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14 março, 2011

Trilha do Filme – Trainspotting OST #1 e #2

Por Luiza Barros

(1.Lust for Life -Iggy Pop/ 2. Deep Blue Day - Brian Eno / 3. Trainspotting - Primal Scream / 4. Atomic – Sleeper / 5. Temptation - New Order/ 6. Nightclubbing - Iggy Pop /7. Sing - Blur /8. Perfect Day  - Lou Reed /9. Mile End - Pulp / 10. For What You Dream Of (Full-on Renaissance Mix) - Bedrock (feat. KYO) - 11. 2:1  -Elastica / 12. "A Final Hit" - Leftfield / 13. "Born Slippy .NUXX" - Underworld / 14. Closet Romantic  - Damon Albarn)





(1. Choose Life - PF Project featuring Ewan McGregor / 2. The Passenger - Iggy Pop  / 3. Dark & Long (Dark Train) – Underworld / 4. Carmen Suite No.2  -  Georges Bizet / 5. Statuesque -Sleeper / 6. Golden Years - David Bowie / 7. Think about the Way - Ice MC / 8. A Final Hit Leftfield  / 9. Temptation  -  Heaven 17 / 10. Nightclubbing (Baby Doc Remix) - Iggy Pop / 11. Our Lips Are Sealed - Fun Boy Three / 12. Come Together  - Primal Scream / 13. Atmosphere -Joy Division / 14. Inner City Life - Goldie / 15. Born Slippy .NUXX (Darren Price PPPPOPPI UPMix) Underworld)


Sabe aquela impressão de que uma certa música nasceu para estar num certo filme? Em "Trainspotting", de 1996, essa sensação se repete pelo filme todo. Não é por menos, a trilha do drama  ficou entre uma das dez melhores da historia do cinema numa lista de 2007 da revista "Vanity Fair". O mérito não se deve apenas ao fato da seleção ser realmente boa. A produção britânica não tratou apenas de escolher as faixas que simplesmente combinassem melhor com cada cena, e sim de trata-las como elemento essencial da narrativa (mas afinal, não deveria ser esse o papel de toda trilha sonora?).

Porém, para quem esta familiarizado com a história do longa, fica claro que o tratamento concedido à música não poderia ser outro. Baseado no romance homônimo de 1993 de Irvine Welsh, “Trainspotting” se passa na Escócia dos  anos 80 e é protagonizado por Renton, jovem viciado em heroína. Interpretado por Ewan McGregor, Renton é o narrador do filme. Cabe a ele contar os eventos, muitas vezes trágicos, que aconteceram com ele e seu grupo de amigos. A sinceridade ácida do protagonista se lança tanto ao submundo quanto à sociedade burguesa, e não deixa ninguém escapar, seja ele mesmo ou o público. O retrato cru de uma parte da juventude que, descrente e sem maiores perspectivas, mergulhava fundo no universo das boates e das drogas, serviu para chamar a atenção da critica. Mas acima de tudo, foi o tratamento pop que o diretor Danny Boyle deu à película que cativou a audiencia e fez o filme ser identificado com o « Cool Britannia », termo usado para designar a onda de produtos culturais britânicos surgidos na década de 90, dos hits do Oasis ou mesmo das Spice Girls às criações do estilista Alexander McQueen.

O status cult rapidamente conquistado pelo filme fez com que o sucesso da trilha sonora fosse maior do que o esperado. O primeiro disco, lançado alguns meses depois do longa, não foi suficiente para saciar o interesse do público. Por isso, no ano seguinte, foi feito um segundo volume. Nele, estão incluídas tanto faixas que ficaram de fora do disco anterior quanto musicas que não aparecem na versão final do filme, mas chegaram a ser consideradas pelos realizadores. No entanto, seja no primeiro ou no segundo volume, o mote é o mesmo: uma seleção caprichada de boa parte do que passeia na seara da música alternativa. As faixas  vão do proto-punk de vovôs como Iggy Pop e Lou Reed ao Britpop do Blur e do Pulp. Ao lado do rock, não poderia deixar de estar a música eletrônica, que vivia o seu auge: foram contemplados tanto pioneiros como Brian Eno quanto grupos que construiam o som eletrônico na Grã-Bretanha na época, como Leftfield e Underworld. No caso do ultimo citado, a consagração veio em muito por causa de “Trainspotting”. A inclusão do B-side “Born Slippy  NUXX” na trilha fez com que a faixa se tornasse o maior sucesso comercial do antigo trio.

15 fevereiro, 2011

Clipes Inesquecíveis - Freedom! '90 (George Michael)


Pode um hit ser um hino de liberdade sem soar falso? A cada ano, surgem novas estrelas da musica pop clamando por independêItáliconcia - pode ser da gravadora, da imprensa ou do namorado(a). Mesmo assim, poucos conseguem passar a mensagem tão bem como fez George Michael em 1990, com o clipe "Fredoom! '90".




Single mais famoso do segundo disco solo do britânico, "Fredoom" leva o mesmo nome que uma musica do Wham!, dupla da qual Michael fez parte até 1986. No entanto, a faixa em nada tem a ver com o trabalho rezalizado pelo astro na decada anterior. Pelo contrário, a letra confessional e o vídeo produzido em seguida dão dicas sucessivas de que o cantor deseja mesmo é livrar-se da imagem que construiu para si mesmo. Mesmo que essa imagem tenha sido a de sex-symbol adorado por multidões, fruto do sucesso da estreia solo do musico, "Faith". A verdade é que, apesar do estrelato, Michael queria ser levado a sério como compositor. Ainda, na posição de objeto de desejo de boa parte das mulheres dos anos 80, o cantor hesitava em assumir a sua homossexualidade, que só seria revelada em 1998.

Para traduzir suas angústias de forma elegante, o Michael contou com um verdadeiro dream-team das passarelas. As tops Naomi Campbell, Linda Evangelista, Christy Turlington, Tatjana Patitz e Cindy Crawford participam do clipe, enquanto os modelos John Pearson, Mario Sorrenti, e Peter Formby integram o time masculino. As beldades dublam a voz do cantor, que não aparece em momento algum. As duas únicas evidências na tela de que este é um clipe de George Michael são a jaqueta de couro e a jukebox, que apareceram pela primeira vez no vídeo de "Faith". Justamente por isso, as duas são destruídas durante os quase sete minutos do filme. Tudo isso dirigido pelo então desconhecido David Fincher, o mesmo de longas como "Clube da Luta", "O curioso caso de Benjamin Button" e "A rede social".

01 dezembro, 2010

Trilha do Filme - Todos dizem eu te amo (1996)

Por Mariana Coutinho

Eveyone Says I Love You (1996)
Direção e Roteiro: Woody Allen
Trilha Sonora: Dick Hyman
Músicas: Just You, Just Me/ My Baby Just Cares For Me/I'm a Dreamer, Aren't We All/Makin' Whoopee/Venetian Scenes/ All My Life/ Cuddle Up a Little Closer/ Looking At You/ If I Had You/ Enjoy Yourself (It's Later than You Think)/Chiquita Bacana/ Hooray for Captain Spaulding/I'm Thru With Love/ Eveyone Says I Love You

No dia em que Woody Allen completa 75 anos de idade, A Trilha Sonora apresenta as músicas de um de seus filmes, o musical de 1996 "Todos Dizem Eu Te Amo" (Everyone Says I Love You). A comédia conta a história de uma família de Manhattan, mas se passa também em Paris e Veneza. Holden (Edward Norton) e Skylar (Drew Barrymore) estão apaixonados, mas tudo é posto a perder quando a mocinha conhece o ex-presidiário Charles Ferry (Tim Roth). Enquanto isso, Joe, amigo da família e ex-marido da mãe de Skylar, Steffi (Goldie Hawn), está mais uma vez em busca do amor. Depois de mais uma relação fracassada, ele voa para Veneza, onde conhece a encantadora Von (Julia Roberts). Com os toques da filha, DJ (Natasha Lyonne), Joe consegue conquistar Von, e eles vivem um breve romance.

O filme trata basicamente da busca pelo amor, e faz uma homenagem aos grandes musicais. "Todos Dizem Eu Te Amo" não é um dos grandes filmes de Woody Allen, mas é uma boa comédia. Para a parte musical, a ideia era que os atores cantassem de forma espontânea. Allen queria que fossem pessoas normais cantando, tanto que pediu a Goldie Hawn que "cantasse pior" para que o público acreditasse mais. Drew Barrymore foi a única atriz a ser dublada porque conseguiu convencer o diretor de que seus dotes vocais estavam aquém até mesmo da proposta do filme.

Na trilha sonora, os destaques vão para "Just You, Just Me", interpretada por Edward Norton, a canção-título - "Everyone Says I Love You" escrita por Bert Kalmar e Harry Ruby - e "I'm Thru With Love" na voz de Goldie Hawn. Essa última, aliás, é o pano de fundo para um famoso número de dança executado por Joe e Steffi em Paris, às margens do Rio Sena, em que ela literalmente desafia a gravidade. Assista à performance de Goldie Hawn e Woody Allen nessa cena:


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25 setembro, 2010

Clipes Inesquecíveis - Baby One More Time (Britney Spears)

Por Luiza Baptista



Em 1998 o mundo conhecia a nova queridinha do pop. Foi com o single Baby One More Time que Britney Spears se lançou ao estrelato. A adolescente de apenas 16 anos chegou a participar do Clube do Mickey, como Justin Timberlake e Christina Aguilera, mas foi com a primeira música de trabalho que a cantora realmente conheceu o sucesso.

No clipe, repetido inúmeras vezes na MTV, Britney exibe curvas bem diferentes das atuais interpretando uma colegial sexy que se arrependeu de terminar o namoro. Na escola o sinal toca, vemos a cantora cantando e dançando pelos corredores, no ginásio e sofrendo pelo amor perdido. Até descobrirmos que Britney estava ainda sentada em sua cadeira sonhando acordada.

O vídeo foi gravado no Venice High School, que também serviu de cenário para o musical Grease muitos anos antes. E o conceito foi da própria cantora, que rejeitou a idéia de usar um cenário estilo desenho animado para conquistar o público infantil.

Apesar de nova no showbis, a cantora impôs sua opinião nas coreografias e até no figurino. Spears acertou em cheio. Milhares de fãs imitaram as danças e a roupa. O uniforme escolar usado no clipe é considerado um ícone da cantora e está em exposição no Hard Rock Hotel e Cassino em Las Vegas.

O single Baby One More Time vendeu mais de 9 milhões de cópias pelo mundo. Curiosamente o nome original não era esse. Hit me foi retirado do nome por medo de que o público associasse a canção à violência doméstica.



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15 setembro, 2010

Trilha Antiga: The Corrs – MTV Unplugged

Por Raiane Nogueira

1999
Warner Music

1. Only When I Sleep / 2. What Can I Do? / 3. Radio / 4. Toss the Feathers (instrumental) / 5. Runaway / 6. Forgiven Not Forgotten / 7. At Your Side / 8. Little Wing / 9. No Frontiers / 10. Queen of Hollywood / 11. Old Town / 12. Lough Erin Shore (instrumental) / 13. So Young / 14. Everybody Hurts





Durante um bom tempo, fui a caçula da minha família. E como não convivia tanto com pessoas da minha idade, no que se refere à preferência musical, acabei muito afetada pelo que meus primos mais velhos ouviam nos anos 90. Foi através deles que conheci, por exemplo, os irlandeses do The Corrs. Uma ótima influência.

Composta pelos irmãos Andrea, Caroline, Sharon e Jim Corr, a banda traz marcas da música celta, com o uso de instrumentos como flauta e violino, que dão um clima medieval às canções. Seguindo a série dos Unplugged MTV, o álbum acústico do The Corrs mostra o melhor do trabalho do quarteto, que tem um grande talento vocal e, principalmente, instrumental.

O disco reúne sucessos da banda, como Runaway, What Can I Do? e Only When I Sleep, uma das músicas mais conhecidas:



Além das canções de autoria própria, o repertório ainda inclui uma versão de Everybody Hurts, do R.E.M., e Little Wings, do Jimi Hendrix, duas boas escolhas. Entre as minhas músicas favoritas, também estão Forgiven Not Forgotten, que me chamou atenção pelo título, Radio e At Your Side, pelas letras.

Mas o melhor do acústico, sem dúvida, fica por conta das performances instrumentais. O álbum traz duas músicas do tipo, Toss The Feathers e Lough Erin Shore. Em Toss The Feathers, os quatro irmãos mostram muita habilidade como instrumentistas, com uma melodia que nos lembra os tradicionais bailes e banquetes da Idade Média. Na música, Caroline Corr toca “bodhran”, instrumento de percussão típico da Irlanda:



O The Corrs – MTV Unplugged também está disponível em DVD, gravado com alta qualidade de som e imagem. A maioria das músicas estão no Youtube. Vale a pena assistir, é uma excelente apresentação.

Pesquisa: Wikipedia

09 setembro, 2010

Clipes Inesquecíveis – Coffee & TV (Blur)


Uma coisa que eu nunca entendi em Coffee & TV, do Blur, é por que cargas d'água o clipe é protagonizado por uma caixa de leite, se o título da canção fala em café. Non-sense à parte, a caixa de leite em questão, ou “leitinho”, é um dos personagens mais fofos a ter estrelado um videoclipe. Meiguice pura.

O carismático leitinho (em inglês “Milky”) chegou aos canais de televisão em 1999. Com direção da dupla de diretores Hammer & Tongues, o vídeo de Coffee & TV conta a saga de Milky em sua busca pelo guitarrista do Blur, Graham Coxon. Na história, a família do músico não sabe onde ele está, e recorre a um daqueles anúncios de crianças desaparecidas em caixas de leite – no caso, em Milky. Solidarizado, o leitinho atravessa a cidade em busca de Coxon e se mete em muitas aventuras e confusões, no maior clima “Sessão da Tarde”. Mas, quando finalmente encontra o guitarrista, que estava tocando com o resto da banda, algo terrível acontece. E se você nunca viu o filme e quer evitar o spoiler, pode assistir aqui:
Apesar de seu triste fim, o heroísmo do valente leitinho não foi em vão. O videoclipe de Coffee & TV recebeu vários prêmios, entre eles o NME Awards e o MTV Europe Awards. Mais importante do que isso, conquistou vários fãs, que usam camisetas e bottons estampados com a sua figura, mesmo dez anos após os seus quinze, ou melhor, seis minutos de fama.

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07 setembro, 2010

Trilha Nova - As grandes décadas da música popular brasileira


Dizem que o gosto musical dos filhos é um reflexo do gosto musical dos pais. A afirmação não poderia estar mais longe da realidade no meu caso. Apesar disso, foi no carro do meu pai que eu descobri a coletânea que hoje trago para vocês.

Os artistas brasileiros fazem músicas de qualidade há várias décadas. Imagina então a dificuldade para selecionar as melhores? “As grandes décadas da música popular brasileira” encara o desafio e traz uma coletânea de cinco CDs, desde os anos 30 até os anos 2000. Além disso, o encarte do álbum traz a letra das 14 canções de cada CD e um pequeno resumo sobre a década retratada.

O primeiro disco mostra canções dos anos 30 e 40, com muito choro e samba. Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro abre a coletânea, que também conta com as clássicas Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, e Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Já no segundo CD, anos 50 e 60, temos um gostinho da Bossa Nova. Versões de Chega de Saudade, Garota de Ipanema e Se todos fossem iguais a você, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, levam o público de volta ao passado.

Chegamos aos anos 70 com muita qualidade. O disco é cheio de sucessos e apresenta as músicas que levaram grandes artistas ao estrelato, como Construção, de Chico Buarque, Pai, de Fábio Junior, O Bêbado e a Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, e Tarde em Itapuã, de Toquinho e Vinícius de Moraes. É o melhor CD, em minha opinião.

Nos anos 80 o que ganha espaço é a “multiplicidade de ritmos, gêneros, sons e estéticas”, revela o encarte. Com o rock nacional surgindo para o grande público, e artistas como Rita Lee e Raul Seixas despontando para o sucesso. Codinome Beija-flor, de Cazuza, Ezequiel Nevez e Reinaldo Arias, Abre-te Sésamo, de Raul Seixas e Claudio Roberto, e O que é o que é?, de Luiz Gonzaga, são alguns dos destaques.

Os anos 90 e 2000 fecham a coletânea trazendo uma mistura completa, indo do sertanejo de Zezé di Camargo e Luciano até o pop do Jota Quest. Hoje eu quero sair só, do Lenine, Não me deixe só, da Vanessa da Mata, Enquanto houver sol, dos Titãs, e Te ver, do Skank, mostram a diversidade do período. Ainda assim, a seleção abre espaço para Chico Buarque, com a música Paratodos, provando que o cantor continua atual.

E como seria a sua lista? Quais são as melhores músicas brasileiras das últimas décadas?

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28 agosto, 2010

Trilha Antiga – Heaven or Las Vegas (Cocteau Twins)

Por Luiza Barros

1990
36'36
Selo: 4AD
Produção: Cocteau Twins
Projeto Gráfico: Paul West

(1. Cherry-Coulored Funk - 2. Pitch The Baby - 3. Iceblink Luck - 4. Fifty-Fifty Clown - 5. Heaven or Las Vegas - 6. I Wear Your Ring - 7. Fotzepolitic - 8. Wolf In The Breast - 9. Road, River and Rail - 10. Frou-Frou Foxes In Midsummer Fires)



Mais de dez anos separam o surgimento do Cocteau Twins até o lançamento de seu melhor e mais bem-sucedido disco, objeto desta resenha. Foi o tempo necessário para o trio britânico encontrar seu caminho, em uma passagem do pós-punk do Joy Division e o gótico de Siouxsie and The Banshees para o gênero do rock alternativo no qual eles seriam uma referência, o dream pop.

Heaven or Las Vegas prova que um freio no experimentalismo pode ser uma boa medida às vezes. As composições mais melodiosas foram um presente para o talento da vocalista Elizabeth Fraser. A voz hipnótica da escocesa, unida à guitarra de Robin Guthrie e ao baixo de Simon Raymonde, constrói paisagens oníricas através do som. Parte dessa impressão de que a música do Cocteau Twins vem de outro mundo deve-se também não só à voz de Fraser propriamente dita, mas ao estilo de canto que ela desenvolveu. As modulações ficam mais interessantes diante da forma que a cantora pronuncia cada palavra, em muitas ocasiões beirando o incompreensível.

A faixa-título do álbum é um dos melhores exemplos. Nesta faixa, assim como em outras do álbum, o conteúdo das letras é menos misterioso do que nos trabalhos anteriores de Fraser. Uma das causas dessa mudança foi o nascimento da filha da vocalista com o guitarrista Robin Guthrie. Apesar de nunca terem se casado, os dois mantinham um relacionamento um tanto quanto afetado pelo uso de drogas e álcool do músico.

Foram essas questões pessoais que levaram ao desmantelamento do grupo em 1998. Mas isso é irrelevante em relação à beleza deste trabalho. Com faixas irresistíveis como “Cherry-Coloured Funk” e “Iceblink Luck”, entre outras, Heaven or Las Vegas merece ser mais escutado (e lembrado) do que atualmente é.