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12 fevereiro, 2011

Lado B - Frédéric Chopin e George Sand

Por Mariana Coutinho

Terno, gravata, cartola, charutos. Ideias socialistas, romances feministas e uma lista de amantes. George Sand certamente era uma mulher fora dos padrões da Paris do século XIX. Nascida Aurore Dupin, a escritora despertava frisson por onde passava. Na adolescência, George pensou em tornar-se freira. Mas após a morte da avó acabou tomando outro rumo. Ela adotou um nome masculino, participou do movimento romântico, aderiu aos ideais de Saint-Simon e adotou o modo de vida da boêmia literária.

Sim, George Sand era uma romancista. E você me pergunta, então o que ela está fazendo em um blog sobre música? Pois bem. Tudo começou em 1836, quando a condessa Marie de Agoult, amante do compositor Franz Liszt, resolveu dar uma festa. Foi nessa ocasião que George Sand conheceu o jovem pianista e compositor polaco Frédéric Chopin.

Ai você já antecipa: os dois caíram de amores um pelo outro e foram felizes para sempre. Não. Devemos lembrar que George Sand era uma mulher inteligente e intrigante e que Chopin era, em tese, um compositor da era romântica de cabeça aberta. No entanto, vamos levar também em consideração que eles estavam no século XIX e que Sand não devia parecer muito atraente usando uma cartola e fumando charutos. Chopin, então, não achou a menor graça na George Sand, pelo contrário, o pianista disse a sua família sobre o caso: "Há algo sobre ela que me repele".

É claro que a história não acaba por ai. Chopin não gostou de Sand, mas Sand ficou apaixonada por Chopin. E, decidida como era, não desistiu fácil e conseguiu conquistá-lo pelo cansaço. Por fim, os dois passaram dez anos juntos. Chopin tinha uma doença pulmonar crônica e dependia dos cuidados de George. Os dois acabaram se separando dois anos antes da morte de Chopin por problemas com a filha de George, Solange. George Sand e Chopin formaram um dos casais mais interessantes da Era Romântica. E o relacionamento dos dois influenciou significativamente a obra de Chopin.

O caso de Chopin e Sand já foi tema de diversos filmes, entre eles "Imprompt", com o inglês Hugh Grant no papel do compositor. No Rio de Janeiro, está em cartaz a peça "Chopin & Sand: Romance Sem Palavras" no Centro Cultural dos Correios, com Marcelo Nogueira e Françoise Forton.

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05 fevereiro, 2011

Lado B - O triângulo amoroso mais famoso da música clássica

Por Mariana Coutinho

Clara Schumann, Robert Schumann (acima) e Johannes Brahms

Esse poderia ser muito bem o enredo de um dos romances de Jane Austen, não tivesse acontecido após a morte da escritora e não fosse uma história real. Foi na década de 1830, na Alemanha, que o jovem Robert Schumann caiu de amores pela filha de seu professor de piano, a talentosa Clara Wieck. A paixão era recíproca, mas o pai de Clara não gostou nada das investidas de Robert e fez de tudo para separar a filha do compositor. Depois de muito teimar e até recorrer a justiça, Clara e Robert se casaram em 1840.

Mas a história não pára por ai. Schumann se tornou um grande compositor, depois de desistir da promissora carreira de pianista devido a um problema nas mãos. Clara também compunha e se tornou uma pianista renomada. Por volta de 1853, o casal conheceu o jovem Johannes Brahms, que impressionou a todos com seu talento ao piano. Rapidamente, Brahms tornou-se um amigo íntimo da família.

Nessa época, Robert começou a apresentar sintomas de uma doença mental que foi se agravando, até o ponto de o compositor tentar suicídio em 1854. Após o incidente, Schumann foi internado em uma clínica psiquiátrica, onde faleceu 2 anos depois. Brahms ficou ao lado de Clara Schumann durante toda a doença de Robert e após a sua morte.

Não se sabe se a paixão platônica de Johannes Brahms por Clara começou antes ou depois da morte de Robert. Fato é que ele se declarou abertamente para a pianista. Clara, no entanto, nunca se casou com Brahms. Não se sabe ao certo se eles chegaram a ter algum tipo de romance, o que ficou registrado é que Brahms manteve proximidade com Clara até a sua morte, em 1896. Johannes morreu no ano seguinte.

Song of Love: Katharine Hepburn no papel de Clara Schumann

A história é tão intrigante que já rendeu algumas produções cinematográficas: Sinfonia da Primavera, de 1988, mostra a luta de Robert e Clara contra o pai dela; Song of Love, de 1947, estrelado por Katharine Hepburn, apresenta o triângulo amoroso dos compositores da Era Romântica, assim como o recente Clara, de 2008.

Dica: No próximo sábado (12/2), às 15h, o programa Classicamente! da Rádio MEC FM, apresenta um especial chamado "Encontrando a Alma Gêmea" que vai falar, além da história dos Schumann e Brahms, do romance de Chopin com a intrigante George Sand.

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29 dezembro, 2010

Beethoven compôs, sem saber, a música mais chata do mundo


No fim do século 19, Ludwig Van Beethoven era um apaixonado. Therese Malfatti (1792-1851), sobrinha do médico italiano Giovanni Malfatti que o tratou de sua doença final em 1827, era a musa inspiradora do compositor alemão. As intenções de Beethoven para com a moça eram as melhores: ele, inclusive, a propôs em casamento. E ainda compôs “Fur Elise”, uma pequena obra para piano.

Fur Elise talvez seja a música mais tocada de Beethoven no mundo, principalmente àqueles que insistem em resolver seus problemas por telefone. A bagatela para piano foi escolhida para nos fazer companhia durante o longo período em que os telefonistas não resolvem nosso problema. E a edição repetitiva realizada pelas operadoras fez dessa música a mais chata do mundo. Claro, muito influenciada pelo insuportável atendimento de telemarketing.

A escolha, certamente, faz Ludwig Van Beethoven se contorcer no túmulo. Veja a esquete criada por uma empresa de telefonista. Realmente as operadoras destruíram a música.



Agora veja a versão, tocada num piano nítido e talentoso:


Por fim, outra cena. Desta vez encena por Pedro Cardoso. Aqui ele é quem sofre com o atendimento de deixar qualquer um louco. Com Regina Casé e Bianca Byignton.