30 novembro, 2009

Trilha do Fã - Depoimento de Lucilia Bortone

Por Luiza Baptista

O segundo depoimento é de uma fã que já conseguiu encontrar seus ídolos duas vezes. Lucilia Bortone, 20 anos, é fã da banda britânica McFly e estuda jornalismo em Juiz de Fora – MG. Louci, como é conhecida, descreveu sua experiência sob o título “A saga do encontro”:

“10 de outubro de 2008

Meu dia começou agitado: aula e o nervosismo de ver ao vivo, pela primeira vez, as quatro pessoas que participaram da minha vida naqueles últimos três anos sem saber.

Saí de Juiz de Fora um pouco antes das onze da manhã, obrigando meu pai a ouvir McFly até chegar lá. Resolvemos seguir pelo Aterro do Flamengo e passar na porta do Vivo Rio: a fila era imensa, estava quase perdendo as esperanças de poder ver de perto o McFly. Encontrei minha mãe e alguns minutos depois o telefone dela toca. Era o Luiz, primo dela que trabalha na EMI – quando saiu a confirmação da vinda do McFly para o Brasil eles não tinham assinado com a EMI ainda, então para mim a chance de conhecê-los era remota.

O segredo revelado, meus pais sabiam menos eu: Luiz tinha conseguido permissão para me levar ao camarim. Era uma mistura de sentimentos que não é possível explicar. Luiz ligou de novo: ele passaria para nos pegar às 19h depois que ele saísse do escritório da EMI na Barra. Seis e meia, Luiz liga: estava preso no engarrafamento na Barra, teríamos que ir de táxi. Sete da noite. Entramos no táxi. Laura me liga dizendo que já estava dentro do Vivo Rio. Comecei a me preocupar.

Sete e vinte. Entramos na fila e Luiz preso no engarrafamento. Oito horas. Nossa vez de entrar e nada do Luiz. Oito e quinze e ele chega, com um presente: o Radio:Active. O CD tinha acabado de chegar na EMI e ele levou para mim. O coração já batia mais forte. A banda de abertura tocando e os meninos não tinham chegado ainda – estavam no hotel fazendo fotos para uma revista. Oito e vinte e cinco: a van. Nunca fiquei tão feliz por ver uma van. Muita gente esperando por eles. Tom saiu, acenou para nós. Danny saiu em seguida e fez o mesmo. Vi Harry sair, mas não vi o Dougie. O Portão abriu para nós. Conversei com um monte de gente que até hoje não sei o nome, rendeu até uma foto. Oito e meia. Eu era a oitava na fila. Passei na frente porque as meninas que estavam na minha frente queriam tirar foto juntas. Quando me virei vi Danny olhando para mim. Nunca imaginei que os olhos dele fossem tão azuis. Não conseguia parar de sorrir. Cumprimentei cada um deles, todos muito simpáticos. Harry ainda estava um pouco abatido porque pegou uma gripe. Oito e trinta e quatro: a minha foto e o meu dia.”

No ano seguinte a banda voltou para uma pequena turnê de shows pelo Brasil. No próximo post teremos Louci e sua “Saga do encontro parte 2”. Aguardem.

A Louci é a segunda menina da esquerda para direita. Para as fãs do McFly: ela está entre o Tom e o Harry.


Em breve a biografia do McFly. A banda ganhou a primeira enquete do blog e logo sua história vai estar por aqui.

29 novembro, 2009

SleeveFace - Be The Vinyl



Minha avó tem uma coleção de vinis empoeirados. Eu achei que eles não servissem mais para nada (eram até legais, mas nem temos mais aparelho para ouvi-los). Até que descobri um site chamado Sleeveface, clicando em um dos muitos links encurtados que recebo no twitter. Na tradução literal, sleeveface significa ‘cara de capa’. Basicamente, o site exibe fotos de pessoas que posam com capas de discos de vinil.

Falando assim parece uma coisa extremamente boba e totalmente sem graça. Mas é claro que antes de começar a ler, você já deve ter dado uma olhada na imagem acima, e se for ainda mais apressadinho, possivelmente já desceu a barra de rolagem e viu as outras imagens que ilustram essa matéria. Pois é. Com um pouco de criatividade e uma boa coleção de discos é possível fazer imagens muito legais e arrancar um belo sorriso dos amigos, ou de um internauta desavisado que clicar em um link desconhecido no twitter.


Tudo começou com uma visita do radialista John Rostron e seus amigos a um bar na cidade de Cardiff, no País de Gales. Depois de atacar de DJs eles começaram a brincar com capas de vinis e a tirar fotos. Ele conta que no dia seguinte eles mostram as fotos aos colegas de trabalho e acharam que seria divertido tirar mais algumas e colocá-las em um website. E o que começou como uma diversão entre amigos acabou se transformando em um grande sucesso na internet.

Agora as sleevefaces não aparecem apenas no site criado pelos galeses, mas tem grande presença no Flickr, Facebook e em vídeos hospedados no YouTube, como o que você pode ver abaixo, o ‘SleeveFace Dance’:


John Rostron conta que algumas lojas especializadas em vinil já entraram em contato com o site dizendo que os clientes estavam tirando fotos com as capas dos discos dentro das lojas. Como se pode ver, não é preciso ter uma coleção enorme de vinis para começar a fazer sleevefaces. Basta um pouco de criatividade. Mas se você ainda não tem ideia de como tirar fotografias com vinis, assista abaixo a um vídeo que ensina a técnica de sleeveface em apenas alguns passos:

Depois de todo esse sucesso na Web, foi lançado um livro com 192 páginas só de SleeveFaces, organizadas por Carl Morris e John Rostron. Segundo o site oficial, o livro 'SleeveFace' já tem distribuição em livrarias da América Latina.

Agora que você já sabe o que fazer com os vinis da sua avó: divirta-se, fotografe e mande sua sleeveface para ‘A Trilha Sonora’, pelo e-mail atrilhasonora@gmail.com .


Pesquisa bibliográfica: SleeveFace.com, BBC, G1

Trilha Antiga - The Queen Is Dead (The Smiths)

The Smiths - The Queen Is Dead
1986
Rough Trade
Produção: Johnny Marr/Morrissey
Projeto Gráfico: Caryn Gough/Morrissey
Nacionalidade: Inglaterra
Duração: 36:47

(1.The Queen Is Dead/2.Frankly, Mr.Shankly/3.I Know It's Over/4.Never Had No One Ever/5.Cemetry Gates/6.Bigmouth Strikes Again/7.The Boy With The Thorn In His Side/8.Vicar In a Tutu/9.There's a Light That Never Goes Out/10.Some Girls Are Bigger Than Others)


“A rainha está morta, garotos.” Foi o que avisou Steven Patrick Morrissey à juventude inglesa em 16 junho de 1986, quando foi lançado por lá The Queen Is Dead, o terceiro – e mais famoso – albúm de sua banda, The Smiths. A frase resume a insatisfação com a velha Inglaterra não só do cantor, mas de toda uma legião de jovens desamparados em meio à breguice e ao consumismo dos anos 80. E ele não tinha medo de apontar culpados – a família real e a primeira-ministra Margareth Thatcher entre eles.

Enquanto a música pop se embebedava em baladas pasteurizadas e faixas entupidas de sintetizadores e batidas eletrônicas, o Smiths apostavam simplesmente na habilidade de seus músicos: Mike Joyce na bateria, Andy Rourke no baixo, e claro, o genial compositor Johnny Marr na guitarra. Não que a produção fosse desleixada. Pelo contrário. O perfeccionismo da banda fica evidente em The Queen Is Dead. Cada detalhe parece estar em seu devido lugar, com a sua devida execução.

Deveria ter avisado antes, mas sou suspeita para falar desse disco. Afinal, sou uma dos que tiveram a vida salva pela banda. Ou para ser menos dramática, pelo menos nos momentos mais espinhosos da adolescência. Melancólico que só ele, as letras de Morrissey são de acabar com qualquer um. Unidas às melodias arrebatadoras de Marr, mais ainda. Ao mesmo tempo, não deixa de ser reconfortante saber que você não é o único na vida que sofre de amor – ou como é comum na temática da banda, pela falta dele. Escutem “I Know It's Over” e “Never Had No One Ever” e vocês vão entender do que eu estou falando. Os Smiths souberam falar sobre a solidão como ninguém, muito antes da pieguice dos emos torná-la patética. Não. Aqui, ela era poética, isso sim.

Mas não é só de tristeza que o disco fala. Um lado menos comentado, mas nem por isso menos inspirado de Morrissey e Marr é o humor da dupla. Para letras cômicas, irônicas e caústicas, ritmos semelhantes. Nessa categoria, “Cemetry Gates” é a favorita. Afinal, nada como um pavoroso dia ensolarado para se encontrar no cemitério e discutir literatura. E também há “Frankly Mr Shankly”, que divide opiniões: uns amam, outros detestam. Eu pessoalmente não gosto muito. Já a Mariana Coutinho adora!

Só que de todas as dez maravilhosas faixas do disco, há duas que marcam em especial, e que sempre se revezavam nas minhas listas de favoritas dos Smiths: “There's a Light That Never Goes Out” e “The Boy With The Thorn In His Side”. As duas com uma beleza impossível (pelo menos para mim) de explicar. Melhor conferir o vídeo abaixo. Curioso é que, ao contrário da maioria das músicas dos Smiths, aqui ainda há esperança. Mesmo que ela seja de ao menos morrer ao lado de quem se ama, ou de algum dia, quem sabe, ser compreendido.



Um ano depois de The Queen Is Dead, os Smiths teriam seu fim. Mas a mensagem deles perdura. Em suas apresentações, Morrissey costumava, simplesmente, distribuir flores para o público. Ainda há espaço para o lirismo, parecia dizer, apesar da alienação da mídia, das mentiras dos políticos, da superficialidade das pessoas. E mais de vinte anos depois, eu, romântica que sou, continuo a acreditar.

Dados técnicos do disco retirados do livro "1001 discos para ouvir antes de morrer", org. Robert Dimery

28 novembro, 2009

Trilha Certa - Circo Voador

Por Robson Sales

“Todo domingo estava eu, dançando gafieira ao som da Orquestra Tabajara”, relembra Robson Sales, meu pai e um ex-frequentador assíduo da Domingueira Voadora, um baile que encerrava o fim de semana no Circo Voador.

Mas a história do Circo Voador vai muito além dos bailes de dança de salão...

Um grupo de artistas, liderados por Perfeito Fortuna e a trupe Asdrúbal Trouxe o Trombone, estavam carentes de espaço quando tiveram a ideia de montar uma lona cultural. Primeiro, o circo foi armado na praia mais famosa dos anos 1980: o Arpoador, em Ipanema. O que era para durar apenas o mês de janeiro, se estendeu por todo o verão de 1982. Se não fosse a fiscalização retirar a lona azul e branca, as apresentações continuariam inverno afora.

O sucesso empolgou os produtores, que procuraram alternativas para continuar o projeto. Até que, em 23 de outubro de 1982, a prefeitura cedeu um terreno sob os Arcos da Lapa, e entre 54 palmeiras imperiais pousou o novo Circo Voador.

As luzes do sucesso estavam viradas para o Circo, que foi o berço do Rock Brasil e de bandas que marcaram uma geração como Barão Vermelho, Blitz e Paralamas do Sucesso. Já nos anos 1990, a histórica casa foi porta de entrada para talentos como Lenine, Cidade Negra, e O Rappa.

Mas as dívidas fecharam o Circo Voador em 1996. Além disso, a casa não conseguia manter os vizinhos longe do barulho das guitarras, até que a Prefeitura carioca cassou o alvará. Porém, nenhum outro espaço físico surgiu como alternativa e, em julho de 2004, o Circo Voador voltou ao Rio de Janeiro e à cultura brasileira.

O Circo Voador é mais que uma casa de shows. O Circo fomenta cultura, forma artistas e abriga alguns movimentos culturais mais importantes para a cidade do Rio de Janeiro.

A aura que ronda o Circo atravessou mares e quando a banda escocesa Franz Ferdinand veio ao Brasil, fez questão de tocar na histórica e aconchegante casa de espetáculo. Da Zona Sul à Zona Norte, quem for ao Circo Voador vai se sentir bem recebido. Há uma magia por lá, que faz o show ser ainda melhor!

Chegar lá é simples, a Lapa fica próxima a Cinelândia e ao Passeio Público. Mas estacionar o carro é ruim.

De ônibus, se você vem da Zona Norte pode pegar o 433 ou 434, que passam em frente ao Circo Voador. De táxi, até o maracanã dá, no máximo, R$ 15. Ainda há o metrô, que circula até meia-noite.

Para Zona Sul, o 433 e o 434 vão para o Leblon e passam pela Av. Nossa Senhora de Copacabana e pela Lagoa. O 409 passa pelo Jardim Botânico e Humaitá. No aterro e na Cinelândia há mais opções de ônibus, embora nem sempre seja seguro ficar esperando condução naquela praça. Até o Leblon, uma corrida fica por menos de R$ 25.

Quem mora do outro lado da poça e não tem carro, não desista! Há vans e ônibus, que saem de Icaraí e passam pelo centro, que te deixam na Lapa. Se for de barcas, vai andar um pouco, de 20 a 30 minutos. Na volta, não há mais barcas nem ônibus. O jeito barato é pegar um táxi até o ponto final do 100, o motorista vai te cobrar R$ 7, nunca mais que isso. Ou então vá direto, negocie com o taxista. Por R$ 40 reais ele te leva até Icaraí, na porta de casa.


27 novembro, 2009

Samba Social Clube Vols. 3 e 4: mais samba no pé e na palma da mão


É difícil resistir ao ritmo envolvente do samba. Até quem diz não gostar (e eu era uma dessas pessoas), quando ouve bons sambistas, acaba mexendo o corpo, nem que seja só batendo na palma da mão. Para os mais tímidos e também para aqueles com samba no pé, estão disponíveis duas novas edições do projeto Samba Social Clube Ao Vivo, da MPB Brasil. Já são quatro coletâneas, que reúnem grandes nomes da velha guarda e o melhor da nova geração de sambistas.

O Samba Social Clube (SSC) surgiu em 2007, como um programa da rádio MPB FM, transmitido nas tardes de sábado e domingo. Na música símbolo do SSC, Arlindo Cruz diz: “quando está feliz o brasileiro samba”. Acho que ver meu pai ouvindo rádio no volume mais alto durante o programa e acompanhando cada canção retrata bem isso. E nada melhor para animar meus fins de semana. Aos poucos, o SSC ganhou não só a minha simpatia, como a de milhares de ouvintes, e se expandiu para os palcos.

Os dois primeiros CDs e DVDs foram gravados em 2008, na Fundição Progresso. O sucesso foi tão grande que a MPB Brasil, junto com a EMI Music, resolveu repetir a dose. Esse ano, as gravações ocorreram nos dias 27 e 28 de julho, no Vivo Rio. Os shows reuniram bambas como Monarco, Zeca Pagodinho , Beth Carvalho e Leci Brandão, além de novos intérpretes como Diogo Nogueira, Teresa Cristina, Casuarina e Sururu na Roda.

Samba Social Clube Vol. 3 está no mercado desde outubro. O CD tem 16 faixas. No álbum, destacam-se canções como “Todo menino é um rei” (Zé Luiz/Nelson Rufino), interpretada pela revelação Diogo Nogueira, “Porta aberta” (Luiz Ayrão), na voz marcante de Teresa Cristina, e o jongo “Candongueiro” (Wilson das Neves/Nei Lopes), com Arlindo Cruz, além da sempre grande performance de Leci Brandão, na música “Nomes de favela” (Paulo César Pinheiro).

A terceira edição do SSC ainda homenageia Beth Carvalho, com o encontro da Velha Guarda da Mangueira com a filha da cantora, Luana Carvalho, na música “1.800 colinas” (Gracia do Salgueiro). A canção impulsionou a carreira da madrinha do samba.

O DVD conta com quatro faixas a mais. Clique aqui e confira uma delas, “Tô voltando” (Paulo César Pinheiro/Maurício Tapajós), na bela apresentação de Sururu na Roda.

O quarto volume de Samba Social Clube Ao Vivo também presta homenagem, dessa vez a Paulo César Pinheiro. Representantes da nova geração gravaram em estúdio uma roda de samba para prestigiar o compositor. Para os mais ansiosos, O CD e o DVD estão em pré-venda. A primeira exibição/audição do trabalho na íntegra aconteceu no dia 16 de novembro, na Livraria da Travessa do Barra Shopping.

Acho que já sei qual vai ser o presente de Natal do meu pai.

“Samba Social é o clube do meu coração
É samba no pé e na palma da mão”
Samba Social Clube – Arlindo Cruz/Marcelinho Moreira

Pesquisa bibliográfica: CliqueMusic UOL, Samba Social Clube, Submarino

25 novembro, 2009

Trilha do Disco - Estasom

Por Luiza Baptista

Adoro música pop e conhecer novos artistas, não tenho preconceitos. Mas quando se trata de ouvir música, sou das antigas, ainda carrego o discman e meus CDs a tiracolo. Então, as lojas de CDs são para mim como as lojas de doces para as crianças: os olhos brilham, a boca fica meio entreaberta e o “mãe, eu quero esse, aquele e... só mais um ” é quase inevitável . Essa semana visitei uma loja de CDs que me fez lembrar “A fantástica fábrica de chocolates”. A Estasom tem CDs para todos os gostos e um cenário aconchegante para falar de música. Afinal, o que é mais confortável que estar entre 12 mil CDs? José Virgílio dos Santos, dono da loja, distribui lançamentos e raridades entre as prateleiras e até no teto, não tem um lugar vazio na loja de 3 por 4m.

Como o combinado era trazer as melhores lojas para comprar CDs, é importante dizer que a Estasom não é uma loja qualquer, é também sebo. Lá você pode levar aquele CD ou DVD que não gosta mais e trocar por um que seja de seu interesse, tanto lançamentos quanto raridades, “a gente troca, vende, aluga, empresta, dá”. José explicou que a vantagem de comprar em loja e não na internet é justamente essa: poder trocar quantas vezes quiser. Eu acrescentaria o prazer de garimpar, não tem sensação melhor que entrar numa loja, mexer nos CDs e achar aquele que você procura há tanto tempo. E acaba que sempre encontramos outros álbuns pelo caminho. O dono, fã de rock progressivo, também aceita encomendas. Então, se você quer um CD, mas não consegue achar, José vai procurar por você, em sebos de outros estados se for preciso. Agradar o cliente é o que importa.

A vontade de trabalhar com CDs alternativos e raridades vem de muito tempo, mas foi há 10 anos que José realizou o sonho. Porém, a trajetória dele na música vem de muito antes, aos 14 anos ele teve seu primeiro emprego em uma loja de discos de Copacabana, depois, a pedido do patrão, foi trabalhar em Icaraí. Com o sucesso profissional veio a proposta de ser sócio de outra loja, ficou por lá alguns anos e saiu para abrir a Estasom. Hoje a loja faz sucesso entre os mais velhos, de 40 a 70 anos, os jovens não freqüentam tanto quanto antes. Nem sempre foi assim. O dono ainda sente falta daqueles adolescentes que iam à loja e os olhos brilhavam, passavam horas garimpando, procurando CDs e conversando.

Lojas de CDs são como livrarias, a pessoa às vezes vai mais pela conversa que pela compra. E na Estasom, o bom e velho bate-papo faz parte do negócio. José costuma dizer que os vendedores são um pouco terapeutas também, e estão sempre dispostos a aconselhar, falar de música e da vida, e no meio do caminho, quem sabe até vender um CD?

Apesar de todo envolvimento com a música, José faz graça e confessa “nem campainha eu sei tocar direito”. Mas para falar de música ninguém precisa saber tocar um instrumento, para falar de música só é preciso ouvir, e quem não gosta? Festa, comemorações, até tomar banho, não tem a mesma graça sem música. A vida não tem a mesma graça sem uma trilha sonora.


Agora veja um pequeno video do José, quem melhor que ele para te convidar para conhecer a Estasom?

Vale a pena conhecer essa charmosa e tradicional loja de Icaraí.

Visite na Rua Moreira César, Shopping 211 (fica no mesmo shopping da livraria Gutemberg) loja 112, no bairro de Icaraí – Niterói (RJ). Ou ligue para (21) 2711-1848.

24 novembro, 2009

Trilha do Artista - The Beatles



Como falar dos Beatles? A banda de Paul, John, George e Ringo foi o maior fenômeno musical do século XX. Juntos, derrubaram fronteiras e preconceitos, foram os porta-vozes de sua geração, mudaram a forma de se fazer negócios na indústria fonográfica. E, acima de tudo, compuseram músicas soberbas, sublimes e universais, que mesmo décadas depois emocionam da mesma maneira de quando foram ouvidas pela primeira vez, nos idos de 1960.

Os Beatles, na verdade, surgiram de uma outra banda, The Quarry Men, criada em 1957 pelo rebelde John Lennon com seus colegas do Quarry Bank High School. Inicialmente, o grupo tocava skiffle, gênero popular na época que misturava folk com blues e country. Logo juntaram-se à banda o talentoso Paul e seu colega da escola, o caçula George, de apenas 15 anos.

Assim como as muitas outras bandas de rapazes que despontavam em Liverpool, o Quarry Men se apresentou em basicamente todo lugar de Liverpool que topasse recebê-los. Aos poucos, o skiffle foi ficando de lado para dar espaço a uma novidade, o rock'n'roll. Em 1960, resolveram mudar seu nome, que os associavam ainda ao antigo colégio de John. Foi o ex-integrante Stuart Sutcliffe que deu a ideia inicial, Beetles (besouros), em alusão à gíria utilizada por motoqueiros para chamar as garotas no filme O Selvagem. John propos mudar a ortografia para The Beatals, um trocadilho com o termo beat, que significa batida musical e também nomeia o movimento de contracultura dos anos 50 e 60 liderado por Jack Keuroac. Em algum momento, a ortografia mudou de novo, e acabou ficando como The Beatles.

No mesmo ano, a banda foi tentar a sorte em Hamburgo, na Alemanha. Foi um período de trabalho duro, em que eram obrigados a tocar sem parar por horas a fio. Além disso, os lugares onde se apresentavam estavam longe de serem respeitáveis; eram boates que ficavam no conturbado bairro de Sankt Pauli, foco de prostituição e drogas. A temporada foi encerrada prematuramente, com a deportação de George – que era menor de idade, e logo, não tinha permissão para trabalhar lá. Mesmo assim, isso não impediu do grupo retornar à cidade para outras temporadas mais tarde.



Mas foi em 1961, de volta à Liverpool, que os meninos conheceram talvez a pessoa mais importante de sua carreira: o empresário Brian Epstein, dono da NEMS, uma próspera loja de discos da cidade. Epstein, que era conhecido por seu refinamento, não se identificava nem um pouco com a música barulhenta dos Beatles. Mesmo assim, viu ali uma boa oportunidade de fazer negócios e resolveu apostar. Começou a correr atrás de uma gravadora, marcando testes na EMI, Decca, etc. A resposta foi negativa de todos, menos da sua última alternativa: a Parlophone, associada pouco conhecida da EMI. O responsável por contratá-los, Geroge Martin, não ficou impressionado. Mas achou que eles tinham carisma. Mal sabia ele que aquele contrato assinado mudaria sua vida também – Martin produziu quase todos os discos do quarterto, exceto por Let It Be. Com um grande conhecimento de música, o trabalho de Martin foi essencial na construção da obra dos Beatles.

O encontro com George Martin também foi decisivo no futuro de outra vida em especial: a de Richard Starkey, ou, como ficou conhecido, Ringo Starr. Martin não gostou da bateria de Pete Best e sugeriu que ele fosse trocado. Os Beatles poderiam ter insistido, mas a verdade é que já estavam insatisfeitos com Best faz tempo, por motivos que ultrapassavam a música – considerado o mais bonito do grupo, Best era o favorito das garotas e ofuscava os demais integrantes. Quando Ringo foi convidado para substituí-lo, topou na hora. Naquela época, tocava com outra banda egressa de Liverpool, o Rory Storm and the Hurricanes. A aceitação dos fãs não foi fácil; mesmo assim, Ringo acabou virando um dos Beatles mais queridos.

Estavam formados os Beatles. Em março de 1963, foi lançado o primeiro LP, Please Please Me, que contava com hits como "Twist and Shout", "Love Me Do" e a própria faixa-título. O disco foi gravado em apenas um dia, de uma vez só. O esforço da banda fica mais evidente ainda quando se sabe que John Lennon estava resfriado no dia e gastou a voz até o limite. Confira abaixo o vídeo com uma apresentação de "Please Please Me", canção que fez a banda estourar nas paradas:


Daí pra frente, a história dos Beatles é bem mais conhecida. A beatlemania se arrastou com velocidade incrível pelo mundo. Mas não bastou chegar ao topo. Em 1965, apenas três anos após sua estreia, a banda deu início a uma nova fase com o disco Rubber Soul. Faixas como "Nowergian Wood (This Bird Has Flown)" já evidenciavam mudanças, não só no uso de instrumentos inusitados, como o sitar de George Harrison, como nas letras, mais complexas. Os Beatles se tornariam obcecados com a experimentação no estúdio, e também fora dele: foram introduzidos à maconha por Bob Dylan, e depois, ao LSD, por um excêntrico dentista londrino (A música "Dr. Robert" foi feita para ele). O ápice desses experimentos foi Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, um dos primeiros discos conceituais da história e marco da psicodelia. Veja abaixo um vídeo com imagens da banda, ao som de "Norwegian Wood", uma das músicas que inaugurou a fase madura da banda:



Junto com o brilhantismo, surgiram também os desentendimentos. John e Paul rivalizavam mais do que cooperavam, enquanto George lutava por um pouco de atenção – afinal, com o passar do tempo, suas composições ficavam cada vez melhores. E cada vez mais afundado nas drogas, John se isolava. O relacionamento com Yoko Ono aprofundou essa atitude: ela pouco falava com os outros integrantes e, mesmo assim, John esperava que eles aceitassem as opiniões de sua excêntrica namorada. Durante as gravações de Let It Be, a situação ficou insustentável e o projeto foi deixado de lado. A retomada foi feita com Abbey Road, último disco gravado pelo conjunto (apesar de ter sido lançado antes de Let It Be). A ideia era fazer “um disco como nos velhos tempos”. O resultado foi uma obra magnífica, que encerrou a discografia do quarteto com o nome do estúdio de gravação onde boa parte de todas aquelas maravilhas foram produzidas.

Pesquisa Bibliográfica: The Beatles - A Biografia, de Bob Spitz

23 novembro, 2009

Trilha do Fã - Depoimento de Carolina Castro (Ana Carolina)

Por Luiza Baptista

Se um artista ficaria incompleto sem seus fãs, um blog de música ficaria incompleto sem as histórias de fanatismo. É por isso que o “A Trilha Sonora” abriu espaço para que o fã conte sua história. Vamos postar uma história por semana, e você também pode mandar a sua: basta se comunicar conosco pelo e-mail atrilhasonora@gmail.com ou deixar um comentário.

O primeiro depoimento é da Carolina Castro, 22 anos, fã da cantora Ana Carolina:

“Em um pouco mais de um ano sendo fã da Ana Carolina, já fui a 12 shows e tenho mais 3 ingressos comprados. Sempre rola algo engraçado, diferente ou até mesmo preocupante nos shows. Mas o meu primeiro foi o mais marcante com certeza. Além da emoção de estar vendo meu ídolo de pertinho, eu passei por um belo de um perregue pra chegar até o local do show, que ficava a umas 2 horas de ônibus da minha casa. Primeiro eu peguei a condução errada e fui parar bem longe, depois eu fui "acompanhada" por um desconhecido que se ofereceu pra me levar até o local do show. Eu fiquei bem receosa, claro, mas não tinha muito o que fazer, já que eu estava perdida num lugar que eu não conhecia muito bem. O cara me levou até um shopping e disse que de lá eu poderia pegar uma condução que me deixaria na porta do show. Claro que ele pediu telefone, orkut, e eu dei pra ele um número desconhecido e falei meu nome errado. Acho que eu nunca senti tanto medo de ser sequestrada, ou acontecer coisa pior. Mas ainda bem que tudo correu bem, cheguei no show a tempo, sã e salva.

Como eu disse, sempre rola algo engraçado, diferente ou preocupante, mas esse show se encaixa na quarta categoria: cansativo. Eu fiz uma dobradinha, fui a dois shows em noites seguidas, em cidades diferentes. O primeiro em Campos, fui de ônibus com uma amiga. Era show de mesa, então não tivemos que chegar cedo pra pegar fila. Saímos do Rio três horas da tarde, encontramos outros fãs lá, assistimos ao show e logo em seguida pegamos o ônibus de volta para o Rio. Chegamos as sete da manhã, fomos pra casa, nos arrumamos e seguimos direto pra o outro show, que era em Nova Iguaçu. Esse era de pista (em pé), então tínhamos que chegar cedo pra ficar na fila. Como gosto de ficar o mais perto possível do palco, na grade de preferência, então tenho que chegar cedo aos shows. Foi tudo muito cansativo, mas bem divertido.”

A foto usada acima foi tirada por Carolina, que faz questão de colocar seu nome em marca-d'água em todas as fotos que faz nos shows, para que outros fãs não as usem sem dar os créditos.


Abaixo você pode assistir um vídeo feito por Carolina em um dos shows que acompanhou: