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15 abril, 2011

Trilha Antiga - Band On The Run (Paul McCartney & Wings)

Por Mariana Coutinho

Band On The Run (1973)


(1. Band On The Run/ 2. Jet/ 3. Bluebird/ 4. Mrs. Vandebilt/ 5. Let Me Roll It/ 6. Mamunia/ 7. No Words/ 8. Picasso's Last Words (Drike To Me)/ 9. Nineteen Hundred And Eighty Five)




Na Up and Coming Tour, que volta ao Brasil em maio, Paul McCartney apresenta 33 faixas em cada apresentação. Entre as músicas escolhidas para o primeiro show em São Paulo no ano passado, por exemplo, cinco (Band On The Run, Jet, Let Me Roll It, Mrs. Vandebilt e Nineteen Hundred And Eight Five) eram de seu terceiro disco com os Wings, Band On The Run. Das 33 músicas, 20 eram dos Beatles, e as outras 13 se dividiam entre carreira solo e Wings. Com esses números, quero provar a qualidade do disco que resenho hoje. O álbum de 1973 tem apenas nove faixas, e cinco delas foram lembradas em um show que pretendia reunir as melhores músicas de um artista que já gravou 34 álbuns em estúdio.

Band On The Run é indiscutivelmente bom. A faixa de abertura é uma montanha-russa, que, como algumas faixas de seu primeiro disco solo, lembram as composições de McCartney no Lado B de Abbey Road. O refrão, repetido à exaustão, é marcante e a música é uma das melhores dos Wings. Em seguida, Jet mantém o  ritmo alucinante do álbum e joga a montanha-russa lá pra cima. Bluebird faz a descida sem solavancos, mas não é um destaque tão grande no disco. O ponto mais alto da viagem se dá em Mrs. Vandebilt e seu 'Ho Hey Ho' empolgante.



O disco segue mais calmo com Let Me Roll It, uma balada daquelas que só Paul McCartney sabe fazer. E continua nessa sintonia em Mamunia e No Words. Os vocais dessa última lembram muito os dos Beatles em álbuns como Rubber Soul e Revolver. Picasso's Last Words (Drink To Me) é uma boa colagem, também com altos e baixos, mas não chega perto da canção-título nesse quesito. Nineteen Hundred And Eight Five tem uma levada pop bem anos 70, e trabalha, mais uma vez, com o conceito de colagem.

Band On The Run é um marco na carreira de McCartney fora dos Beatles. Apesar de já ter chamado a atenção dos críticos com Maybe I'm Amazed e Live And Let Die, foi com esse álbum que ele provou que poderia escrever canções maravilhosas sem a parceria com John Lennon. 

Para quem vai assistir Sir Paul McCartney no Estádio do Engenhão, segue um aperitivo de Let Me Roll It no primeiro show da Up and Coming Tour em Nova York:




Veja também:
Good Evening New York City (Paul McCartney)
Trilha Antiga - McCartney (1970)
Paul McCartney sacode o Estádio do Morumbi

E ainda:
Lado B - Eleanor Rigby (The Beatles)
Trilha Antiga - Abbey Road (The Beatles)
Trilha do Artista - The Beatles

Pesquisa:
Wikipedia, livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer


10 abril, 2011

Trilha Antiga - Rock Around the Clock


Rock Around the Clock não foi nem a música mais tocada da época e nem o primeiro rock’n roll. Aliás, era uma canção do lado B do disco de Bill Haley & His Comets - uma banda nascida na Pensilvânia dos anos 50.

A música passava despercebida, até que foi escolhida para a abertura do filme Blackboard Jungle, estourou nas rádios e acabou se tornando a responsável pela popularização do rock no mundo - ela ainda daria título e faria parte do filme Ao Balanço das Horas (Rock Around the Clock). Depois disso, nunca mais os Dj’s nas pistas de dança deixaram de tocar Rock Around the Clock - e todo mundo dança muito quando isso acontece!

O rock’n roll, você já sabe, e esta canção em particular ajudaram a mudar comportamentos, influenciar gerações e lançar um importante capítulo na história da música. A canção, composta em 1954, foi considerada pela revista especializada Rolling Stones como uma das 500 mais marcantes da história da música: 158° lugar na lista.


Veja também:
Viva o Rock'n Roll
Love me Tender - Elvis Presley

06 abril, 2011

Trilha Antiga – I’m Too Sexy


As lojas Renner acabam de desenterrar um hit dos anos 90 em seu novo comercial de roupas íntimas femininas. A música que embala a campanha “Tempo de Mulher” é uma versão de I’m Too Sexy, da banda inglesa Right Said Fred:



A canção se encaixou muito bem no filme produzido pela O2, que mostra várias mulheres poderosas, cheias de auto-estima, se admirando com suas lingeries novas. A bela voz de Karina Zeviani, vocalista brasileira da banda francesa Nouvelle Vague, deu um toque especial à música, agora sim com um ar sexy.

A versão original de I’m Too Sexy foi lançada em 1992, no álbum Up, e logo estourou nas rádios. Na época, chegou ao topo das paradas de sucesso internacionais, alcançando o décimo terceiro lugar na Billboard’s Hot 100. É o trabalho mais conhecido do Right Said Fred, mais um “one hit wonder”.

O single também conquistou altas posições em rankings das piores músicas de todos os tempos, apesar da ótima performance do vocalista no clipe, com sua dancinha sensual e uma fashion camisa tipo rede. Nesse caso, como diz a própria música, sexy de doer...



Pesquisa:
m&m online
Wikipedia

26 março, 2011

Trilha Antiga - Greensleeves


Durante a Idade Média, os trovadores se declaravam a sua amada através de músicas ou poesias. Greensleeves foi composta nesse período e com essa intenção. Não se sabe ao certo o autor desta música, porém a lenda conta que a canção é de autoria de Henrique VIII em homenagem a sua então amante Ana Bolena – que viria a ser a rainha Ana Bolena. Outra versão diz que a música foi composta pelo indiscutível Mozart.

No entanto, a verdade é que há registros de que Greensleeves já existia cerca de 200 anos antes de o compositor austríaco ter nascido, em 1756, e sua origem real é desconhecida. O fato é que muitos músicos começam a ler partituras através desta música, como eu comecei.

Na versão histórica mais divulgada, Ana teria rejeitado as tentativas do rei de seduzi-la e esta rejeição é aparentemente a que se refere a composição. No entanto, Henrique VIII não escreveu "Greensleeves", que provavelmente é do período Isabelino e é baseado num estilo italiano, cuja composição não chegou a Inglaterra até depois da sua morte:

Alas my loue, ye do me wrong,
to cast me off discurteously:
And I haue loued you so long
Delighting in your companie.
Greensleeues was all my ioy,
Greensleeues was my delight:
Greensleeues was my heart of gold,
And who but Ladie Greensleeues.

Greensleeves entrou para história, mesmo com sua origem incerta, servindo de inpiração para várias gerações de artistas, de todos os campos da cultura, através da história. A música foi inspiração para Shakespeare, e é citada na comédia As alegres comadres de Windsor, também foi tema de quadro de Rosseti, artista do século XIX e aparece até na ópera Turandot (séc. XX), de Ferruccio Busoni.


01 março, 2011

O Quartel General do Samba

Por Raiane Nogueira

Na contagem regressiva para o carnaval, A Trilha Sonora não poderia deixar de homenagear o bloco de rua mais tradicional do Rio, eternizado na marchinha composta por Vicente Paiva e Nelson Barbosa:



Quem não chora não mama
Segura, meu bem, a chupeta
Lugar quente é na cama
Ou então no Bola Preta



É isso mesmo, estou falando do Cordão da Bola Preta, o “Quartel General do Samba”. Reza a lenda que o Bola surgiu quando, enquanto os membros do então bloco Só se bebe água organizavam um novo cordão, uma mulher linda de vestido branco com bolas pretas passou em frente a eles. E nada melhor que um belo rabo de saia para inspirar esses foliões. Assim, eis que surgia, em 1918, o Cordão da Bola Preta.

Desde então, são 92 anos lotando o centro da cidade no sábado de carnaval. O bloco sai da Cinelândia, a partir de 9h, e segue pela Avenida Rio Branco no sentido Candelária, sem hora para acabar. E só pela farra do desfile pré-carnavalesco que aconteceu na última sexta-feira, já dá para imaginar a grande festa que nos espera no fim de semana. Segundo os organizadores do evento, a prévia arrastou uma multidão de pelo menos 200 mil pessoas. É... o sábado promete!

E não fique triste quando o desfile terminar. Para a alegria dos cariocas, o Cordão da Bola Preta oferece uma animada programação fora de época. A nova sede do bloco, na Lapa, tem um boteco super charmoso e abriga vários eventos. Além disso, em breve, vai ser inaugurado no local um museu, para preservar a memória do Bola. Eu já trabalhei em frente à sede e de vez em quando ouvia umas marchinhas no horário do expediente. O clima é muito bom, faz a gente se sentir folião o ano todo.

Pesquisa: Lá Na Lapa

18 fevereiro, 2011

Trilha de Dawson’s Creek – I Don’t Want to Wait (Paula Cole)

Por Raiane Nogueira

É... acho que estou mesmo ficando velha. Um dia desses, me surpreendi ao ver na TV Dawson’s Creek, uma das séries que marcaram minha adolescência. Nossa, que saudade desse tempo! O que me deixou mais empolgada foi relembrar o tema de abertura, que fui logo procurar para refrescar a memória dos leitores de A Trilha:


A música é I Don’t Want to Wait, da cantora americana Paula Cole. O single foi lançado em 1997, retirado do seu segundo álbum, This Fire. Por conta do grande sucesso de Dawson’s Creek na época, a canção chegou à décima primeira posição na Billboard's Hot 100. Mas acho que a carreia de Paula Cole acabou se resumindo a isso, o que a inclui na nossa lista dos “one hit wonders”.

O mesmo não pode ser dito sobre a série, que teve vida longa. Dawson’s Creek foi exibido originalmente de 1998 a 2003. É considerado um dos melhores seriados voltados para o público jovem dos anos 90, por abordar os problemas cotidianos da adolescência – seus medos e incertezas – de maneira mais madura, com diálogos inteligentes. Tudo baseado na vida do próprio autor, Kevin Williamson.

E, além de conquistar o público através da trilha sonora e do enredo, Dawson’s Creek encantava pela fotografia, com belas paisagens como pano de fundo para as histórias de Dawson, Joey, Pacey e Jen.

E então, ficou com saudade? Sinal de que não sou a única “velha” por aqui...

Clique aqui e assista ao clipe de "I Don't Want to Wait"

Pesquisa: Wikipedia

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16 fevereiro, 2011

Trilha Antiga - New York, New York (Frank Sinatra)


Quando o preto e branco ainda não era charmoso e nem Cult. No tempo em que a fumaça do cigarro era sinal de elegância. Naquela época, o maior prédio da cidade era o Empire States. A canção New York, New York representa mais que a cidade famosa dos Estados Unidos. A música é o retrato do período mais glorioso daquele país.

New York, New York é a música tema do filme "New York, New York" do ano de 1977, dirigido por Martin Scorsese. A canção foi composta por John Kander e Fred Ebb para a atriz Liza Minnelli e imortalizada na voz de Frank Sinatra. Mas quem se lembra do filme?

A verdade é que o filme foi um fracasso e a canção ficou esquecida pelo público. Até que Frank Sinatra a cantou pela primeira vez em um show. O espetáculo aconteceu no Radio City Music Hall, em outubro de 1978. Rapidamente o single atingiu a trigésima posição dos mais vendidos nos Estados Unidos.

O jazz de Frank Sinatra, cantado num microfone decorado com motivos dourados, era o que melhor representava os Estados Unidos nos anos 60 e 70. Os filmes que chegavam ao Brasil, invariavelmente, contavam com o cantor de descendência italiana na trilha sonora. Assim nosso imaginário liga imediatamente a cidade de Nova Iorque a Sinatra. É por isso que New York, New York é a música do auge de uma cidade.


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08 janeiro, 2011

A música mais sexy do mundo


O francês Serge Gainsbourg pode não ser o cara mais bonito do mundo. Mesmo com orelhas grandes e olhos esbugalhados, o artista encantou as maiores musas de sua época. Pela cama de Gainsbourg passaram Brigitte Bardot, Jane Barkin, Caterine Deneuve, Isabelle Adjani, France Gall, Françoise Hardy e Vanessa Paradis, isso para ficar nas mais famosas.


Na arte musical, Gainsbourg sempre foi um artista versátil, fazia trilhas para cinema e gravava duetos com suas musas. Seu primeiro disco foi em 1958, ‘Du Chant à la Une!’. Porém, a canção mais famosa do francês foi “Je t’aime moi non plus”, gravada com sua esposa à época, Jane Birkin, somente 11 anos depois do primeiro LP.

“Je t’aime moi non plus” é a música mais sexy do mundo, influenciando outros músicos e sendo lembrada até hoje. Os gemidos sensuais da canção são da própria Birkin. Segundo a lenda, os dois gravaram os gemidos durante uma verdadeira noite de amor.

A imprensa francesa dizia que os gemidos, suspiros e gritinhos de prazer de Jane Birkin davam a impressão de ouvirem duas pessoas fazendo amor. A música, claro, foi taxada de indecente por alguns. A primeira vez Gainsbourg tocou em público foi em um restaurante em Paris, logo depois que lançou o single. Birkin percebeu o sucesso da canção quando os clientes começaram a deixar os garfos e as facas na mesa para prestar atenção na música.

Depois do sucesso de “Je t’aime moi non plus” com a inglesa Birkin, várias outras versões surgiram. Em 1986, o próprio Gainsbourg lançou a música com uma das maiores musas de todos os tempos: Brigitte Bardot. Novamente, diz as fofocas, os gemidos são de uma transa verdadeira.



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29 dezembro, 2010

Beethoven compôs, sem saber, a música mais chata do mundo


No fim do século 19, Ludwig Van Beethoven era um apaixonado. Therese Malfatti (1792-1851), sobrinha do médico italiano Giovanni Malfatti que o tratou de sua doença final em 1827, era a musa inspiradora do compositor alemão. As intenções de Beethoven para com a moça eram as melhores: ele, inclusive, a propôs em casamento. E ainda compôs “Fur Elise”, uma pequena obra para piano.

Fur Elise talvez seja a música mais tocada de Beethoven no mundo, principalmente àqueles que insistem em resolver seus problemas por telefone. A bagatela para piano foi escolhida para nos fazer companhia durante o longo período em que os telefonistas não resolvem nosso problema. E a edição repetitiva realizada pelas operadoras fez dessa música a mais chata do mundo. Claro, muito influenciada pelo insuportável atendimento de telemarketing.

A escolha, certamente, faz Ludwig Van Beethoven se contorcer no túmulo. Veja a esquete criada por uma empresa de telefonista. Realmente as operadoras destruíram a música.



Agora veja a versão, tocada num piano nítido e talentoso:


Por fim, outra cena. Desta vez encena por Pedro Cardoso. Aqui ele é quem sofre com o atendimento de deixar qualquer um louco. Com Regina Casé e Bianca Byignton.

14 dezembro, 2010

Hopes and Fears (Keane)


"Somewhere Only We Know" – 3:57 / "Bend and Break" – 3:40 / "We Might As Well Be Strangers" – 3:12 / "Everybody's Changing" – 3:35 / "Your Eyes Open" – 3:23 / "She Has No Time" (Rice-Oxley, Chaplin, Hughes, James Sanger) – 5:45 / "Can't Stop Now" – 3:38 / "Sunshine" (Rice-Oxley, Chaplin, Hughes, Sanger) – 4:12 / "This Is the Last Time" (Rice-Oxley, Chaplin, Hughes, Sanger) – 3:29 / "On a Day Like Today" – 5:27 / "Untitled 1" – 5:36 / "Bedshaped" (Rice-Oxley, Chaplin, Hughes, Sanger) – 4:37


Sabe quando uma música passa dias martelando na sua cabeça? É só ficar distraído que você já se pega cantarolando seus versos favoritos. Comigo tem sido assim, mas não apenas com uma música, e sim com um cd inteiro. É o Hopes and Fears, do Keane, que tem o poder de grudar na mente e que consegue ser ideal para todos os momentos.

Em 2006 conheci a banda inglesa. Logo me apaixonei pela voz de Tom Chapli
n e pelo piano do Tim Rice. Sem desprezar o baterista Richard Hughs, que completa o som da banda. Isso mesmo, nada de guitarrista no Keane.

O cd que vou apresentar neste post foi lançado dois anos antes do começo da minha paixão. Em 2004, o mundo conhecia o som dos ingleses com Hopes and Fears. O álbum é recheado de sucessos, como “Somewhere only we know” e “Everybody’s Changing”. Porém, o interessante é o conjunto formado pelas músicas. Todas juntas compõem uma sequência gostosa de ouvir, é quase impossível colocar apenas uma canção para tocar.


Hopes and Fears é um cd sem estrelas, é para ser escutado por inteiro. Mas, para quem ainda não conhece a banda, canções que apresentam bem o estilo são “Bend and Break”, “This is the last time” e “Bedshaped”. No entanto, é preciso avisar: Keane é altamente viciável.

O som calmo pode enganar os desavisados. Não pare nos primeiros versos, continue e descubra um Keane animado e até dançante. No show, inclusive, é impossível não cantar e pular ao som de todas as canções. Em casa também, é provável que você saia cantarolando com o Tom e curtindo o gostoso som do piano, que compõe tão bem as músicas. Veja o vídeo abaixo e descubra mais sobre essa banda.

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07 dezembro, 2010

Trilha Antiga – Ao Vivo MTV Jota Quest

Por Raiane Nogueira

2003
Sony / BMG


1. Introdução / 2. Na moral / 3. As dores do mundo / 4. Encontrar alguém / 5. Do seu lado / 6. Sempre assim / 7. Dias melhores / 8. Vou pra aí / 9. Mais uma vez / 10. Tanto faz / 11. O que eu também não entendo / 12. O vento / 13. Amor maior / 14. Só hoje / 15. Fácil / 16. Tudo é você/Hangin in the hood / 17. Por mim e por você / 18. De volta ao planeta dos macacos



Quando você pensa em Jota Quest, de que música se lembra? Posso até estar enganada, mas acho que sua memória vai levá-lo a uma das faixas do álbum Ao Vivo MTV. Gravado em 2003, na Praça do Papa, em Belo Horizonte (MG), o projeto contou com um público de mais de 80 mil pessoas e marcou a carreira do grupo mineiro.

O CD/DVD reúne os maiores sucessos da banda, fica até difícil falar de canções principais. Em um disco de 18 faixas, diria que apenas quatro músicas não “pegaram” tanto. São elas: Vou pra aí, Tanto faz (gravada com Arnaldo Antunes), Tudo é você e Por mim e por você (com participação de Thaíde).

Na época, fui a um dos shows da turnê e achei o máximo, tanto em relação à produção do espetáculo (som, iluminação, etc.), quanto à qualidade da banda. Além disso, era uma energia contagiante. As pessoas cantavam junto todas as músicas e respondiam extremamente empolgadas quando o Rogério Flausino gritava “everybody say yeah”, em Sempre assim.

Hoje, sete anos depois, o Jota Quest já lançou mais quatro CDs (inclusive um em espanhol, na Argentina), todos com músicas estourando nas rádios, como a versão de Além do horizonte, O sol e, mais recentemente, La plata e Vem andar comigo. Mas – talvez seja um pouco de saudosismo meu – acho que nada se compara às canções mais antigas. Há duas semanas, voltei a assistir a um show da banda e, não adianta, pra mim a melhor parte continua sendo a destinada ao repertório do Ao Vivo MTV.

Já que é assim, vamos relembrar um dos sucessos do álbum de 2003? O que eu também não entendo, uma das minhas músicas preferidas da banda:


Veja também
Trilha Antiga - Ao Vivo MTV Skank - Ouro Preto

23 setembro, 2010

Trilha Antiga – Tom Zé (1968)


1968
Sony Music
Produção: José Araújo
Assistente: Shapiro
Arranjos: Damiano Cozella/ Sandino Hohagen
Design Gráfico: Officina Programação Visual - SP

(Lado A - 1. São São Paulo /2. Curso Intensivo de Boas Maneiras /3. Glória /4. Namorinho de portão /5. Catecismo, Creme Dental e Eu /6. Camelô * Lado B -1. Não buzine que eu estou paquerando /2. Profissão de ladrão /3. Sem entrada e mais nada /4. Parque Industrial /5. Quero sambar meu bem /6. Sabor de burrice)

Não poderia ter ano mais emblemático do que 1968 para o lançamento de Tom Zé (ou Grande Liquidação), primeiro disco de um dos principais compositores da Tropicália. Naquela época, o movimento florescia, com o lançamento de seu disco-manifesto, Tropicália ou Panis et circencis. E se o disco coletivo mostrava a pluralidade dos tropicalistas, em seu trabalho solo Tom Zé teve espaço suficiente para explorar o seu talento individual.

Menos melódico e poético do que Gil e Caetano, parece fácil hoje prever que Antônio José Santana Martins jamais alcançaria o sucesso comercial de seus colegas. Nascido em uma família nordestina que enriqueceu após ganhar na loteria, Tom Zé nunca poupou a sociedade na qual tantos outros não tinham a mesma sorte. Em Grande Liquidação, as letras de suas músicas dedicam-se, sobretudo, a criticar os poderosos de então. Para isso, o cantor não dispensa a sátira e o deboche. Em Glória, a imagem do “chefe de família” é desconstruída para revelar o homem inescrupuloso que enriquece através da corrupção. Já São São Paulo, composição vencedora do IV Festival de Música Popular Brasileira, é uma ode ao contrário da metrópole símbolo do projeto desenvolvimentista que prometia o “país do futuro”. Os reflexos do processo de urbanização são também estudados na narrativa fragmentada de Parque Industrial, outra música marcante da Tropicália.

Não só o mundo dos negócios e da cidade grande é alvo da zombaria de Tom Zé, como também o ambiente familiar da classe média brasileira. Em Namorinho de portão, o “bom rapaz” se queixa do que tem que agüentar na casa da namorada: da vovó no tricô ao Chacrinha e a novela na TV. Embora o rapaz pareça se vingar em Não buzine que eu estou paquerando, a alienação que seria promovida pelos meios de comunicação de massa é mais uma vez atacada em Sabor de burrice. Inteligentemente construída, a letra usa todos os adjetivos que se daria a um intelectual para falar logo dela, a ignorância.

Todo esse panorama do Brasil pouco antes do “milagre econômico” é acompanhado de uma instrumentação criativa, que mais tarde faria o cantor cair nas graças do ex-Talking Heads David Byrne e assim conquistar o reconhecimento internacional. Para mandar a sua mensagem, Tom Zé não hesitava em utilizar o recurso que mais lhe apetecesse, sem nenhum medo de subverter ritmos e gêneros. Uma das músicas mais divertidas do disco, Quero sambar meu bem deixa claro o recado: “Quero sambar também, mas eu não quero andar na fossa cultivando tradição embalsamada”.

Se há mais algo a dizer, é que 1968 também foi o ano do AI-5, que institucionalizou a censura no Brasil. Um pequeno divertimento do disco é ouvir a introdução falada no começo de Camelô: “um dia o camelô, danado da vida...”. O cantor se interrompe e cinicamente pergunta: “danado pode dizer em disco, né? ”

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15 setembro, 2010

Trilha Antiga: The Corrs – MTV Unplugged

Por Raiane Nogueira

1999
Warner Music

1. Only When I Sleep / 2. What Can I Do? / 3. Radio / 4. Toss the Feathers (instrumental) / 5. Runaway / 6. Forgiven Not Forgotten / 7. At Your Side / 8. Little Wing / 9. No Frontiers / 10. Queen of Hollywood / 11. Old Town / 12. Lough Erin Shore (instrumental) / 13. So Young / 14. Everybody Hurts





Durante um bom tempo, fui a caçula da minha família. E como não convivia tanto com pessoas da minha idade, no que se refere à preferência musical, acabei muito afetada pelo que meus primos mais velhos ouviam nos anos 90. Foi através deles que conheci, por exemplo, os irlandeses do The Corrs. Uma ótima influência.

Composta pelos irmãos Andrea, Caroline, Sharon e Jim Corr, a banda traz marcas da música celta, com o uso de instrumentos como flauta e violino, que dão um clima medieval às canções. Seguindo a série dos Unplugged MTV, o álbum acústico do The Corrs mostra o melhor do trabalho do quarteto, que tem um grande talento vocal e, principalmente, instrumental.

O disco reúne sucessos da banda, como Runaway, What Can I Do? e Only When I Sleep, uma das músicas mais conhecidas:



Além das canções de autoria própria, o repertório ainda inclui uma versão de Everybody Hurts, do R.E.M., e Little Wings, do Jimi Hendrix, duas boas escolhas. Entre as minhas músicas favoritas, também estão Forgiven Not Forgotten, que me chamou atenção pelo título, Radio e At Your Side, pelas letras.

Mas o melhor do acústico, sem dúvida, fica por conta das performances instrumentais. O álbum traz duas músicas do tipo, Toss The Feathers e Lough Erin Shore. Em Toss The Feathers, os quatro irmãos mostram muita habilidade como instrumentistas, com uma melodia que nos lembra os tradicionais bailes e banquetes da Idade Média. Na música, Caroline Corr toca “bodhran”, instrumento de percussão típico da Irlanda:



O The Corrs – MTV Unplugged também está disponível em DVD, gravado com alta qualidade de som e imagem. A maioria das músicas estão no Youtube. Vale a pena assistir, é uma excelente apresentação.

Pesquisa: Wikipedia

05 setembro, 2010

Trilha Antiga - McCartney (Paul McCartney)

Por Mariana Coutinho

McCartney - Paul McCartney (1970)
Projeto Gráfico - Linda e Paul McCartney
Duração - 34:19

(1. Lovely Linda/ 2. That Would Be Something/3. Valentine Day/ 4. Every Night/ 5. Hot As Sun/Glasses/ 6. Junk/ 7. Man We Was Lonely/ 8. Oo You/ 9. Momma Miss America/ 10. Teddy Boy/ 11. Singalong Junk/ 12. Maybe I'm Amazed/ 13. Kreen-Akrore)




Ao contrário do que se esperaria, o primeiro trabalho solo de Paul McCartney, gravado em 1969 e lançado no ano seguinte, não foi recebido com entusiasmo pela crítica especializada à época. Mas quem liga para a crítica? O álbum chegou rapidamente ao topo das paradas americana e britânica. Enquanto John Lennon e George Harrison tentavam se afirmar com seus primeiros trabalhos pós-Beatles, McCartney produziu um disco simples e despretensioso. E talvez por isso tão especial.

O álbum inteiro valeria pela canção "Maybe I'm Amazed", provavelmente a melhor de Paul fora dos Beatles. Uma balada de amor madura e doce composta para sua esposa Linda McCartney. Aliás, uma marca nesse disco é o lado familiar de Paul, além de 'Maybe I'm Amazed', Linda ganhou a fofa 'Lovely Linda' logo no início do álbum. E a filha do casal, Mary, aparece na contra-capa do disco com o pai. A outra vertente de 'McCartney' é o experimentalismo. Paul usa os conceitos do lado B de Abbey Road de forma ainda mais radical nesse álbum, com as instrumentais 'Valentine Day', 'Momma Miss America' e 'Kreen-Akrore'. Em algumas partes essas músicas são geniais, e em outras chegam a ser um pouco irritantes.

Experiências à parte, o disco ainda conta com a ótima 'That Would Be Something', com um arranjo puxando um pouco para o folk; a interessante 'Every Night', a melancólica 'Junk' e a empolgante 'Oo You'. Se você ainda não se convenceu de que esse álbum vale a pena, assista abaixo a Paul McCartney executando ao vivo uma de suas mais belas canções de amor, "Maybe I'm Amazed":



Pesquisa: Wikipedia, livro '1001 discos para ouvir antes de morrer'

28 agosto, 2010

Trilha Antiga – Heaven or Las Vegas (Cocteau Twins)

Por Luiza Barros

1990
36'36
Selo: 4AD
Produção: Cocteau Twins
Projeto Gráfico: Paul West

(1. Cherry-Coulored Funk - 2. Pitch The Baby - 3. Iceblink Luck - 4. Fifty-Fifty Clown - 5. Heaven or Las Vegas - 6. I Wear Your Ring - 7. Fotzepolitic - 8. Wolf In The Breast - 9. Road, River and Rail - 10. Frou-Frou Foxes In Midsummer Fires)



Mais de dez anos separam o surgimento do Cocteau Twins até o lançamento de seu melhor e mais bem-sucedido disco, objeto desta resenha. Foi o tempo necessário para o trio britânico encontrar seu caminho, em uma passagem do pós-punk do Joy Division e o gótico de Siouxsie and The Banshees para o gênero do rock alternativo no qual eles seriam uma referência, o dream pop.

Heaven or Las Vegas prova que um freio no experimentalismo pode ser uma boa medida às vezes. As composições mais melodiosas foram um presente para o talento da vocalista Elizabeth Fraser. A voz hipnótica da escocesa, unida à guitarra de Robin Guthrie e ao baixo de Simon Raymonde, constrói paisagens oníricas através do som. Parte dessa impressão de que a música do Cocteau Twins vem de outro mundo deve-se também não só à voz de Fraser propriamente dita, mas ao estilo de canto que ela desenvolveu. As modulações ficam mais interessantes diante da forma que a cantora pronuncia cada palavra, em muitas ocasiões beirando o incompreensível.

A faixa-título do álbum é um dos melhores exemplos. Nesta faixa, assim como em outras do álbum, o conteúdo das letras é menos misterioso do que nos trabalhos anteriores de Fraser. Uma das causas dessa mudança foi o nascimento da filha da vocalista com o guitarrista Robin Guthrie. Apesar de nunca terem se casado, os dois mantinham um relacionamento um tanto quanto afetado pelo uso de drogas e álcool do músico.

Foram essas questões pessoais que levaram ao desmantelamento do grupo em 1998. Mas isso é irrelevante em relação à beleza deste trabalho. Com faixas irresistíveis como “Cherry-Coloured Funk” e “Iceblink Luck”, entre outras, Heaven or Las Vegas merece ser mais escutado (e lembrado) do que atualmente é.


14 agosto, 2010

Trilha Antiga - The Best of Sixpence None The Richer

Por Raiane Nogueira

2004
Squint Entertainment

1. Loser Like Me / 2. Us / 3. Too Far Gone / 4. The Ground You Shook / 5. Kiss Me / 6. Breathe Your Name / 7. Melody of You / 8. Dancing Queen / 9. Don't Dream It's Over / 10. There She Goes / 11. I Need Love / 12. I Just Wasn't Made for These Times / 13. Breathe / 14. Brighten My Heart / 15. Angeltread / 16. Within a Room Somewhere / 17. Trust / 18. Kiss Me (Versão Japonesa)



Tirei as férias para organizar minha biblioteca de música e, entre milhões de pastas perdidas, achei um CD que ganhei de um amigo: The Best of Sixpence None The Richer. Foi uma ótima redescoberta, que precisava dividir com os leitores de A Trilha Sonora. Tinha esquecido como o disco é bom!

“The Best of Sixpence None The Richer” é o quinto álbum da banda de pop rock americana, lançado em 2004. O CD reúne as melhores canções do grupo, que, apesar de caracterizar-se como cristão, apresenta em suas letras uma temática essencialmente romântica.

Entre os sucessos do Sixpence, o disco conta com a famosa Kiss Me (inclusive com uma versão em japonês), trilha de casais apaixonados do cinema e da TV, como nos filmes “Ela é demais” e “Como perder um homem em dez dias?” e nas séries “Smallville” e “Dawson’s Creek”:



A coletânea também inclui outras músicas conhecidas do grupo, como There She Goes e Melody of You, além das versões de Dancing Queen, do ABBA, e Don’t Dream It’s Over, da banda Crowded House.

Desde que achei o CD, não paro de ouvir. É muito bom! Para quem gosta de baladas românticas, acho que vale a pena procurar.

01 agosto, 2010

Trilha Antiga - Ao Vivo MTV Skank - Ouro Preto

Por Raiane Nogueira

2001
Chaos / Sony Music

1. É uma partida de Futebol / 2. Esmola / 3. Pacato Cidadão / 4. Jackie Tequila / 5. Acima do Sol / 6. Balada do Amor Inabalável / 7. Três Lados / 8. Tão seu / 9. Saideira / 10. Resposta / 11. Te Ver / 12. Estare Prendido en tus Dedos / 13. Tanto (I Want You) / 14. Canção Noturna / 15. Ali / 16. Ga
rota Nacional / 17. É proibido fumar



Há quase 20 anos na estrada, o Skank se mantém entre os destaques do pop brasileiro, sempre emplacando novos sucessos e seguido por um público fiel. Os mineiros já gravaram dez CDs e três DVDs, com um total de mais de 5,5 milhões de discos vendidos. Entre eles, está o primeiro projeto ao vivo da banda, o Ao Vivo MTV, lançado em setembro de 2001.

De todos os discos do Skank, escolhi esse álbum por dois motivos principais: o cenário e a seleção de músicas. O show foi gravado na histórica Praça Tiradentes, em Ouro Preto (MG). Era uma antiga vontade deles, que surgiu após a gravação na mesma cidade do clipe de Te Ver. O belo Museu da Inconfidência ao fundo deu um clima todo especial à apresentação, que ainda reuniu grandes sucessos da banda. E esse repertório foi praticamente todo escolhido pelo público, que votou em suas músicas favoritas pelo site. O resultado da fórmula não poderia ter sido melhor. Produzido por Liminha, o álbum vendeu 600 mil cópias.

Além da seleção feita pelos internautas, o disco possui duas canções inéditas. A primeira, Acima do Sol, é resultado de uma parceria entre Samuel Rosa e Chico Amaral, única participação especial do show. Mais tarde, a música entraria na trilha sonora da novela As Filhas da Mãe, da Globo. A segunda é a faixa em espanhol Estare Prendido en tus Dedos, uma versão de Wrapped Around Your Finger, dos ingleses do The Police. O álbum também tem a faixa Ali, música do disco Maquinarama (2000), que, apesar de não ter sido tocada no show, felizmente foi incluída no CD.

Ao Vivo MTV Skank é um desses discos que você ouve até cansar, decora a ordem das faixas, as letras das músicas e até as falas do cantor e os gritinhos do público durante o show. Para quem gosta desses mineirinhos, não pode deixar de tê-lo na estante. Na minha opinião, o CD reúne as canções da melhor fase da banda.

Assista à apresentação de Canção Noturna, gravada em Ouro Preto:


28 julho, 2010

Trilha Antiga – Back in Black (AC/DC) – 30 anos de um clássico do rock

Por Luiza Barros


1980
41'31
ATCO
Produção: Robert John Lange
Projeto Gráfico: Bob Defrin
Austrália; Inglaterra

(1. Hells Bells; 2. Shoot To Thrill; 3. What Do You Do For Money Honey; 4. Giving The Dog a Bone; 5. Let Me Put My Love Into You; 6. Back In Black; 7. You Shook Me All Night Long; 8. Have a Drink On Me; 9. Shake a Leg; 10. Rock'nRoll Ain't Noise Pollution)

1980 poderia muito bem ser o ano final para o AC/DC. Ao contrário disso, foi o ano em que a banda australiana lançou o segundo álbum mais vendidos de todos os tempos. Com 49 milhões de cópias vendidas, Back in Black só perde para o inevitável Thriller, de Michael Jackson. E acabou de completar 30 anos, neste último dia 25.

Formada na Sidney de 1973 pelos irmãos Angus e Malcom Young (ambos guitarristas), a banda experimentava em 1979 o que parecia ser o auge: o álbum Highway to hell, outro clássico, conseguira entrar nas paradas americanas e havia recebido ótimas críticas. A expectativa para o trabalho seguinte não poderia ser maior, não fosse a morte abrupta do vocalista Bon Scott, em fevereiro de 1980. Em um episódio cercado de teorias da conspiração, Scott morreu aos 33 anos, em consequência de uma bebedeira na noite de Londres.

Em um primeiro momento, a ideia era terminar de vez com o grupo. Mas, para a sorte de vários roqueiros ao redor do mundo, o AC/DC resolveu seguir em frente. Depois de vários nomes serem cotados,o inglês Brian Johnson, ex-vocalista do Geordie, foi o escolhido para assumir os vocais. A adaptação fluiu bem: Johnson ajudou a banda em algumas composições, enquanto outras já haviam sido criadas com Scott. Em seguida, o grupo foi gravar nas Bahamas, onde contou com a produção de Mutt Lange.

O resultado foi um punhado de músicas diretas e marcantes. O disco inicia logo com “Hell Bells” e “Shoot to thrills”, mas os mega hits estão mesmo no lado B, com “Back in black”, “Rock'n'Roll ain't noise pollution” e a grudenta “You shook me all night long”, sucesso mesmo entre quem não liga muito para rock. Em sintonia com o surgimento da MTV, cinco das dez faixas que compunham o álbum ganharam videoclipes. Um deles você pode conferir logo abaixo. Apesar do videoclipe de "You shook me all night long" possuir todos os erros da década de 80, a música continua boa.



17 junho, 2010

Trilha Antiga: Jovem Guarda (Roberto Carlos)



O carro era vermelho, não usava espelho para se pentear e ainda andava de botinha sem meia. Essa era a imagem do homem moderno na época da Jovem Guarda. E podem acreditar: os brotinhos se derretiam por eles. Vindo do interior do Espírito Santo, Roberto Carlos chegou com suas madeixas e logo arrebatou as fãs.

Com seu parceiro inseparável Erasmo Carlos, o Tremendão, e a loiríssima Wanderleia, mais conhecida como Ternurinha, o trio conquistou São Paulo. Do programa homônimo na TV Record, chegou-se ao disco de estreia da Jovem Guarda, cuja estrela era o eterno Rei Roberto Carlos.

Sucesso absoluto de audiência, a ideia de batizar o LP como Jovem Guarda foi de Othon Russo, diretor da gravadora CBS, argumentando que isto reforçaria tanto a venda do disco como a audiência do programa de televisão.

O principal destaque do disco é uma música emblemática: Quero que tudo mais vá pro inferno. Numa época de libertação, Roberto Carlos criou o grito de guerra. A canção abre o Long Play e divide espaço com outras canções inesquecíveis do Rei: Lobo Mau, O Feio, Mexerico da Candinha, Pega Ladrão e Não é Papo Pra Mim

O disco Jovem ocupa a 85° posição em uma lista da versão brasilieira da revista Rolling Stone dos melhores discos brasileiros de todos os tempos.

Abaixo, diretamente do túnel do tempo, gravado no extinto teatro Record: Roberto Carlos cantando Quero que tudo mais vá pro inferno.




05 junho, 2010

Trilha Antiga - Goodbye and Hello (Tim Buckley)

Por Luiza Barros


1967
42'41
EUA
Selo: Elektra
Produção: Jerry Yester
Projeto Gráfico: William S. Harvey; Guy Webster

(1. No Man Can Find The War - 2. Carnival Song - 3. Pleasant Street - 4. Hallucinations - 5. I Never Asked To Be Your Mountain - 6. Once I Was - 7. Phantasmagoria In Two - 8. Knight-Errant - 9. Goodbye and Hello - 10. Morning Glory)


Antes de começar a ler esse post, faça uma pequena experiência: jogue o nome “Tim Buckley” no Google. Se quiser tornar a coisa ainda mais difícil, coloque a busca apenas para páginas do Brasil. Posso garantir que o material encontrado será escasso. Em boa parte delas, o nome é apenas uma referência em textos sobre o filho, o também cantor Jeff Buckley. Com sucesso moderado quando era vivo e morto prematuramente, Tim Buckley é um tesouro perdido do folk sessentista. Em sua breve, porém prolífica carreira (foram nove discos em oito anos), Buckley não só deu força como reinventou o gênero, acrescentando elementos do jazz e do soul, com uma boa dose de psicodelia. Além de tudo, o compositor era dotado de uma voz poderosa, e não tinha medo de usá-la. A mistura mais bem-sucedida de todos esses elementos é o maravilhoso Goodbye and Hello, de 1967.

A aparente tranqüilidade de Tim, sorridente na capa ensolarada, cativa fácil, mas também disfarça a profundidade do disco. Mas basta os primeiros segundos da primeira faixa para o cantor mostrar ao que veio. “No man can find the war” começa como uma explosão. Nada mais apropriado para uma música que fala sobre a Guerra do Vietnã. A revolta contra o conflito é canalizada através da letra e do ritmo direto. Depois da audição, fica na memória o que Buckley nos pergunta: “is the war inside your mind?”.

Mas apesar da primeira faixa ser uma referência a fatos da época, boa parte do disco evoca outros tempos. Buckley parece ser um verdadeiro trovador medieval em “Carnival Song” e “Knight-Errant”. Os arranjos musicais e os próprios títulos mostram que não era sem querer. No entanto, a melhor faixa de Goodbye and Hello é a que mais foge desse clima bucólico. “Pleasant Street” é uma daquelas músicas que te destroem, tanto pela letra sem esperanças quanto pela melodia arrebatadora. E ainda há um grande detalhe: a guitarra elétrica. Influenciado por Bob Dylan desde o começo da carreira, Buckley também aderiu ao instrumento sem medos. Nada menos surpreendente para quem sempre buscou a experimentação.

Nesse quesito, “Hallucinations” também se destaca. A instrumentação criativa é capaz de evocar a temática fantasmagórica da faixa, com uivos e sussurros de tremer a espinha. Não supera, porém, a misteriosa “I never asked to be your mountain”. É a mais longa e também a mais ousada do disco, misturando a batida acelerada com ritmos indianos. A letra confessional é uma abordagem complexa do relacionamento tempestuoso com a mulher, que o artista abandonou junto com o filho pequeno.

Após esse turbilhão, a doce balada “Once I Was” permite ao ouvinte relaxar. “Phantasmagoria In Two” também, se forem ignorados os questionamentos do compositor sobre a vida. Mas os medos de Buckley são melhores desenvolvidos em “Goodbye and Hello”. Apesar da admirável construção poética, o tom épico da música pode ser um tanto quanto cansativo. Talvez por isso a faixa-título não tenha sido escolhida para fechar o disco, e sim a etérea “Morning Glory”. Ao fim, você se pergunta, por que falam tão pouco desse cara?

Você pode conferir um dos raros vídeos encontrados na internet abaixo, numa bela interpretação de "Morning Glory":



Ficha técnica retirada do livro '1001 discos para ouvir antes de morrer', org. Robert Dimery

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