soubesse que este é John Lennon, teria este filme tanta graça assim?”. É uma pergunta realmente válida, porque a participação dos outros beatles no roteiro deixa muito a desejar. Quem esperava ver detalhes da relação de Lennon e McCartney em seus primeiros momentos vai se decepcionar. Apesar das cenas entre os dois serem as melhores, Paul, que tinha tudo para ser um dos personagens mais interessantes do filme, é incrivelmente sub-aproveitado. Só não espanta mais do que a pouca participação de George Harrison, que é tratado como um mero figurante. Chega a parecer uma ofensa ao legado dos dois na vida real.

Dirigido pela artista plástica Sam Taylor-Wood, o filme tem até seus momentos, ajudado pela bela fotografia. Mesmo assim, fica a impressão de que poderia ter sido melhor. Ainda mais quando se sabe que quem assinou o roteiro foi Matt Greenhalgh, que também adaptou para as telas Control. Baseado na vida do vocalista do Joy Division, Ian Curtis, Control faz tudo que O garoto de Liverpool poderia ter feito, mas não fez.

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03 setembro, 2010

'Olhos nos olhos' de Chico vira filme


Por Robson Sales

Um filme sem trilha sonora é como queijo sem goiabada, carro sem estrada ou Bochecha sem Claudinho: algo meio incompleto. Porém, o longa que começou a ser rodado na semana passada, vai além dessa necessidade. ‘Olhos nos olhos’, do cearense Karim Ainouz, nasceu com um roteiro inspirado na canção homônima de Chico Buarque.

A ideia pode não ter sido a primeira, mas quando se trata de uma canção de Chico podemos esperar uma bela história. As canções desse carioca e tricolor fanático sempre tem começo, meio e fim.

“‘Olhos nos olhos’ é uma canção que fala do reencontro de um amor que acabou com um sabor de ressentimento” diz Karim, cuja declaração é prontamente comprovada com esta parte da canção: Quero ver o que você faz/ Ao sentir que sem você eu passo bem demais/ E que venho até remoçando/ Me pego cantando, sem mais, nem por quê.

“É quase a história de uma separação, que eu conto no filme acompanhando 24 horas na vida de Violeta assim que ela descobre que o marido vai embora após 14 anos de união. O longa quer ser a cartografia dos sentimentos dessa mulher”, revelou o diretor, em entrevista ao Segundo Caderno do jornal O Globo.

O filme irá ter como cenário o Rio de Janeiro, e no papel principal a atriz Alessandra Negrini, que viverá Violeta, a mulher ressentida que na letra de Chico não tem nome. ‘Olhos nos olhos’ tem o roteiro assinado por Beatriz Bracher, premiada no Festival do Rio 2009 por seu trabalho como roteirista de "Os inquilinos", de Sérgio Bianchi.

Abaixo a letra da música:
Quando você me deixou, meu bem/Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci
Quando você me quiser rever/Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos/Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
E que venho até remoçando/Me pego cantando, sem mais, nem por quê
Tantas águas rolaram/Quantos homens me amaram/Bem mais e melhor que você
Quando talvez precisar de mim/Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos/Quero ver o que você diz/Quero ver como suporta me ver tão feliz

E ninguém melhor para comentar a canção que o próprio Chico...


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29 agosto, 2010

Trilha do Filme: The Wonders - O Sonho Não Acabou

Por Mariana Coutinho


That Thing You Do! (1996)
Direção e Roteiro: Tom Hanks

(1.Lovin' You Lots and Lots/2. That Thing You Do!/ 3. Little Wild One/4. Dance With Me Tonight/ 5. All My Only Dreams/6. I Need You (That Thing You Do!)/7. She Knows It/ 8. Mr. Downtown/ 9. Hold My Hand, Hold My Heart/ 10. Voyage Around the Moon/ 11. My World Is Over/ 12. Drive Faster/ 13. Shrimp Shack/ 14. Time to Blow/ 15. That Thing You Do! (Live at the Hollywood Television Showcase)

O filme "The Wonders - O Sonho Não Acabou" de 1996, conta a história de uma banda-de-apenas-um-sucesso que estoura nas paradas norte-americanas com a canção That Thing You Do! na década de 1960. A história e o som do The Wonders parece familiar, não? Mas a banda, ao contrário do que muitos pensam, é fictícia, uma criação de Tom Hanks.

As referências à primeira fase dos Beatles ficam bem evidentes na banda inventada. Primeiro com a troca do baterista antes do sucesso: os Beatles trocam Pete Best por Ringo Starr, os Wonders substituiriam Chad por Guy. Outra referência aparece no filme quando a banda se apresenta na televisão e a legenda "Careful Girls. He's Engaged" (Cuidado Garotas. Ele é Noivo) aparece no close do líder da banda, Jimmy. Quando John Lennon aparecia no programa de Ed Sullivan as palavras eram "Sorry Girls. He's married" (Desculpe Garotas. Ele é casado). Além disso, a aparência de bons moços de terno não poderia lembrar mais os garotos de Liverpool. A própria canção That Thing You Do! lembra as primeiras canções dos Beatles, principalmente Please Please Me. Mas, ao contrário dos Fab Four, os Wonders não passaram de uma música de sucesso.

O grande hit dos rapazes do filme foi escrito, na verdade, por Adam Schlesinger, especialmente para o longa, e chegou a concorrer ao Oscar e ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original. Outras canções do filme foram compostas pelo próprio Tom Hanks como 'Lovin' You Lots and Lots' atribuída a outra banda fictícia, Norm Wooster Singers. A trilha sonora original do filme traz outras boas baladas bem anos 60, como "All My Only Dreams" e "Dance With Me Tonight"

Os Wonders nunca existiram, mas seu "principal sucesso", That Thing You Do!, é realmente bom e vale a pena ser ouvido muitas vezes:



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21 agosto, 2010

Trilha do Filme – Six Feet Under OST Volume 2 - “Everthing Ends”

Por Luiza Barros

Six Feet Under, Vol. 2 - Everthing Ends
2005
Astralwerks

(1. Feeling Good - Nina Simone; 2. Amazing Life - Jem; 3. Everthing Is Everthing - Phoenix; 4. A Rush Of Blood To The Head - Coldplay; 5. Breath Me - Sia; 6. Lucky - Radiohead; 7. Time Is On My Side - Irma Thomas; 8. Aganjú - Bebel Gilberto (The Latin Project Remix); 9. Direction - Interpol; 10. (Don't Fear) The Reaper - Caesars; 11. Transatlanticism - Death Cab For Cutie; 12. Cold Wind - Arcade Fire; 13. I'm a Lonely Little Petunia (In an Onion Patch) - Imogen Heap)

“Ok, mas…” - você vai dizer – “Six Feet Under é uma série, e não um filme." Sim, mas como “trilha do audiovisual” seria um nome muito ruim para uma seção, e além do mais, este disco também é uma trilha sonora, faz sentido ele ficar nesta categoria do nosso blog. E, como quem acompanhou a série da HBO de 2001 a 2005 está cansado de saber, os episódios de Six Feet Under colocam muito filme no chinelo, para usar uma expressão vulgar.

Para quem não sabe disso ainda, eu sugiro que corra atrás dos DVDs das cinco temporadas deixadas para a posteridade. E depois de acompanhar todos os dilemas desta complicada família de agentes funerários de Los Angeles, vale a pena também procurar a ótima trilha sonora, em especial deste segundo volume, lançado junto com a última temporada.

O disco em questão não é apenas um emaranhado de faixas aleatórias, e sim uma seleção cuidadosa dos sons que embalam tantos episódios. A coletânea já vem com um ótimo cartão de visitas: “Feeling Good”, da inclassificável Nina Simone. A música da diva foi utilizada na promo da quarta temporada, em que os Fishers aparecem em uma macabra e sensual dança em pleno supermercado.



Além de Simone, outra representante da música negra americana é a menos conhecida Irma Thomas, com “Time is on my side”. A música, que foi regravada pelos Stones, é um bom motivo para pesquisar sobre essa cantora de Nova Orleans. A mistura harmoniosa entre nomes consagrados e outros mais “underground”, inclusive, é a levada do disco. Se de um lado há as famosas “A rush of blood to the head”, do Coldplay, e “Lucky”, do Radiohead, do outro há os suecos do Caesars e o indie do Death Cab For Cutie, os últimos na faixa mais longa do álbum: “Transatlanticism”.

Contando ainda com nomes como Arcade Fire e Phoenix, a maior parte do disco oscila entre o indie-rock e a música eletrônica. A surpresa é então encontrar uma música em português, da mais internacional das nossas cantoras: Bebel Gilberto. A faixa, é verdade, vem em uma roupagem moderninha, com o remix do Latin Project. Mas o grande destaque do disco fica por conta de uma australiana, conhecida simplesmente como Sia. É ela que canta “Breath me”, música que toca nos memoráveis minutos finais da série. Possivelmente a melhor coisa que você já pôde ver na TV. Dá para conferir o famoso desfecho no vídeo abaixo. Se você nunca viu, logo aviso que está, claro, repleto de spoilers.


23 julho, 2010

Trilha do Filme - 2 Filhos de Francisco

Por Luiza Baptista
1. Como vai você – Zezé Di Camargo & Luciano/ 2. Tristeza do Jeca – Maria Bethânia e Caetano Veloso – Participação especial: Zezé Di Camargo / 3. O Lavrador – Wanessa Camargo e Nando Reis / 4. Luar do sertão – Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano / 5. Eu e meu Pai – Zezé Di Camargo & Luciano / 6. Saudade Brejeira – Zezé Di Camargo e Caetano Veloso / 7. É o amor (ao vivo) – Zezé Di Camargo & Luciano / 8. Calix Bento – Ney Matogrosso / 9. No dia em que saí de casa (ao vivo) – Zezé Di Camargo & Luciano / 10. Pra mudar a minha vida – Zezé Di Camargo & Luciano / 11. Dou a vida por um beijo – Zezé Di Camargo & Luciano / 12. Toneladas de Paixão – Zezé Di Camargo & Luciano / 13. Colheita de Milho (Chiquinha) – Zezé Di Camargo & Luciano / 14. Tá faltando alguém aqui – Zezé Di Camargo & Luciano

Em 2005 um filme brasileiro surpreendeu o público e a crítica. Com 5,2 milhões de espectadores, 2 Filhos de Francisco entrou na seleta lista dos dez filmes mais vistos do Brasil. O filme levou aos milhões de espectadores uma amostra da vida e do começo da carreira da dupla sertaneja/romântica Zezé Di Camargo e Luciano. Você ainda deve se lembrar, afinal, há cinco anos não se falava em outro filme. A dupla estava em todos os programas de televisão, e conseguiu me convencer a encarar a sessão pipoca e música sertaneja. Não me arrependi.


2 Filhos de Francisco é um filme que vale a pena, e não é apenas pelas ótimas atuações de Ângelo Antônio e Dira Paes. A película também agrada no quesito trilha sonora, assinada por Zezé Di Camargo e Caetano Veloso. Quem não gosta de sertanejo pode até torcer o nariz, mas as músicas dão o tom do filme e são o acompanhamento perfeito para o enredo.

A trilha sonora contou com participações especiais, como Nando Reis, Maria Bethânia e Caetano Veloso. Além de sucessos da dupla, como É o amor que não podia faltar, músicas que ficaram famosas nas vozes de outros artistas também foram regravados para a trilha do filme. “Como vai você”, “Luar do Sertão” e “Tristeza do Jeca” foram alguns dos sucessos.

Na trilha que está sendo vendida em CD, senti falta da voz de Dablio Moreira. O garoto que interpreta Zezé no filme não ganhou espaço na trilha, apesar de cantar várias vezes no filme. Nada que tire o brilho das músicas, mas quem viu o filme provavelmente também sentirá falta.

No fim, o saldo é positivo. Um filme brasileiro de qualidade e com uma trilha mais que nacional.

01 junho, 2010

Trilha do Filme - Encantada


O mundo dos contos de fadas invade a caótica Nova York em um musical apaixonante. No filme Encantada a Disney realiza o sonho de todas as meninas que cresceram acompanhando e se fascinando com toda a magia das princesas, e traz para o mundo real os gestos delicados, a voz doce, a ingenuidade e o final feliz, típicos dos contos de fadas.

Mas antes de invadir a Big Apple, a mocinha Giselle (Amy Adams) vive em seu reino encantado de Andalasia e entre números musicais com animais cantantes, ela procura por um verdadeiro amor. Ao conhecer o príncipe Edward (James Marsden) parece que o final feliz está próximo, mas a mocinha ainda tem uma grande surpresa pela frente. No dia do casamento a madrasta (Susan Sarandon), como de costume, engana a dócil Giselle e a transporta para um reino bem distante e bem real.



No meio da Times Square, em Nova York, Giselle descobre um mundo nada gentil. Até encontrar o advogado especializado em divórcios Robert (Patrick Dempsey) e sua filha, que a acolhem em seu apartamento. Entre muitas confusões e músicas sobre amor verdadeiro, Giselle reencontra o príncipe, mas já está apaixonada por Robert. A mocinha tem que escolher entre o mundo mágico de Andalasia e a vida real nova-iorquina.

Nos filmes da Disney as músicas sempre roubam a cena, e nesse não é diferente. Na alegre Happy Working Song a protagonista chama os animais pela janela para limparem a casa, em uma referência à Branca de neve. Mas, como a cidade é Nova York, os animais que atendem o chamado são pombos, ratos e baratas. O filme também tem espaço para o romance, e So Close arranca suspiros dos apaixonados. As músicas conquistaram não só o público, a crítica aprovou e três canções foram indicadas para o Oscar.

Uma das músicas indicadas para o Oscar – That’s how you know

Eu assisti ao filme com duas grandes amigas, que me ajudaram a escrever este post. Em homenagem a elas encerro com a declaração de uma delas: “o filme é tão bonito e tão mágico que quando acaba dá uma tristeza, porque você percebe que aquilo não é real”.



24 maio, 2010

Trilha do Filme - Bridget Jones: No Limite da Razão

Por: Raiane Nogueira

Bridget Jones: The Edge of Reason
Island Records / 2004

Bridget Jones (Renée Zellweger) é uma divertida e desajeitada inglesa, na faixa dos trinta anos, que resolve relatar em um diário situações do seu dia-a-dia. Com uma vida amorosa completamente confusa, ela se divide entre dois homens (lindos): o sério advogado Mark Darcy (Colin Firth) e o mulherengo Daniel Cleaver (Hugh Grant).


Em Bridget Jones: No Limite da Razão, que dá sequência ao filme “O Diário de Bridget Jones” (ambos baseados nos livros homônimos, de Helen Fielding), nossa querida solteirona parece se decidir pelo galã Mark Darcy. Mas, quando o namoro fica firme e tudo parece perfeito, tem que surgir algum problema. É aí que entram em cena a colega de trabalho de Mark, bonitona, com uma simpatia irritante, e o ex Daniel, para infernizar o relacionamento.


Opa, isso te lembrou algum drama vivido por você ou uma amiga? Pois é, acho que todo mundo se identifica um pouco com a Bridget, com seus trinta e poucos anos, calcinhas grandes e os quilinhos a mais. Pena que quando acontece com a gente, não envolve o Colin Firth ou o Hugh Grant, nem tem trilha sonora para acompanhar.


No filme, uma ótima seleção de músicas colore a desastrosa vida de Bridget Jones. O destaque vai para os clássicos You're the First, the Last, My Everything (Barry White), I'm Not in Love (10cc), Nobody Does It Better (Carly Simon) e Loving You (Minnie Riperton).


As cenas mais românticas são embaladas por canções lindas, como Your Love is King, na bela voz de Will Young, Everlasting Love, com o charmoso Jamie Cullum tocando piano, e Will You Still Love Me Tomorrow, interpretada por uma Amy Winehouse bem diferente da que estourou com Rehab.


Beyoncé, Kylie Minogue e Joss Stone dão um toque dançante, com Crazy in Love, Can't Get You Out of My Head e Super Duper Love (Are You Diggin' on Me?). A descontração fica por conta da engraçada I Believe in a Thing Called Love, do The Darkness, muito boa.


Sou suspeita para falar, porque já assisti ao filme pelo menos dez vezes, mas acho que realmente vale a pena, pela comédia e pela trilha. Se você ainda não viu, conheça mais no trailer: