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20 março, 2011

Trilha Certa – Centro Cultural Banco do Brasil

Por Raiane Nogueira

Com todos os grandes shows que têm acontecido no Brasil, muito divulgados pela mídia, às vezes acabamos perdendo outros bons eventos musicais que estão rolando por aí. Um dos locais que sempre tem ótimas atrações é o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). É bom ficar de olho na programação.

Fundado em 1989, a partir da criação do CCBB Rio, o centro cultural hoje está presente nas três principais capitais do país – Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília – e se prepara para chegar também a Belo Horizonte, com inauguração prevista para o segundo semestre deste ano. A casa é muito famosa por abrigar exposições de arte, cinema e também boa música. E o melhor, a preços acessíveis!

Diferentemente do que algumas pessoas podem pensar, a programação musical do CCBB não se restringe ao clássico. Atualmente, por exemplo, acontecem dois projetos muito interessantes nas sedes de São Paulo e do Rio que atraem um público diversificado. Em São Paulo, até o dia 5 de abril, ocorre a série Sai da Rede, destacando artistas que utilizam a internet como principal ferramenta para divulgação do seu trabalho. A programação está disponível no site do centro cultural.

Já no Rio, a série Lapa de Todos os Sambas retrata a retomada do gênero no bairro que voltou a ser o grande point carioca, resgatando a obra de compositores como Noel Rosa e Cartola. Até junho, haverá shows de Sururu na Roda (5 de abril), Batuque na Cozinha (19 de abril), Elton Medeiros (17 de maio), Edu Krieger (21 de junho), entre outros. O evento acontece sempre às terças-feiras, às 12h30 e 19h. E se você achou o horário meio ruim, vai meu depoimento: corri para o CCBB na minha hora de almoço para ver o Casuarina e garanto que valeu muito a pena.

CCBB Rio

Pesquisa
Jornal Extra - Roda de Samba

05 julho, 2010

Trilha Certa – Vivo Rio

Por Raiane Nogueira

“O cenário já estava pronto. Nós só trouxemos o espetáculo”. Essa é a apresentação que aparece no site do Vivo Rio, casa de shows localizada no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Integrada ao Museu de Arte Moderna (MAM), de fato, a casa está rodeada por uma das paisagens mais bonitas da cidade, com direito a vista para o mar, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor.

O Vivo Rio é resultado de uma parceria entre a empresa de telefonia e o Grupo Tom Brasil, dono também do HSBC Brasil e do Tom Jazz, ambos em São Paulo. Inaugurada em 2006, a casa segue o mesmo padrão arquitetônico do MAM. Sua construção faz parte do projeto original do museu, da década de 50, assinado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy.

A casa tem capacidade para cinco mil pessoas, divididas entre pista, camarotes e suítes exclusivas. Há bares no salão de espetáculos, a que o público tem acesso enquanto ocorrem os eventos. Se por um lado, o serviço evita que as pessoas percam algum momento dos espetáculos, sem precisar deixar o salão para beber ou comer algo, por outro, pode acabar causando um certo tumulto. Quando fui ao Vivo Rio pela primeira vez, assisti a uma peça de teatro e fiquei um pouco incomodada com o movimento dos garçons durante a apresentação.

Além do salão de espetáculos, a casa conta com uma área externa no segundo andar, onde eventualmente ocorrem shows do projeto Na Varanda do Vivo Rio. Imaginem que ótimo programa, música boa e vista privilegiada.


Para quem vai de carro, o local é de fácil acesso e tem estacionamento próprio. Outra boa alternativa para chegar à casa é de táxi. Partindo da Praça XV, a corrida sai por uma média de R$ 10,00. Quem vai do Centro de Niterói, gasta cerca de R$ 50,00. O endereço do Vivo Rio é Av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo (próximo ao Aeroporto Santos Dumont).

12 junho, 2010

Trilha Certa - SESC Quitandinha (Petrópolis)

Por Mariana Coutinho


Para se fazer um bom show não é preciso muito: músicos talentosos, um ambiente agradável, bons instrumentos, equipamento acústico de qualidade, e pronto. A iluminação também é importante, cadeiras confortáveis para a plateia, um bom palco. Mas e se além de tudo isso você pudesse curtir boa música em um ambiente luxuoso, bonito e que tem muita história para contar? Assim é o SESC Quitandinha, em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro.

Em 1939, o mineiro Joaquim Rolla já era dono do Cassino da Urca e do Cassino Atlântico no Rio de Janeiro, do Cassino Icaraí, em Niterói, e do Cassino da Pampulha em Belo Horizonte, quando adquiriu o terreno onde construiria o maior cassino-hotel da América Latina: o Quitandinha. O palácio, com exterior construído em estilo normando e interior inspirado no cenário hollywoodiano, foi inaugurado em 1944.

O teatro do Quitandinha

Frequentado principalmente por cariocas, o hotel-cassino recebeu também personalidades emblemáticas como Walt Disney, Carmem Miranda, Greta Garbo e Lana Turner. Tudo ia de vento em poupa, até que o jogo de azar e os cassinos foram proibidos no Brasil pelo presidente Dutra em 1946. Até os anos 70, o hotel ainda se manteve como clube, mas muito longe dos anos de auge. Aos poucos, os mais de 400 apartamentos foram sendo vendidos e o palácio foi ficando cada vez mais abandonado.

Depois de ser adquirido pelo SESC Rio e ter passado por uma reforma, o Quitandinha agora é mantido como clube e abriga eventos culturais como shows e peças de teatro.
Com certeza assistir a um show no Quitandinha é uma experiência única e inesquecível; por isso vale a pena ficar de olho na programação e visitar o palácio petropolitano para assistir espetáculos musicais.

Café Concerto do Quitandinha

Para quem mora no Rio de Janeiro não é tão difícil chegar ao antigo cassino. A caminho de Petrópolis o carioca deve pegar a BR0-40, aproximadamente 1h10min de viagem, manter a direita, e seguindo em frente a partir do pórtico de entrada da cidade já avistará o lago do hotel.

Veja fotos antigas do Hotel-Cassino Quintadinha:



Veja também:



22 março, 2010

Trilha Certa - Fundição Progresso


Sexta o Franz Ferdinand agitou a Fundição Progresso, uma casa de show que vai muito além de um palco. A arquitetura antiga, esconde uma dinâmica moderna e as vezes precária. Ano passado a Fundição passou um mês fechada, devido a um incêndio.

Porém, isso não vem ao caso, pois a energia que rola na Fundição é sensacional! O melhor show que assisti na minha vida foi lá. Era o último da turnê acústico MTV, e o Lenine estava numa forma extraordinária. Quase 3 horas de espetáculo e depois ainda tinha uma outra banda, Bagalafumenga, que pelo adiantado da hora nem fiquei para assistir.

O calor pode ser uma herança da fundição de fogões e cofres que havia ali. A construção grande e imponente estava para ser demolida, mas o Circo Voador fazia tanto sucesso logo ao lado, que conseguiram barrar a destruição para construir um centro cultural no prédio. Em 1987, a Fundição passou a ser uma extensão do Circo Voador e ambos os espaços culturais funcionavam ao mesmo tempo, um complementando o outro.

A ideia era juntar várias manifestações artísticas num mesmo lugar. No começo o processo foi confuso e alguns artistas acusaram a administração daquela época de calotes. Em 1999, o produtor Perfeito Fortuna, que também criou o Circo Voador, tomou as rédeas do negócio e reergueu a Fundição Progresso. A partir daí começou agitar o movimento cultural do Rio de Janeiro.

Intrépida Trupe, Armazém Cia de Teatro, Teatro de Anônimo, Filmes do Serro, Vídeo Fundição, entre outros movimentos tem sede nesse centro. Na sala maior, onde acontecem os shows, cabem cinco mil pessoas. Lenine, Nando Reis, Caetano Veloso, Jor Ben Jor, Luiz Melodia e muitos outros grandes nomes da música brasileira passaram pelo palco da Fundição.

No entanto, o que diferencia essa casa de show das outras é o apoio a cultura nacional. Nada melhor para representar a maior festa popular do Brasil, o Carnaval, que a marchinha. Desde 2005, a Fundição organiza um Concurso Anual de Marchinhas. A disputa ajudou a revitalizar o carnaval de rua do Rio. Por lá há o Núcleo de Educação e Cultura Fundição de Paz e Progresso, que oferece aulas gratuitas de teatro, dança, filosofia, percussão, acrobacia, cenografia e grafite a estudantes de escolas públicas.

Veja o Perfeito Fortuna contando a história da Fundição Progresso:


Chegar lá é simples, a Lapa fica próxima a Cinelândia e ao Passeio Público. Mas estacionar o carro é ruim.

De ônibus, se você vem da Zona Norte pode pegar o 433 ou 434, que passam em frente ao Circo Voador, que é do lado da Fundição. De táxi, até o maracanã dá, no máximo, R$ 15. Ainda há o metrô, que circula até meia-noite.

Para Zona Sul, o 433 e o 434 vão para o Leblon e passam pela Av. Nossa Senhora de Copacabana e pela Lagoa. O 409 passa pelo Jardim Botânico e Humaitá. No aterro e na Cinelândia há mais opções de ônibus, embora nem sempre seja seguro ficar esperando condução naquela praça. Até o Leblon, uma corrida fica por menos de R$ 25.

Quem mora do outro lado da poça e não tem carro, não desista! Há vans e ônibus, que saem de Icaraí e passam pelo centro, que te deixam na Lapa. Se for de barcas, vai andar um pouco, de 20 a 30 minutos. Na volta, não há mais barcas nem ônibus. O jeito barato é pegar um táxi até o ponto final do 100, o motorista vai te cobrar R$ 7, nunca mais que isso. Ou então vá direto, negocie com o taxista. Por R$ 40 reais ele te leva até Icaraí, na porta de casa.

27 fevereiro, 2010

Trilha Certa - Carioca da Gema

Por Robson Sales

Bem ali, na
Lapa, mais precisamente na Avenida Mem de Sá, está o Carioca da Gema. O que era para ser um bar aconchegante, no meio do bairro mais boêmio do Rio, se tornou uma casa de show pequena e lotada.

São dois andares, que, quando fui, estavam cheios. Claro, o som do samba de
Teresa Cristina e o Grupo Semente são de primeira. Não havia mesas vagas, nem espaço suficiente para sambar (ainda que não saiba) quando cheguei, aproximadamente às 22h de uma sexta-feira. Mesmo com o aperto gostei daquele lugar a meia luz, muito frequentado por gringos. Acho que o nosso ministro do meio ambiente, Carlos Minc, também estava gostando, ele me parecia muito feliz vestindo seu colete habitual. Como você pode ver, o bar é muito bem frequentado.

A cerveja, apesar de cara, estava gelada e ótima. A entrada também é um pouco salgada, apesar da boa música que por ali rola. Quase sempre samba. Mas por ser um bar, acho que deveriam manerar no ingresso, ainda mais que sou um estudante. Aliás, o Carioca da Gema é pouco frequentado por estudantes, pelo menos assim me pareceu a primeira vista. São jovens beirando seus 25, 30 anos.

Para quem quiser curtir um bom samba, pode visitar o Carioca da Gema, apesar do aperto no lugar de decoração rústica.

25 janeiro, 2010

Trilha Certa - CAIXA Cultural



Fachada do Teatro Nelson Rodrigues

Desde 1989 o Teatro Nelson Rodrigues integra a CAIXA Cultural no Rio de Janeiro, mais precisamente na Avenida Chile, no Centro da cidade. O prédio tem uma arquitetura bem interessante em forma piramidal com jardins, passarelas e espelhos d’água. Uma das fachadas tem um revestimento muito bonito em baixo-relevo com desenhos que lembram figuras egípcias. Na parte interna, impressionam os grandes painéis entalhados em madeira pelos artistas Ernani Macedo e Roberto Sá e os mosaicos de Freda Jardim.

Na última sexta-feira tive a oportunidade de assistir ao show ‘Estação Melodia’ (com Luiz Melodia) no local. Fiquei no camarote, que provavelmente não é o melhor lugar, mas mesmo assim tive uma boa visão. O Teatro Nelson Rodrigues tem uma lotação de 388 lugares numerados, sendo 2 para cadeirantes, em um anfiteatro e um camarote; as cadeiras são acolchoadas e bem confortáveis.


Anfiteatro da CAIXA Cultural

O prédio da CAIXA na Avenida Chile é composto de 3 andares. No primeiro fica o teatro Nelson Rodrigues (antigo Teatro do BNH), que ganhou esse nome em homenagem a seu espetáculo de estréia “Vestido de Noiva”.É no 1º andar que acontecem as apresentações musicais da unidade. No 2º andar funciona o Espaço Gente Arteira, um projeto voltado para a realização de oficinas que atendem principalmente alunos da rede pública de ensino e pessoas atendidas por ONGs, a fim de proporcionar uma inserção social através da arte. E no 3º andar fica a Grande Galeria, um amplo espaço que recebe exposições de artistas nacionais e internacionais.

O prédio da CAIXA Cultural no Rio de Janeiro é muito bem localizado no centro da cidade. Para quem vai de carro, a casa de espetáculos tem um estacionamento rotativo pago no local com entrada pela Rua Silva Jardim.

CAIXA Cultural – Teatro Nelson Rodrigues : Av. República do Chile, 230,Anexo – Centro – Rio de Janeiro

11 janeiro, 2010

Trilha Certa - Allegro Bistrô

Os clientes da loja de discos passavam, compravam alguns volumes e iam embora com a maior pressa. Foi então que, após tomar o espaço do antigo Cinema Bruni, Pedro Passos decidiu montar um café com alguns drinks, “onde os clientes da loja poderiam escutar uma boa música”, disse Pedro.
Foi assim, de uma ideia simples, que há 10 anos surgiu o Allegro Bistrô. Dentro da maior loja de discos do Rio de Janeiro, a Modern Sound, e a beira da Barata Ribeiro, uma das mais movimentadas de Copacabana, nasceu a pequena casa de show, que tem forte tradição no Jazz.
Era para ser uma coisa pequena, mas o repertório de quem tocava por lá era tão bom que a coisa foi crescendo. Agora são 47 mesas, que já invadem o espaço da loja de discos e lotam o salão do bar. Bar esse que tem ótimos drinks, como o famoso “whisky on the rocks”. Petiscos como a tábua de frios, patê e torradinhas estão entre os mais queridos, os garçons também anotam muito os pedidos para sanduíches criativos.
Pedro Passos explica a dinâmica de pocket shows da casa: “Segunda e terça-feira são lançamentos, artistas que nos procuram para lançar o novo trabalho e que não tem espaço em outros meios. De quarta a sábado, são artistas contratados, com cachê fixo”. Todas as apresentações são de graça, ou como diria o jornalista Ruy Castro – “o preço de uma lata de Coca Cola”.
Aliás, o Allegro Bistrô é uma parada obrigatória para os que passam por Copacabana, pois, além de estar dentro da maior loja de discos e não cobrar entrada, só tem música de primeira qualidade. O Jazz do SambaJazz Trio arrasa, a bossa nova do grupo Gente Fina e outras coisas é imperdível e o violão de Renato Vargas, que está todo sábado de janeiro por lá, é encantador. Pelo pequeno palco do Allegro já passaram grandes artistas da MPB, como João Bosco, Paulinho Moska e a revelação Maria Gadú. Para quem curte a boa música brasileira e um jazz refinado, este é o lugar!

08 dezembro, 2009

Trilha Certa - Canecão

O Canecão e a música que ele merece

"Nessa casa se escreve a história da Música Popular Brasileira”. Não é todo lugar que pode ostentar essa frase logo na sua entrada. Mas o Canecão pode. Inaugurado em 1967, a casa recebeu muitas das estrelas que despontavam em meio à efervescência cultural do Brasil da época – a Bossa Nova se consolidava como cânone, a Jovem Guarda levava os jovens ao delírio e a anárquica Tropicália estava prestes a despontar.

Pouca gente sabe, mas a idéia inicial dos fundadores era criar uma chopperia – daí o nome curioso. Mas havia um palco, e não faltavam estrelas de grandeza maior da nossa música para nele pisar... E foi assim que a casa carioca ganhou sua fama.

Hoje, o Canecão persiste. As outrora novas, hoje veteranas estrelas hora ou outra retornam à casa, mas a verdade é que agora passa de tudo por lá – o que não quer dizer que isso seja bom. Tem muita MPB ainda, mas também alguns outros gêneros cuja qualidade é questionável. E até bandas do metal, como Nightwish e Angra, quem diria! Isso sem falar na nova geração de humoristas e suas stand-up comedies...

Então, para quem mora no Rio e proximidades, é difícil escapar do Canecão, independentemente de qual seja o seu gosto. Para quem nunca foi, a dica é reservar com antecedência, ainda mais se for um show bem concorrido. O espaço não é grande, mas há muitas demarcações: pista, poltronas numeradas, mezanino, frisa central, camarote... Confira na planta, retirada do blog Agenda Brasil:

Os inúmeros setores da Grande Caneca

Uma recomendação minha para quem quer ficar sentado é a frisa central; seu preço é mais acessível em relação ao camarote e ela fica mais próxima do palco, sem nada impedindo a visão. Dá ainda pra beliscar uns pasteizinhos – eu disse beliscar, porque, como em toda casa de espetáculo, o preço das comidas e bebidas são abusivos. E também ninguém vai brigar se você quiser se levantar para dançar. Ao menos, nunca brigaram comigo.

Outra coisa é o transporte – o Canecão fica em Botafogo, super bem localizado, mas pode ser meio caótico tentar parar na frente dele, ainda quando se tem um show disputado. O comum para quem vem de carro é aproveitar a proximidade e parar o carro no estacionamento do shopping Rio Sul, bem em frente. Não costuma ter erro, mesmo quando o show acaba às altas horas da madrugada; o pessoal do Rio Sul já está acostumado. E é bem engraçado ver aquela verdadeira multidão (o Canecão tem capacidade para até 3 mil pessoas...) subindo as escadas rolantes de um shopping com todas as lojas fechadas...

Não se pode negar, o Canecão tem aura. E apesar de ele ter ganhado esse nome assim, meio que sem querer, não deixa de ter um significado: afinal, ali dá pra colocar todos os sabores da música brasileira e internacional, e fazer uma bela mistura.


01 dezembro, 2009

Trilha Certa - Teatro Municipal de Niterói


Acho que não existe momento mais prazeroso para um fã de música do que ver seus intérpretes favoritos de perto, se apresentando ao vivo. A sensação é indescritível, uma energia que nos faz gritar, cantar junto até perder a voz. E para marcar ainda mais esse momento, que tal a bela Sala de Espetáculos do Teatro Municipal de Niterói como plano de fundo? Cadeiras de palhinha, balcões, cortinas e lustres repletos de detalhes que nos remetem ao fim do século XIX criam um cenário perfeito para shows.


O Teatro surgiu em 1827, como a primeira casa de espetáculos da vila, instalada no antigo caminho do Capitão-Mor, atual Rua XV de Novembro, no Centro de Niterói. Em 1833, estreou em seu palco a Companhia Dramática Nacional, formada por João Caetano, que adquiriu a casa em 1842 e a transformou em Teatro Santa Tereza. Com a morte do ator e após a falência do Teatro, em 1887 o prédio passou para o patrimônio da província. Posteriormente, foi leiloado e arrematado pela Câmara Municipal de Niterói. Inaugurado dez anos depois, em 1900 foi renomeado Teatro Municipal João Caetano. Ao longo desses 182 anos, a casa foi reconstruída e passou por diversas reformas. Em 1990, o Teatro foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, considerado o marco da dramaturgia no Brasil e da memória de Niterói. Em 1995, foi reinaugurado após uma restauração.

Os eventos do Teatro ocorrem em três espaços principais: no Salão Nobre (uma boa opção é se informar sempre sobre os espetáculos gratuitos apresentados nessa sala), na Sala Carlos Couto - onde ocorrem exposições, workshops, palestras, lançamentos de livros, etc. - e na Sala de Espetáculos, palco de grandes atrações:

A Sala de Espetáculos é formada pela plateia, frisas, dois andares de balcões - onde ficam os camarotes - e a galeria, ponto mais alto. Fui a dois shows no Teatro e a minha dica é: compre seus ingressos o quanto antes. Como os preços são os mesmos para os diferentes setores, vale a pena se antecipar para conseguir um bom lugar.

O primeiro show a que assisti foi o do Leoni (veja as fotos aqui), em julho do ano passado. Da plateia, vi o espetáculo de perto, de frente para o palco e sem transtornos. Ainda tive o privilégio de acompanhar um dos meus cantores favoritos caminhando entre as cadeiras, enquanto cantava "Como eu quero". A segunda experiência também foi ótima, mas com alguns pontos negativos. No show de lançamento do CD da Zélia Duncan, "Pelo Sabor do Gesto" (confira as imagens), em julho desse ano, deixei para comprar ingresso na última hora e fiquei na galeria. O show foi maravilhoso, mas tive que assisti-lo do terceiro andar e na parte lateral (foi o que sobrou quando eu cheguei), porque os lugares não são marcados. Minha sorte foi que, em diversos momentos da apresentação, a Zélia cantou voltada para a galeria.

Além da belíssima arquitetura, o Teatro Municipal de Niterói possui uma ótima localização, é de fácil acesso. O prédio fica no centro da cidade, em frente ao Plaza Shopping, está cercado por pontos de táxi, é próximo das barcas e do terminal rodoviário. Para quem vai de carro, a falta de estacionamento no local é um problema, mas pode-se recorrer ao do shopping. A casa abre 30 minutos antes do início dos espetáculos e é proibido o uso de bermudas nos eventos noturnos.

Um obstáculo para quem quer assistir aos shows pode ser o preço dos ingressos, muitas vezes um pouco "salgado". Mas além da meia-entrada garantida para estudantes, maiores de 60 anos, menores de 21 e pessoas com necessidades especiais, eventualmente há descontos em troca de quilos de alimentos não-perecíveis, como ocorreu no show da Zélia Duncan em que eu fui.

Por fim, uma dica para os fãs de plantão: logo após o encerramento dos shows, é comum os artistas receberem o público no camarim do Teatro, para tirar fotos, dar autógrafos... "tietar" bastante. Muitas vezes as filas são grandes, mas costuma ser tudo bem organizado, basta um pouco de paciência. E como eu sei disso? Bom... é que... sim, eu enfrentei fila para ver o Leoni e a Zélia Duncan... e garanto que valeu a pena!


28 novembro, 2009

Trilha Certa - Circo Voador

Por Robson Sales

“Todo domingo estava eu, dançando gafieira ao som da Orquestra Tabajara”, relembra Robson Sales, meu pai e um ex-frequentador assíduo da Domingueira Voadora, um baile que encerrava o fim de semana no Circo Voador.

Mas a história do Circo Voador vai muito além dos bailes de dança de salão...

Um grupo de artistas, liderados por Perfeito Fortuna e a trupe Asdrúbal Trouxe o Trombone, estavam carentes de espaço quando tiveram a ideia de montar uma lona cultural. Primeiro, o circo foi armado na praia mais famosa dos anos 1980: o Arpoador, em Ipanema. O que era para durar apenas o mês de janeiro, se estendeu por todo o verão de 1982. Se não fosse a fiscalização retirar a lona azul e branca, as apresentações continuariam inverno afora.

O sucesso empolgou os produtores, que procuraram alternativas para continuar o projeto. Até que, em 23 de outubro de 1982, a prefeitura cedeu um terreno sob os Arcos da Lapa, e entre 54 palmeiras imperiais pousou o novo Circo Voador.

As luzes do sucesso estavam viradas para o Circo, que foi o berço do Rock Brasil e de bandas que marcaram uma geração como Barão Vermelho, Blitz e Paralamas do Sucesso. Já nos anos 1990, a histórica casa foi porta de entrada para talentos como Lenine, Cidade Negra, e O Rappa.

Mas as dívidas fecharam o Circo Voador em 1996. Além disso, a casa não conseguia manter os vizinhos longe do barulho das guitarras, até que a Prefeitura carioca cassou o alvará. Porém, nenhum outro espaço físico surgiu como alternativa e, em julho de 2004, o Circo Voador voltou ao Rio de Janeiro e à cultura brasileira.

O Circo Voador é mais que uma casa de shows. O Circo fomenta cultura, forma artistas e abriga alguns movimentos culturais mais importantes para a cidade do Rio de Janeiro.

A aura que ronda o Circo atravessou mares e quando a banda escocesa Franz Ferdinand veio ao Brasil, fez questão de tocar na histórica e aconchegante casa de espetáculo. Da Zona Sul à Zona Norte, quem for ao Circo Voador vai se sentir bem recebido. Há uma magia por lá, que faz o show ser ainda melhor!

Chegar lá é simples, a Lapa fica próxima a Cinelândia e ao Passeio Público. Mas estacionar o carro é ruim.

De ônibus, se você vem da Zona Norte pode pegar o 433 ou 434, que passam em frente ao Circo Voador. De táxi, até o maracanã dá, no máximo, R$ 15. Ainda há o metrô, que circula até meia-noite.

Para Zona Sul, o 433 e o 434 vão para o Leblon e passam pela Av. Nossa Senhora de Copacabana e pela Lagoa. O 409 passa pelo Jardim Botânico e Humaitá. No aterro e na Cinelândia há mais opções de ônibus, embora nem sempre seja seguro ficar esperando condução naquela praça. Até o Leblon, uma corrida fica por menos de R$ 25.

Quem mora do outro lado da poça e não tem carro, não desista! Há vans e ônibus, que saem de Icaraí e passam pelo centro, que te deixam na Lapa. Se for de barcas, vai andar um pouco, de 20 a 30 minutos. Na volta, não há mais barcas nem ônibus. O jeito barato é pegar um táxi até o ponto final do 100, o motorista vai te cobrar R$ 7, nunca mais que isso. Ou então vá direto, negocie com o taxista. Por R$ 40 reais ele te leva até Icaraí, na porta de casa.