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13 janeiro, 2011

Uma Noite em 67

Por Mariana Coutinho

Edu Lobo e Marilia Medalha cantam "Ponteio" - Wilson Santos/Jornal do Brasil

Naquele junho de 1967, uma passeata tomou conta da avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo. Mas, ao contrário do que você possa estar pensando, o protesto não tinha nenhuma relação direta com a ditadura militar que o Brasil enfrentava naquela época. A marcha era contra um instrumento perigosíssimo, que estava enlouquecendo jovens e prometia promover uma invasão norte-americana em terras tupiniquins: a guitarra elétrica. Elis Regina, Edu Lobo, Geraldo Vandré, os rapazes do MPB4 e até Gilberto Gil estavam entre os artistas que tomaram a Brigadeiro Luís Antônio alguns meses antes do 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record.

O episódio narrado é apenas uma das histórias contadas no documentário "Uma Noite em 67", de Renato Terra e Ricardo Calil. A noite a que o título do filme se refere é a 21 de outubro, quando aconteceu a final do Festival de MPB da TV Record. O documentário trata dos 5 finalistas - Roberto Carlos, interpretando "Maria, Carnaval e Cinzas", Caetano Veloso com "Alegria, Alegria", Chico Buarque cantando "Roda Viva", Gilberto Gil defendendo "Domingo no Parque" ao lado dos Mutantes, e Edu Lobo e Marilia Medalha com "Ponteio" - e de Sérgio Ricardo, com seu "Beto Bom de Bola", que não agradou nada a plateia. Após ser vaiado efusivamente, Sérgio Ricardo saiu do palco irado, não antes de quebrar seu violão ao meio e atirá-lo no público.

O documentário entremeia as imagens das apresentações, com entrevistas da época feitas por uma jovem Cidinha Campos e um descontraido Randal Juliano, com depoimentos atuais desses nossos monstros da Música Popular Brasileira e de produtores, diretores e jurados do festival. São muitas as histórias: Gilberto Gil, por exemplo, estava tão bêbado antes da apresentação que teve de ser banhado e vestido por Nana Caymmi, sua namorada (!) na época, e Paulo Machado. No depoimento recente, ele se definiu como "um fantasma" no palco naquela noite.

Não foi o que pareceu. A apresentação vigorosa de Gil ao lado dos jovens Mutantes - que eram praticamente desconhecidos até essa noite - lhe rendeu o 2º lugar no Festival. Roberto Carlos ficou em 5º, Caetano em 4º e Chico em 3º. O grande vencedor foi Edu Lobo com a música "Ponteio". Talvez você não reconheça a música pelo nome, mas tenho certeza de que já ouviu os versos do refrão: "Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar...Ponteio!".

Além das ótimas histórias e imagens do documentário, vale muito a pena assistir aos extras do dvd, que são um segundo documentário com apresentações de Nara Leão, Elis Regina, Nana Caymmi e outras. O depoimento de Chico sobre o antigo programa "Essa Noite Se Improvisa", por exemplo, é interessantíssimo (mas esse tema fica para um outro texto). Embora a maioria dos entrevistados confesse não sentir saudades daquela noite, "Uma Noite em 67" traz a nostalgia de uma época que muitos nós não vivemos. Mas graças a essas imagens de arquivo e depoimentos cuidadosamente recolhidos podemos ter uma ideia de como era.

Assista ao trailer de "Uma Noite em 67" abaixo:




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17 junho, 2010

Trilha Antiga: Jovem Guarda (Roberto Carlos)



O carro era vermelho, não usava espelho para se pentear e ainda andava de botinha sem meia. Essa era a imagem do homem moderno na época da Jovem Guarda. E podem acreditar: os brotinhos se derretiam por eles. Vindo do interior do Espírito Santo, Roberto Carlos chegou com suas madeixas e logo arrebatou as fãs.

Com seu parceiro inseparável Erasmo Carlos, o Tremendão, e a loiríssima Wanderleia, mais conhecida como Ternurinha, o trio conquistou São Paulo. Do programa homônimo na TV Record, chegou-se ao disco de estreia da Jovem Guarda, cuja estrela era o eterno Rei Roberto Carlos.

Sucesso absoluto de audiência, a ideia de batizar o LP como Jovem Guarda foi de Othon Russo, diretor da gravadora CBS, argumentando que isto reforçaria tanto a venda do disco como a audiência do programa de televisão.

O principal destaque do disco é uma música emblemática: Quero que tudo mais vá pro inferno. Numa época de libertação, Roberto Carlos criou o grito de guerra. A canção abre o Long Play e divide espaço com outras canções inesquecíveis do Rei: Lobo Mau, O Feio, Mexerico da Candinha, Pega Ladrão e Não é Papo Pra Mim

O disco Jovem ocupa a 85° posição em uma lista da versão brasilieira da revista Rolling Stone dos melhores discos brasileiros de todos os tempos.

Abaixo, diretamente do túnel do tempo, gravado no extinto teatro Record: Roberto Carlos cantando Quero que tudo mais vá pro inferno.