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16 agosto, 2010

Trilha do artista – Neil Young (Parte II)

Por Luiza Barros


Depois de exorcizar os demônios que o assombravam com a “trilogia da fossa”, (ler a primeira parte) o cantor e compositor Neil Young resolveu retomar a sua banda, o Crazy Horse, substituindo o falecido guitarrista Danny Whitten por Frank Sampedro. A nova formação apareceu pela primeira vez no álbum Zuma, de 1975. Outra parceria retomada foi com o amigo Stephen Stills, com quem compôs o disco de 76 Long May You Run creditado à The Stills-Young Band. No mesmo ano, Young ainda participou do famoso show do grupo The Band, The last waltz. Considerado uma das maiores apresentações de todos os tempos, o evento contou não só com a participação de Young, como de outras estrelas como Eric Clapton, Bob Dylan, Neil Diamond, Muddy Waters e Ronnie Wood. O show deu origem a um documentário de Martin Scorsece, e entre uma das polêmicas, estava o uso de drogas. Uma das cenas, que revela restos de cocaína no nariz de Young, foi editada durante a pós-produção.

Mas as drogas não impediram que a produção do compositor continuasse prolífica. Em 1978, o disco solo Comes a time marcou o antes tão evitado retorno ao folk de Harvest. Com o Crazy Horse, veio Rust never sleeps, de 79. O álbum, majoritariamente ao vivo, trazia canções acústicas no lado A e com instrumentos elétricos no lado B. O elogiado trabalho ainda rendeu um filme, dirigido pelo próprio Young. Não foi a única vez que o músico se interessou pelo cinema: em 1982 foi lançado o raro Human Highway, em que Young, além de atuar, assina a co-direção. Estrelado por Russ Tamblyn e Dennis Hopper, a comédia contava ainda com a banda new-wave Devo.

Fazer um filme com o Devo pode parecer estranho para um cantor de folk-rock, e de fato, os anos 80 foram um tanto quanto caóticos para Neil Young. Emocionalmente, o cantor se encontrava preocupado com o nascimento de seu segundo filho com deficiência mental, apesar das diferentes mães. Mais tarde, o cantor ainda descobriria que sua terceira filha também sofria de uma desordem grave, a epilepsia. No campo musical, Young experimentava cada vez mais, o que o levou a inevitáveis discordâncias com a sua gravadora. Mas se as músicas estavam cada vez mais diferentes das de outrora, os fãs saudosistas puderam matar as saudades em 1985, com a reunião do Crosby, Stills, Nash & Young no Live-Aid, após dez anos sem tocar junto. Depois disso, os quatro ainda resolveram lançar um disco de inéditas, em 88. Infelizmente, American Dream ficou muito abaixo das expectativas, sendo completamente rejeitado pela crítica.

A década seguinte seria mais tranqüila para Neil Young; a chegada dos astros do grunge teve como efeito colateral um aumento do prestígio de Young, depois de ele ter sido citado como influência de Kurt Cobain e Eddie Vedder. Essa nova era foi iniciada logo em 1989, com o lançamento de Freedom. Contando com a faixa “Rockin’ in the free world” como carro-chefe, o álbum já demonstrava o engajamento e a crítica social que marcaria os atos seguintes de Young. Em 1992, o bem recebido Harvest Moon traria mais uma vez a sonoridade de Harvest à tona, como já indica o próprio nome. A época também foi marcada por sua dupla consagração no Hall da Fama do Rock’n’Roll: primeiro em 1995, pela obra solo, e depois em 1997, como membro do Buffalo Springfield.

As provocações políticas de Young aumentaram ainda mais com a chegada do ano 2000 e a ascensão de George W. Bush no governo dos Estados Unidos. Se em Freedom o alvo era Bush pai, o álbum de 2006 Living with war fazia um ataque virulento ao filho, com a faixa de protesto “Let’s impeach the president”. Um pouco antes, em 2003, Young já falava de preocupações típicas do mundo pós 11 de setembro, no conceitual Greendale. O álbum, feito com o Crazy Horse, narrava uma história em uma cidade fictícia da California, e chegou a virar filme e história em quadrinhos. Depois de uma carreira tão frutífera, resta a nós acompanhar os próximos passos e correr atrás da vasta obra deste grande compositor do rock.



11 agosto, 2010

Trilha do Artista - Neil Young (Parte I)

Um artista que produz incansavelmente desde os anos 60 e que já esteve presente em grupos tão importantes quanto o seu próprio nome. Este é o canadense Neil Young, e reduzir toda a sua obra no espaço tolerável para um post é um inútil exercício contra a superficialidade. Por isso, logo aviso que não será possível aqui contar a trajetória completa deste artista; vou me estender apenas até o ano de 1975, e pontuar alguns dos eventos mais importantes, que não são poucos. Os anos posteriores ficam para uma próxima ocasião.



Nascido em 1945 em Toronto, Neil Young se encantou pelo rock’n’roll bem cedo, durante a infância nos anos 50, quando ouvia clássicos como Chuck Berry, Little Richard e Elvis Presley pela rádio. O divórcio dos pais, quando tinha 12 anos, fez com que ele se mudasse para a casa da família em Winninpeg. Foi quando ainda estudava lá que começou a formar as primeiras bandas. Não chegou a completar o ensino médio, e logo em seguida conheceu Stephen Stills, que viria a ser seu parceiro em diversos trabalhos. Outra pessoa importante que conheceu logo nos primeiros anos de atividade foi a cantora Joni Mitchell.

Embora tenha chegado a fazer turnês solo antes disso, a carreira de Young só deslanchou para valer em 1966, quando formou o Buffalo Springfield, ao lado de Richie Furay, Dewey Martin e o já citado Stephen Stills. Logo no ano seguinte da formação, a banda já havia lançado dois discos clássicos, o homônimo Buffalo Springfield e Buffalo Springfield Again (nomes criativos não eram uma especialidade deles). A banda não durou muito, terminando no simbólico maio de 1968. Em novembro do mesmo ano, Young já estava lançando um disco solo.

Mas a grande sacada veio no álbum seguinte, quando o compositor resolveu recrutar três músicos para o acompanharem. Os escolhidos foram Danny Whitten (guitarra), Bill Talbot (baixo) e Ralph Molina (bateria). Egressos de uma banda chamada The Rockets, o trio assumiu o nome de Crazy Horse, em alusão ao líder da tribo de nativos americanos Oglala Lakota, que lutou contra o governo dos EUA no século XIX. O primeiro fruto da parceria foi o eletrizante Everbody know this is nowhere, disco que contava, entre outras jóias, com “Cowgirl in the sand”.

Logo em seguida, mas uma reviravolta: depois de terem lançado o primeiro disco, David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash ofereceram a Young a chance de colaborar com o supergrupo que haviam acabado de formar, o Crosby, Stills & Nash. O convite foi aceito por Young, com a condição de que ele se tornasse fixo. E assim os três mosqueteiros viraram quatro: Crosby, Stills, Nash & Young. Juntos, lançaram o celebrado Déjà Vú e tocaram no festival de Woodstock. Um de seus grandes sucessos foi justamente a versão para a música de Joni Mitchell, então namorada de Nash, sobre o evento.

Engolidos pela própria grandeza, o grupo se dispersou após a turnê de 1970, e cada integrante foi se dedicar a trabalhos solo. No caso de Neil Young, este trabalho foi After the gold rush, que contou com a participação de Stills e do baixista do CSNY, Greg Reeves. Os elogios conquistados entre a crítica com este disco foi seguido pelo sucesso comercial da obra seguinte, Harvest, de 71. Gravado em Nashville, no Tennessee, a Meca da música country, “Harvest” contém a clássica “Heart of gold”, que alcançou o topo das paradas, e a dolorosa “Needle and the damage is done”, que lamenta o vício em heroína de Danny Whitten, Um ano depois do lançamento do disco, o integrante do Crazy Horse veio a morrer em decorrência de uma overdose.

Abalado pela morte de Whitten e de outro colega, o roadie Bruce Berry, o que Young produziu em seguida foi muito diferente do que se poderia esperar. Ao invés de tentar criar um novo “Harvest”, a depressão do cantor teve como resultado a chamada “ditch trilogy”, algo como “a trilogia da sarjeta”. Apesar do nome, ela inclui três dos mais finos trabalhos do compositor. O primeiro é Times fades away, disco ao vivo de 73. Embora tenha sido bem recebido pela crítica, “Times...” é o único álbum de toda a discografia de Young que até hoje não foi lançado em CD. O motivo principal são as memórias negativas da turnê. Resultado: a obra ganhou o status de raridade, e suas cópias em vinil são extremamente disputadas.

Em seguida veio On the beach, álbum de estúdio de 74. Um dos meus favoritos pessoais, o disco pode ser entendido como uma grande ressaca dos anos 60. Uma das melhores faixas, “Revolution Blues”, é também uma das mais polêmicas que Young já compôs: a música faz referência ao assassino Charles Manson, que o cantor chegou a conhecer pessoalmente. Da mesma forma que “Times...”, “On the beach” também já foi uma raridade, até seu relançamento em 2003, após muita reclamação dos fãs.

Finalmente, temos Tonight’s the night, em cuja capa vemos o rosto do cavernoso Neil Young daquela época na capa. Gravado em 1973, o álbum só foi lançado em 75. A razão do atraso era a esperança da gravadora de que Young produzisse algo mais comercial enquanto isso. Mas, como já vimos, não foi o que aconteceu. As letras de “Tonight...” foram compostas apenas alguns meses após as mortes de Whitten e Berry. Entre os destaques, está “Tired Eyes”, que mais uma vez volta a falar do embate de Whitten com as drogas. A dor ainda é tão presente quanto em “Times...”, mas para a nossa sorte, o talento também.

04 junho, 2010

Trilha do Artista - Djavan

Por Raiane Nogueira

“Cantar é mover o dom do fundo de uma paixão
Seduzir as pedras, catedrais, coração”


Ele é o cantor mais lembrado nos shows de barzinhos - "Toca Djavan"! Inspira romances, é o tema de milhares de casais apaixonados. E todos conhecem pelo menos uma de suas canções. Com grande sensibilidade para compor e uma voz inconfundível, Djavan nos seduziu e, por isso, será o homenageado de hoje em A Trilha Sonora.

Djavan Caetano Viana nasceu em Maceió, Alagoas, em 27 de janeiro de 1949. De origem humilde – filho de lavadeira, jogou como meio-campo no CSA (Centro Sportivo Alagoano). Aprendeu a tocar violão sozinho. Mal sabia que tinha um grande dom, que o tornaria um dos cantores e compositores mais prestigiados da MPB.

Aos 18 anos, montou o grupo Luz, Som, Dimensão (LSD), em Maceió, que se apresentava em festas da cidade. No ano seguinte, abandonou o futebol e, em 1973, partiu para o Rio de Janeiro. Aqui conheceu o produtor da Som Livre, João Mello, que o convidou para gravar músicas de outros compositores para novelas da Globo. Também cantou nas noites cariocas, nas boates Number One, em Ipanema, e 706, no Leblon.

Em 1975, teve a primeira oportunidade de mostrar seu lado autoral. Como compositor, conquistou o segundo lugar no Festival de Abertura, com Fato Consumado. A música deu origem a um compacto, que abriu as portas para o cantor. Desde então, são mais de 30 anos de carreira, 18 discos gravados e centenas de letras, que atravessam gerações. Para termos uma ideia do sucesso de Djavan, em 1984, Lilás foi executada mais de 1300 vezes no rádio só no dia de lançamento:



Com títulos curtos como o seu nome, as músicas de Djavan lhe renderam uma carreira consolidada dentro e fora do Brasil. Em 2000, o compositor ganhou o prêmio de melhor canção no primeiro Grammy Latino, com Acelerou. Respeitado no cenário internacional, ele já contou com a participação de Steve Wonder na música Samurai, do LP Luz (1982), gravado nos EUA.

Djavan costuma privilegiar as próprias composições. Apesar disso, não dispensa boas músicas de outros autores. O cantor já gravou Jorge Amado e Dorival Caymmi (Alegre Menina), Paulinho da Viola (Coração Leviano), Braguinha (Sorri – versão de Smile), Tom Jobim e Luiz Bonfá (Correnteza), Toquinho e Vinicius de Moraes (Calmaria e Vendaval). Também fez parcerias com artistas de sucesso como Gilberto Gil (Corisco), Chico Buarque (A Rosa) e Nelson Motta (Você bem sabe).

Nosso homenageado é o preferido para integrar trilhas sonoras de novelas. As músicas de Djavan estiveram presentes em Gabriela (Alegre Menina), Fogo sobre terra (Calmaria e Vendaval), Top Model (Oceano), Pacto de Sangue (Sorri), O rei do gado (Correnteza) e Belíssima (Sina), entre outras.

Muitas de suas canções ainda foram regravadas por cantores ilustres, como Nana Caymmi (Dupla Traição), Maria Bethânia (Álibi), Roberto Carlos (A ilha), Gal Costa (Açaí e Faltando um pedaço) e Caetano Veloso (Sina), que retribuiu a homenagem de Djavan em Sina, trocando o verbo inventado “caetanear” por “djavanear o que há de bom”.

Entre os 18 álbuns de Djavan, destaca-se o Ao Vivo (vol. 1 e vol. 2), gravado em 1999. Os CDs reúnem 24 grandes sucessos do cantor. É um desses discos que você precisa ter em casa. Muito bom! Seu trabalho mais recente é o CD Matizes, gravado em 2008.

Antes de encerrar, uma curiosidade: além do inquestionável talento como cantor e compositor, Djavan já se arriscou como ator durante alguns meses. Em 1983, o alagoano atuou no filme Para viver um grande amor, de Miguel Faria Jr., como um poeta-mendigo apaixonado por uma jovem rica (Patrícia Pillar).

De fato, as músicas de Djavan são poesia. E como poeta, ele muitas vezes é incompreendido. Suas letras às vezes parecem meio complexas, não é fácil entender. Mas, como afirma o texto disponível no site do cantor, que narra sua trajetória: “para quem o escuta com atenção, Djavan já revelou o seu sentido há muito tempo” (Betina Dowsley).



17 abril, 2010

Trilha do Artista - Radiohead

Por Luiza Barros


Uma nova década acabou de começar. Daqui pra frente, tudo o que aparecer de novo vai definir como esses dez anos vão ficar marcados no nosso imaginário coletivo. As roupas que os estilistas vão apresentar nas semanas de moda, as inovações tecnológicas que vão surgir, os filmes que veremos nos cinemas, os próximos vencedores da Copa do Mundo. A ascensão de novos líderes mundiais e as inevitáveis tragédias. E claro, as músicas que vamos ouvir. Muitos artistas vão aparecer ainda, sejam vindos do interior de Minas ou da Islândia (parentes da Björk?). Mas neste exato momento, antes de tudo o que está por vir, quem será que está no topo?

A minha resposta pessoal é o Radiohead. Consagrados pela crítica, adorados por milhões, a banda surgida em um longínquo 1988 consegue embasbacar a todos a cada lançamento. Vinte e dois anos após seu nascimento, o Radiohead nunca deixou de ser atual. Talvez, pela excelência de seu trabalho, que como o de titãs como Pink Floyd e Beatles, supera as barreiras do tempo.

O Radiohead surgiu na atmosfera universitária de Oxford. A formação original se mantêm até hoje, com Thom Yorke (vocais, guitarra e piano); Jonny Greenwood (guitarra principal, teclados, e qualquer outro tipo de instrumento que você pensar); Ed O’Brien (guitarra, vocais de apoio); Colin Greenwood (baixo, sintetizadores), irmão mais novo de Jonny; e Phil Selway (guitarra e percursão). Os rapazes se conheceram ainda na escola e formaram a banda On a Friday, alusão ao único dia em que todos podiam se reunir para ensaiar. Após um hiato de dois anos, a banda voltou com força em 1991, quando todos (menos Jonny) já haviam terminado a faculdade. As gravadoras logo se interessaram, e a EMI acabou ganhando os garotos. Com as coisas ficando sérias, resolveram procurar um nome melhor. Escolheram Radiohead, em alusão a uma música dos Talking Heads.

A banda estourou logo, com o hit “Creep”, do disco de estréia Pablo Honey. A música dizia basicamente tudo o que uma multidão de jovens sem rumo no começo dos anos 90 queria dizer mas não sabia como. Mesmo assim, a banda não ficou satisfeita com o resultado final da faixa. O carma com "Creep" só foi superado recentemente, quando a banda passou a aceitar tocá-la em shows.

Em 1995 veio The Bends. O Radiohead havia passado no teste do segundo álbum com êxito. Um disco maduro, repleto de canções de uma beleza angustiantes. Aqui estão velhas favoritas como “High and Dry” e “Fake Plastic Trees”. Bends fez a crítica associar a banda com o movimento Britpop, dos compatriotas Oasis, Blur e Pulp. A diferenciação com o que estava sendo feito pelos outros veio no trabalho seguinte, o lendário OK Computer, de 1997. Considerado até hoje por muitos a obra-prima do “Cabeça de rádio”, o disco fez a crítica dobrar os joelhos. Apesar negar o rótulo de “álbum conceitual”, todas as faixas parecem remeter a uma mesma sensação de asfixia. O clipe de “No Surprises”, logo abaixo, prova o que eu digo. Qual a melhor música? Sem dúvida a mais marcante é “Paranoid Android”, uma saga de mais de seis minutos que prova que Thom Yorke e seus amigos não estavam mais no mesmo mundo que nós. O nome é uma alusão ao andróide Marvin, da série O guia dos mochileiros das galáxias. Como se pode ver, o Radiohead sempre soube agradar aos nerds.


Radiohead - No Surprises

OK Computer não foi o auge, mas apenas o começo de uma nova era. A partir daí, a banda mergulhou fundo na experimentação. O primeiro resultado dessa viagem foi Kid A, lançado em 2000. Enquanto fãs que se identificavam com o rock mais palatável de The Bends se decepcionaram com as excentricidades de Kid A, muita gente do meio da música morreu de inveja da ousadia do Radiohead. “Como se atrevem, p...! Eles não são o Velvet Underground! Quem esses p... pensam que são?”, soltou a vocalista do Garbage, Shirley Manson. A estressada Shirley deve estar nesse momento mais tranqüila, descansando em paz no limbo das celebridades que cairam no ostracismo. Que Deus a tenha.

Outro incômodo de Kid A (desta vez, para o bolso da própria banda) foi ele ter vazado meses antes no falecido Napster. Apesar do choque na época, a banda mostrou depois saber encarar as mudanças na comercialização da música: o último álbum, In Rainbows, foi disponibilizado no próprio site oficial do Radiohead, numa campanha inovadora. Cabia ao fã decidir quantas libras o trabalho do grupo valia.

Um ano depois, foi a vez de Amnnesiac chegar às prateleiras e filas de download. O disco é uma espécie de irmão bastardo de Kid A, já que suas músicas foram feitas nas mesmas sessões do que o anterior. Apesar das misturas com o eletrônico, as guitarras em Amnesiac soam mais altas. No entanto, o retorno definitivo ao instrumento só veio com Hail to the thief, de 2003. Parecia que, depois de um longo exílio intergaláctico, a banda havia pisado de novo na Terra. E não parecia estar muito satisfeita com o que via. O título (que significa algo como “Viva o ladrão”)” é um trocadilho com a marcha “Hail to the Chief” (“Viva o Chefe”), usada para anunciar a entrada do presidente dos EUA. Embora a piada tenha sido criada nas eleições americanas de 1888, ela também foi utilizada em protestos contra a controversa eleição de George W. Bush em 2000. Vale lembrar, 2003 é o ano em que foi iniciada a Guerra no Iraque. Leitor de Naomi Klein e Noam Chomsky, Thom Yorke firmava suas posições políticas, mas sem descambar para a obviedade e o oportunismo típicos de alguns de seus colegas de profissão.

Entre o lançamento de Hail to the thief e In Rainbows, os integrantes da banda aproveitaram para se dedicar a projetos pessoais. Em 2006, Yorke lançou um disco solo, The Eraser. Jonny Greenwood assinou as trilhas sonoras dos filmes Bodysong, de Simon Pummel, e Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson. Esta última, um trabalho soberbo, com o qual ganhou o Critics’ Choice Awards. No momento, Greenwood trabalha na trilha de Norwergian Wood, filme baseado no romance de Haruki Murakami. E ainda aproveitaram para visitar o Brasil pela primeira vez, no festival Just a Fest. A banda se apresentou no Rio e em São Paulo em março do ano passado. Eu perdi a festa, mas das pessoas que foram, não vi uma até agora usando qualquer adjetivo abaixo de “inesquecível”. Depois da boa recepção de In Rainbows, basta saber o que o Radiohead nos promete nessa década por vir.

Pesquisa: Green Plastic , Beijar o Céu, de Simon Reynolds, 1001 discos para ouvir antes de morrer, org. Robert Dimery.

03 abril, 2010

Trilha do Artista - Oasis



“Olho para Chris Martin (vocalista do ColdPlay) que diz que nunca consumiu drogas em sua vida e penso que é um idiota. Drogar-se é o melhor de estar em uma banda de rock. Até 1998, devo ter gastado pelo menos 1 milhão de libras esterlinas. Depois abandonei, porque faz mal à saúde, ao cérebro, à vida, às pessoas que estão a seu redor. Mas, enquanto as consome, exceto a heroína que mata as pessoas e nunca provei, 'mamma mia', como vocês dizem", essa entrevista dada a um jornal italiano, é apenas uma das várias declarações polêmicas de Noel Gallagher, líder do Oasis.

A banda inglesa, marcada por discussões entre os irmãos Noel e Liam Gallagher, surgiu em 1991 e reapresentou o rock do Reino Unido ao mundo, que à época se fartava do grunge do Nirvana.
No início da década de 90, Paul McGuigan (baixo), Paul “Bonehead” Arthurs (guitarra), Tony McCarroll (bateria) e Chris Hutton (vocalista), formavam a banda The Rain e precisavam muito de um vocalista. É aí que surge o nome de Liam Gallagher, que chegou botando banca e mudou o nome da banda para Oasis.

Noel, irmão mais velho de Liam e roadie da banda Inspiral Carpets, foi acompanhar o primeiro show dos garotos no clube Boardwalk, em Manchester. Porém, achou o som do Oasis pouco original. Quando convidado a entrar na banda, viu uma boa oportunidade para tocar suas próprias composições e impôs uma condição: teria que ser do jeito que ele quisesse. Noel Gallagher queria ser líder supremo do Oasis.

A princípio a nova formação deu certo e eles gravaram a primeira fita demo, Live Demonstration. Não demorou muito para a trupe comandada pelos irmãos Gallagher fosse descoberto por empresários. Em maio de 1993, o grupo foi descoberto por Alan McGee, sócio da gravadora Creation Records, que ofereceu um contrato aos integrantes após um show em Glasgow, na Escócia.

No ano seguinte o Oasis lançou Definitely Maybe, seu álbum de estréia que entrou nas paradas com hits como Rock’n’Roll Star, Live Forever, Supersonic e Cigarrettes & Alcohol. Com o primeiro disco começaram a aparecer as primeiras brigas entre os Gallagher. Em 95 o Oasis conseguiu chegar ao primeiro lugar nas paradas, com o Single “Some Might Say”. Ao mesmo tempo o baterista Tony Macrroll não conseguiu mais aturar as lutas de ego da banda e pediu pra sair, alegando "conflito de personalidades".

O segundo CD do Oasis, (What’s the Story?) Morning Glory se tornou o maior êxito do grupo. Com mais de 30 milhões de cópias vendidas até hoje, o disco rendeu sucessos como Wonderwall, Don’t Look Back in Anger e Champagne Supernova. O hit Wonderwall foi eleita a melhor música da década de 90, segundo a rádio britânica Virgin.Talvez pelo sucesso estrondoso desse disco e pela pressão por outro trabalho de excelência, o Oasis não conseguiu acertar a mão e o sucesso foi se corroendo.


Invariavelmente a crítica se decepcionava com os novos trabalhos da banda, que também se perdia em brigas entre si. Lançado em 97, Be Here Now foi duramente criticado pela mídia, mesmo assim emplacou canções como Stand By Me e All Around the World. em 2002 o Oasis lançou o álbum Heathen Chemistry. Mais uma vez o lançamento foi aguardado com muita expectativa, mas o disco não empolgou e a crítica acabou colocando ele no limbo da discografia dos britânicos.

Até que em outubro do ano passado Noel confirma sua saída definitiva do grupo. “É com alguma tristeza e grande alívio que eu digo a vocês que saí do Oasis esta noite. Pessoas escreverão e dirão o que quiserem, mas eu simplesmente não consigo continuar a trabalhar com o Liam nem por mais um dia”, disse o guitarrista em carta aos fãs. Porém, há boatos que Liam Gallagher pode reavivar o Oasis. O vocalista, eleitor maior líder musical de todos os tempos, diz que “vai seguir adiante sem ele (Noel Gallagher). O grupo vai mudar de nome porque não seria a mesma coisa, mas o resto da banda está comigo". É esperar e ver o resto dessa história, que ainda está longe do fim.

Saiba um pouco mais da história do Oasis na voz de artistas

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28 março, 2010

Trilha do Artista - Rolling Stones

Por Luiza Baptista
O Rolling Stones esmagou a concorrência e venceu a enquete de A Trilha Sonora. Essa é a maior biografia já feita por essa blogueira que vos fala. Afinal, os dinossauros do rock têm muita história para contar nesses quase 48 anos de banda. Para começar, nada melhor que o início. Em 25 de maio de 1962 é formada a banda Rolling Stones. A banda de rock inglesa tinha em sua estreia: Mick Jagger (vocal, guitarra e gaita), Keith Richards (vocal e guitarra), Brian Jones (guitarra), Bill Wyman (baixo) e o baterista Charlie Watts entrou logo depois. E, desde então, foram o inverso do rock bem comportado dos Beatles. Apesar das diferenças, os Beatles e Rolling Stones foram as bandas mais importantes da Invasão Britânica dos anos 60.

Como toda boa história inglesa, essa também teve início em uma estação de trem (a JK Rolling teve a ideia para Harry Potter numa viagem de trem). Na estação de Dartford, dois amigos de infância se reencontram e descobrem o interesse por blues e rock. Keith e Mick são então convidados por Brian Jones para fazer parte dessa banda com o nome inspirado em uma canção de Muddy Waters, Rollin’ Stone. Para completar a formação, Bill Wyman foi acrescentado à banda. O motivo? O baixista tinha mais de um amplificador. Assim surgia os Rolling Stones.

Co-fundador do grupo, o pianista Ian Stewart gravava com a banda, mas não posava como membro. Aparentemente, a sua imagem pessoal não tinha o sex-appeal necessário para fazer parte dos Rolling Stones. O pianista morreu em 1985, e recebeu uma homenagem no álbum da banda. O sexto Stone é lembrado em Dirty Work em 1986.

A banda logo assinou com a Decca Records, aquela gravadora que recusou os Beatles. E o empresário promoveu a rebeldia da banda e criou a pergunta: Você deixaria sua filha se casar com um Rolling Stone?

O primeiro álbum, The Rolling Stones, saiu em 1964. Mas o material ainda não tinha muitas composições da famosa dupla Jagger e Richards, conhecidos como The Glimmer Twins. O segundo CD em 1965 já conta com as composições da dupla, e é no mesmo ano que os Stones lançam (I can’t get no) Satisfaction, o maior hit da banda.

Em 1971, é lançado o álbum Sticky Fingers, com capa de Andy Warhol. Bill Wyman quando deixou o grupo em 1993 montou um pub em homenagem ao álbum. Sticky Fingers, seu pub londrino, tem fotos, instrumentos e lembranças dos Stones. Foi o primeiro CD a mostrar o logotipo da boca, produzido por John Pasche.
Três anos depois Ron Wood assume a segunda guitarra, com a saída de Mick Taylor (entra em 1969 e sai em 1974), e permanece até hoje na banda.

Nos anos 80, o relacionamento entre os membros da banda já não era dos melhores. Jagger e Richards se desentendiam com frequência. E a mídia especulava sobre o possível fim da banda. Apesar disso, os Rolling Stones ainda lançavam discos de sucesso.



Quando todos esperavam o fim dos Rolling Stones, eles voltam e gravam The Bigger Bang. O CD foi gravado depois que Charlie Watts passou por um drama pessoal, o baterista foi diagnosticado com câncer na garganta em junho de 2004, e em menos de um ano estava curado.O álbum foi lançado em 2005, e marca um retorno da banda ao rock and roll do começo.

No dia 18 de fevereiro de 2006, a banda fez um show histórico nas areias de Copacabana. No Brasil para a turnê A Bigger Bang, os Rolling Stones reuniram cerca de 1,5 milhão de pessoas. Foi o maior show da banda, talvez o maior concerto de todos os tempos.

Em 4 de abril de 2008 é lançado The Rolling Stones Shine a Light. Dirigido pelo aclamado diretor, e fã da banda, Martin Scorsese, o filme saiu de duas apresentações em Nova Iorque, e contou com a presença de Jack White, Christina Aguilera e Bluesman Buddy Guy. O filme pega imagens do começo da carreira e mistura com declarações atuais.



A história da banda sempre foi cheia de polêmicas. Os Stones chegaram a receber acusações de satanismo, em grande parte pela música Sympathy for the Devil, que Jagger diz ter sido inspirada numa visita a um centro de Candomblé na Bahia.

Algumas polêmicas envolvendo os Stones ganharam as manchetes policiais. Em 1969, Brian Jones morreu afogado na piscina de sua casa em Sussex dias depois de deixar a banda. Na época duas versões foram debatidas: uma dizia que Jones se afogou pelo excesso de drogas e álcool, e outra versão culpava um dos homens que trabalhava em uma obra na propriedade. Em 1993, Frank, um dos homens que trabalhava na tal obra, assumiu em seu leito de morte o assassinato de Brian Jones.

Além da morte do guitarrista, os Rollings Stones têm outros casos em sua biografia. Num show na Califórnia, quatro pessoas morreram durante a apresentação. Os seguranças do show eram Hell's Angels, conhecidos pela grosseria e arrogância, então várias pessoas foram agredidas mesmo antes do show. Quando os Stones subiram ao palco, a violência com o público foi ainda maior, e a agressão resultou na morte de quatro fãs. O assassino foi julgado e inocentado por legítima defesa. O dia 6 de dezembro de 1969 está registrado no filme Gimme Shelter, lançado um ano depois.

Pesquisa: Wikipedia

21 fevereiro, 2010

Trilha do Artista - Os Mutantes

Por Mariana Coutinho

“Eu juro que é melhor
Não ser um normal (...)
Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz
Eu sou feliz”

Normais, essa era a última palavra que se usaria para classificar Os Mutantes quando a banda surgiu nos anos 60. Enquanto as pessoas na sala de jantar se ocupavam em nascer e morrer, três jovens resolviam se reunir para fazer experimentações musicais. Tudo começou em 1964 quando os irmãos Arnaldo Baptista e Sérgio Dias montaram uma banda chamada The Wooden Faces. Em 1966 chamaram a paulista Rita Lee Jones para se unir ao grupo, que passou a se chamar O Conjunto; e depois Os Mutantes, nome sugerido por Ronnie Von que estava lendo a ficção científica O Império dos Mutantes, do francês Stefan Wul. E então o trio estava formado; Rita nos vocais, Arnaldo no baixo e Sérgio na guitarra.

Os Mutantes ficaram conhecidos a partir de suas aparições em programas de auditório, como “O pequeno mundo de Ronnie Von”, “Jovem Guarda” e “Astros do Disco”. Já em 1967, o grupo se envolveu no movimento tropicalista, com o convite para tocar “Domingo no Parque” com Gilberto Gil no III Festival de MPB da TV Record. Com os arranjos elaborados do maestro Rogério Duprat, os Mutantes sintetizavam o som da Tropicália.

Em 1968, o grupo lançou seu primeiro LP, Os Mutantes, que era inovador, totalmente experimental e tinha muitas influências dos Beatles. Nesse mesmo ano a banda participou do disco manifesto do movimento tropicalista, Tropicália ou Panis et Circensis. No ano seguinte, foi lançado o segundo álbum da banda, Mutantes, já com a participação dos dois novos integrantes; Dinho Leme na bateria e Liminha no baixo.

Assista abaixo Os Mutantes cantando Panis et Circensis em 1969:

Em 1970 já com o ‘fim’ da Tropicália, lançaram o disco A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado, um marco na carreira do grupo. Nesse álbum Os Mutantes abraçam de vez o rock’n’roll. Em 1971 Rita e Arnaldo se casaram. Segundo ela, o enlace foi só um jeito de ganhar independência dos pais. Diz a lenda que os irmãos Baptista disputaram no palitinho para decidir quem assinava a certidão de casamento. Então não é de se espantar que o casal tenha rasgado o documento logo após a lua-de-mel, no programa de TV comandado por Hebe Camargo.

No ano seguinte foi lançado mais um disco, Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets, o último com a participação de Rita Lee que sairia logo depois para seguir carreira solo. Esse disco mostrou uma nova direção para a banda, o rock progressivo.

Em 1973 Os Mutantes gravaram o álbum O A e o Z que não foi aprovado pela gravadora na época e só foi lançado em 1992. Daí pra frente o grupo passou por uma série de mudanças. Arnaldo, desorientado pelo uso do LSD, deixou a banda, seguido por Liminha. Os Mutantes sobreviveram até 1978, apenas com Sérgio Dias da formação original, mas depois de alguns desentendimentos o guitarrista resolveu pôr fim ao grupo.

Mas a história não acaba por ai. Em 2006 Os Mutantes voltaram. Arnaldo Baptista, Sérgio Dias, Dinho Leme e a carioca Zélia Duncan, substituindo Rita Lee, se apresentaram na Europa, nos EUA e fizeram uma turnê no Brasil com direito a show nos festejos do 453º aniversário da cidade de São Paulo. Em 2007 Zélia e Arnaldo deixaram o grupo; mas Sérgio e Dinho continuaram e gravaram uma música inédita d’Os Mutantes em mais de trinta anos, Mutantes Depois.

06 fevereiro, 2010

Trilha do Artista - Édith Piaf


No dia 19 de dezembro de 1915 nascia em Paris, Édith Piaf. Uma lenda conta que a cantora Annetta deu a luz à pequena Édith na calçada da Rue de Belleville. Uma lenda, como eu disse, já que a certidão de nascimento da menina citava o Hospital Tenon. Seja como for, Édith Giovanna Gassion não nasceu em um ambiente familiar convencional. Muito pelo contrário! Sua mãe era uma cantora frustrada; cantava por vezes em um Café e por outras na rua em troca de esmolas. Seu pai Louis-Alphonse, um acrobata de rua normando,também não lhe dava muita atenção.

Ainda muito criança, Édith foi deixada aos cuidados da avó paterna que simplesmente...era dona de um bordel na Normandia. Dos 3 aos 7 anos Édith ficou cega por conta de uma inflamação na córnea. Reza mais uma lenda que a menina só ficou curada depois que as prostitutas da casa em que morava a levaram para pedir graças a Santa Terezinha. O fato é que Édith, a partir daí, ficou devota da santa e sempre lhe pedia graças.

Por volta de 1922, o pai foi buscá-la na casa da avó e levou-a com ele para suas apresentações em circos itinerantes e mais tarde em shows de rua. Aos 15 anos, Édith deixou o pai e juntou-se a uma amiga para cantar nos subúrbios de Paris. Ainda adolescente, experimentou a primeira paixão, pelo entregador Louis Dupont. Desse namoro nasceu Marcelle, única filha de Édith, que morreu aos 2 anos de meningite.

Quando tinha 20 anos, a cantora de rua conheceu Louis Leplée, dono de um cabaré na Champs Élysées. Foi ele que a batizou de “La Môme Piaf” e a iniciou na vida artística. ‘Piaf’ quer dizer algo como ‘pardal’, e ‘la môme’ (criança, pequena) se referia aos 1,42m de altura da moça. No ano seguinte Piaf já assinaria um contrato de gravação com a Polydor e lançaria ‘Les Mômes de La Cloche’, um sucesso imediato.


No final da Segunda Guerra Mundial, Piaf já era internacionalmente conhecida. Em 1945 compôs sua mais célebre canção: La vie en rose. Três anos depois, durante sua estadia nos Estados Unidos, ela conheceu o amor de sua vida; o pugilista Marcel Cerdan que, apesar de casado, iniciou um intenso romance com Piaf. No ano seguinte, Édith mergulhou em um mar de sofrimento; Marcel morreu em um acidente de avião. Nessa época Piaf começa a tomar altas doses de morfina todos os dias para aliviar a poliartrite aguda e a depressão pela perda do amante.

Daí para frente, Édith casou-se mais de uma vez, teve alguns romances não-oficializados, fez filmes e gravou muitas canções como Hymme à l’amur, Mon Dieu e Millord, mas não era mais a mesma. Um acidente de carro e as injeções de morfina combinados com um estilo de vida regado a exageros deterioraram ainda mais a sua saúde frágil. E aos 47 anos (1963), Édith Piaf morreu, já em coma, em conseqüência de uma hemorragia interna.

Apesar de uma vida sofrida, Piaf não era uma mulher infeliz e não se queixava do destino; como canta na música Non Je Ne Regrette Rien (Non! Je ne regrette rien/ C'est payé, balayé, oublié/Je m'en fous du passé – Não! Eu não lamento nada/Está pago, varrido, esquecido/ Não me importa o passado) que você pode assistir abaixo:



Em 2007 foi lançado um filme biográfico de Édith Piaf: ‘La Môme’, que em português se chama ‘Piaf – Um hino ao amor’ com uma interpretação maravilhosa de Marion Cotillard que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz. Para ver o trailer do filme clique aqui.

Pesquisa: Wikipedia, Terra, Filme 'La Môme' (2007)

31 janeiro, 2010

Trilha do Artista - Luiz Melodia em entrevista exclusiva!


Dia 7 de janeiro de 1951. Morro do São Carlos, Estácio, Rio de Janeiro. Nome: Luiz Carlos dos Santos.

O que poderia ser uma ficha policial é o registro de nascimento de Luiz Melodia, um dos cantores mais respeitados do Brasil. Como o próprio Melodia diz, alguns amigos da época de favela viraram bandidos. Para sorte dele, e nossa, a música recrutou esse ‘negro gato’ para a MPB.

Filho único, via desde cedo o pai, Oswaldo Melodia, batucar sambas antigos com os amigos. A mãe, Dona Eurídice, não gostava nada do interesse do pequeno filho pela música. Queria que fosse doutor ou engenheiro. Mas, além do sobrenome artístico, o garoto Luiz herdou a vocação de músico, que extrapolou o samba.

Luiz Melodia é muito mais que um sambista, é da MPB. Era influenciado pela Jovem Guarda, por Bossa Nova, contrariando o estereótipo de que quem é do morro só pode ser sambista. Só foi se dedicar ao samba agora, nos 3 últimos discos. Antes, era pura MPB.

E foi como músico e compositor popular que o poeta Wally Salomão descobriu ‘Melô’, como é conhecido pelos amigos. Salomão freqüentava o morro do São Carlos, mas essa história você vai ver melhor contada pelo próprio Luiz Melodia. O ‘A Trilha Sonora’ gravou uma entrevista exclusiva com ele. O cantor conta tudo, da sua história, de como Gal Costa descobriu o maior sucesso dele: Pérola Negra, da fase ator e até que já fumou uns baseados.

Ninguém melhor que o próprio para contar sua história. Então, respeitável público, com vocês Luiz Melodia:

21 janeiro, 2010

Trilha do Artista - Beyoncé

Por Luiza Baptista

Dona de um dos hits que mais tocou em 2009, Beyoncé Knowles foi presença constate na mídia. Responsável pelo sucesso da cantora, Single Ladies recebeu um clipe bem coreografado, com uma Beyoncé sem medo de mostrar suas tão conhecidas curvas e seus passos de dança. O vídeo feito com a cantora e duas dançarinas não demorou a ser copiado e espalhado pelo You Tube. Até Justin Timberlake fez sua versão, fiel ao figurino original, o cantor pop vestiu o maiô preto e não esqueceu o salto alto.

Mas o ano de 2009 também trouxe polêmicas envolvendo o nome da cantora. Em outubro, durante um prêmio da MTV estadunidense, Kayne West interrompeu o discurso de Taylor Swift para dizer que Beyoncé merecia ganhar. E, recentemente, diversos sites de fofoca revelaram que a cantora recebeu dois milhões de dólares por um show particular que fez para o filho de um ditador libanês. Além disso, Beyoncé criou polêmica quando processou a marca de cosméticos L’Oréal por clarear digitalmente seu tom de pele em uma propaganda.

O pai da cantora investiu na carreira da filha, e abandonou seu emprego para se dedicar totalmente à carreira da menina. Nascida em 4 de setembro de 1981, a atual mulher do rapper Jay-Z começou a carreira no grupo Destiny’s Child em 1997. Como vocalista do grupo, alcançou o sucesso com hits como Survivor, Independent Women e Say my name. O grupo chegou a ganhar uma estrela na Calçada da Fama. Na carreira solo a cantora lançou três álbuns: Dangerously in Love, B'Day e, mais recentemente, I Am... Sasha Fierce. O sucesso de Beyoncé não se resume ao mundo da música, a cantora já se arriscou no cinema, e chegou a ser indicada para o Globo de Ouro pela atuação em Dreamgirls, versão cinematográfica de um sucesso da Broadway. A verdade é que a cantora quer um Oscar, e o musical foi uma das tentativas para ganhar o grande prêmio da Academia. Mas Jennifer Hudson roubou a cena, e também o Oscar de Beyoncé. A cantora atuou também ao lado de Steve Martin no filme A Pantera Cor-de-Rosa.

Knowles foi eleita uma das melhores artistas da década pela revista Billboard, e é a cantora mais rica com menos de 30 anos pela eleição da revista Forbes. A cantora também é reconhecida nos prêmios de música: já ganhou dez Grammy Awards e foi indicada para mais dez este ano.

Beyoncé aterrissa em terras brasileiras no começo de fevereiro, e tem shows confirmados no Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis e em Salvador, onde terá a companhia de Ivete Sangalo.

Pesquisa: Wikipédia