Mostrando postagens com marcador BRock. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador BRock. Mostrar todas as postagens

20 maio, 2012

Wagner Moura assume vocal da Legião Urbana para reviver banda junto com Dado e Bonfá

Ele já declarou que era fã da Legião Urbana, como muitos adolescentes dos anos 1980. Talvez justamente por isso o convite para participar como vocalista de um tributo à banda, ao lado do guitarrista Dado Villa-Lobos e do baterista Marcelo Bonfá, tenha gerado um misto de sentimentos: medo e coragem. Wagner Moura sabe que muitos fãs de Renato Russo ficam desconfiados de um ator assumir o lugar do ídolo, mesmo que já tenha certa experiência no assunto.



Apesar de ser um cantor diletante, interpretando canções bregas com a banda Sua Mãe, e de já ter cantado Legião em cena – como em Vips, cantando Será, e no bom longa O Homem do Futuro, quando fez par com Aline Moraes e soltou a voz na música Tempo Perdido – diversos fãs criticam a escolha de Wagner Moura para o lugar de Renato Russo.

“Estamos nos expondo muito, porque estamos lidando com um repertório que tem milhões de fãs. É óbvio que haverá preconceito por eu ser um ator popular, não ser cantor. A gente sabia que ia ter de lidar com isso desde o começo, e esse risco me instiga”, disse Wagner Moura em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Wagner incorpora Renato Russo, cantando Será no filme Vips:

Par romântico de Aline Moraes, ator solta voz em Tempo Perdido:


O show foi encomendado pela MTV e vai acontecer nos dias 29 e 30 de maio, em São Paulo. A apresentação terá 25 músicas, passando por todos os discos da Legião Urbana, inclusive os dois que a banda nunca tocou ao vivo: A Tempestade, lançado em 1996, ano da morte de Renato Russo, e o CD póstumo Uma Outra Estação.

Como a marca Legião Urbana pertence a família de Renato Russo, o trio não poderá usar o nome da banda, o que irrita os remanescentes do grupo. Dado Villa-Lobos afirma estar cansado da briga e assume que “realmente a situação é incômoda, mas vai ser a última vez. A partir do dia 31 de maio, não teremos mais esse tipo de problema”. Talvez seja a última oportunidade de tentar relembrar a banda que marcou parte dessa “geração Coca-Cola”. Os ingressos custam R$ 200,00.

17 novembro, 2010

Especial "1 ano A Trilha Sonora": 20 anos sem Cazuza

Por Mariana Coutinho

Na semana em que 'A Trilha Sonora' completa 1 ano, o blog lembra outras datas comemoradas em 2010. No primeiro dia de especiais, apresentamos o hotsite sobre os 20 anos sem Cazuza. Um dos maiores poetas da música brasileira nos deixou no dia 7 de julho de 1990, vítima da Aids. A Trilha Sonora lembra a vida e a música de Agenor Miranda Araújo Neto:

No dia 17 de novembro de 2009 nascia em Niterói o blog de música criado por cinco alunos de jornalismo da UFF: Luiza Baptista, Luiza Barros, Mariana Coutinho, Raiane Nogueira e Robson Sales. O que começou como um trabalho para a faculdade acabou se tornando um blog de verdade. Nesse 1 ano de vida, A Trilha Sonora já resenhou shows marcantes, entrevistou gente famosa e até ganhou prêmio da Rádio SulAmerica Paradiso. Queremos agradecer a todos que tem nos acompanhado durante esse primeiro ano, e pedir para que fiquem de olho nos outros especiais que o blog apresenta durante a semana.

23 abril, 2010

Trilha Especial - O rock do Planalto Central

Por Raiane Nogueira

Na última quarta-feira, 21 de abril, Brasília comemorou 50 anos. A terceira capital do Brasil, além de se destacar pelo aspecto político e arquitetônico, é muito famosa pela sua rica história musical.

A quantidade de grupos e artistas formados na Capital Federal, em diversos estilos, é enorme. Porém, a cidade é conhecida principalmente como “berço” do rock brasileiro. Grandes bandas que despontaram nos anos 80, como
Legião Urbana, Os Paralamas do Sucesso, Capital Inicial e Plebe Rude, tiveram origem na cidade.

No final da década de 70, saíam nos EUA e na Inglaterra os primeiros discos de punk rock. Rapidamente, o estilo se disseminou entre os jovens de Brasília. As músicas trazidas do exterior e copiadas em fitas cassetes influenciaram os garotos da chamada Turma da Colina – os irmãos
e Flávio Lemos (Capital) e Renato Russo (Legião) – e os cabeludos da 104 Sul – Herbert Vianna, Bi Ribeiro (Paralamas) e Dinho Ouro Preto (Capital) – a formarem suas bandas.

No site oficial do Capital Inicial, Dinho fala um pouco sobre esse período:
“Brasília, mesmo sendo a capital do país, ainda era uma cidade do interior – provinciana e isolada. O fato de termos conseguido informações musicais assim em Brasília, muito antes da internet, nos anos setenta, em plena ditadura, foi um feito surpreendente, que só foi alcançado por nos interessarmos por música com um furor religioso”.

Assista a Dado Villa-Lobos, Dinho Ouro Preto e Os Paralamas do Sucesso cantando juntos a música
Guns of Brixton, da banda de punk rock The Clash:



Paralelamente ao cenário do rock, também têm destaque na capital do país o reggae, o hardcore e o hip hop. Bandas de sucesso como Natiruts e Raimundos surgiram em Brasília.

***

Brasília foi inaugurada em 1960, pelo presidente Juscelino Kubitscheck, que concentrou toda a administração do país e as sedes dos Três Poderes na região. A cidade em formato de avião teve plano urbanístico, o Plano Piloto, elaborado por Lúcio Costa e conta com muitas construções projetadas pelo grande arquiteto Oscar Niemeyer.


Pesquisa:
Wikipedia, CliqueMusic Uol

Veja também:


27 março, 2010

27 de março, Renato Russo completaria 50 anos


Somos os filhos da revolução/Somos burgueses sem religião/Somos o futuro da nação/Geração Coca-Cola”. Nem perto de ser uma ode à empresa norte-americana, a composição de Renato Russo critica o estilo desta época. Porém, o compositor que completaria 50 anos neste sábado é um dos maiores ídolos da “Geração Coca Cola”. Pode parecer contraditório, mas não é. O carioca, filho de classe média, que agitou Brasília e morou em Nova Iorque por conta da profissão do pai, é considerado um dos maiores compositores do Rock brasileiro, quiçá da música nacional.

Renato Manfredini Júnior não é apenas ídolo de uma geração, mas do futuro da nação. Renato Russo, que escolheu esse nome inspirado no iluminista Jean Jacques Roussaeu, vendeu cerca de 20 milhões de discos em vida. E continua a ser um dos mais procurados artistas da gravadora EMI, mesmo depois de 14 anos de sua morte. Segundo site em homenagem ao cantor, neste sábado, 27 de março, será lançado mais um disco póstumo: Renato Russo: Duetos. O quinto nesse estilo envolvendo Renato.

A carreira do artista começou em Brasília, na banda com viés Punk Aborto Elétrico. Porém, o grupo não durou muito tempo. Depois de quatro anos de brigas entre Renato Russo e o baterista Fê Lemos, os músicos se separaram. Eram quatro os integrantes do Aborto Elétrico: os irmãos Felipe Lemos (Fê) na bateria e Flávio Lemos no baixo elétrico, do sul-africano André Pretorius na guitarra e Renato Russo nos vocais.

Desacompanhado, Renato passa alguns meses se apresentando como o Trovador Solitário por Brasília. Foi nessa época que ele admitiu ser bissexual e que o grande amor da sua vida era o americano Robert Scott Hickman, que morava em São Francisco, nos Estados Unidos.

Entre o backstage das apresentações na Capital Federal, Renato Russo conheceu Marcelo Bonfá, baterista da banda Dado e o Reino Animal. Os dois se juntaram com o guitarrista Kadu Lambach e o tecladista Paulo Paulista e fundaram uma das maiores bandas do rock nacional: a Legião Urbana. Porém, a formação ainda não estava definida. Depois de idas e vindas de baixistas e guitarristas, a Legião Urbana se definiu com Renato Russo, Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá. Foi esse trio que gravou oito discos de estúdio, mais três ao vivo e virou ídolo de uma geração inteira, que faz questão passar esse gosto para frente.

Nos palcos, Renato era polêmico: brigava com a plateia quando se sentia desrespeitado ou hostilizado, e não levava desaforos pra casa. Junto da família era carinhoso, inclusive com seu filho, Giuliano Manfredini. Filho de um caso furtivo, o menino tem 20 anos e tenta seguir os passos artísticos do pai, que morreu ainda quando era criança, com seis anos de idade.

Na última apresentação da banda, em Santos, em 1995, Renato Russo cantou deitado no palco por 45 minutos, após ter sido atingido por uma latinha vinda da plateia. Ele morreu em seu apartamento, na zona sul carioca, em 11 de outubro de 1996, vítima de complicações causadas pelo vírus HIV, com apenas 45 quilos.

Veja também: Trilha Antiga de Legião Urbana I, primeiro disco da banda de Renato Russo.

08 março, 2010

Trilha Antiga – Educação Sentimental (Kid Abelha)

Por Raiane Nogueira

1985
Produção e direção artística: Liminha

O início dos anos 80 foi marcado por uma grande mudança no cenário musical brasileiro, com o surgimento de bandas de pop-rock históricas. Entre elas, estava o
Kid Abelha, uma verdadeira “fábrica de hits”, que faz sucesso até hoje e contagia diferentes gerações.

O grupo carioca de nome estranho surgiu no fim de 1981, formado inicialmente por
Paula Toller, George Israel, Pedro Farah (guitarra), Leoni e Beni (bateria). Em 1982, ao som da música “Distração”, o Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens estreou na Fluminense FM. Dois anos depois, lançou o LP “Seu Espião”, com clássicos que não sairiam mais da memória. O trabalho rendeu ao conjunto o primeiro de muitos Discos de Ouro que viriam.

Apesar do sucesso da estreia, o Kid sofreu com a crítica, que a considerava mais uma dessas bandas de uma música só. A resposta aos comentários chegou em 1985, com o lançamento do álbum
Educação Sentimental. Nesse período, a formação da banda tinha mudado, com a saída de Beni e Pedro Farah, e a chegada do novo guitarrista Bruno Fortunato.

Educação Sentimental apresenta um arranjo mais elaborado que o primeiro LP. O som é mais pesado, mais rock. Segundo depoimento de Paula Toller, o álbum retrata muito das mudanças pelas quais o Kid estava passando entre 84 e 85:

“Chamamos de ‘
Educação Sentimental’ porque é um processo que estamos passando. Não estamos dando um curso nem defendemos a necessidade desse tipo de aprendizado. Não desejamos impor comportamentos, não queremos criar moda. Mostramos em melodias, letras e arranjos o que há de mais sincero em cada um de nós (...)”

No disco, destacam-se as clássicas “
Lágrimas e Chuva”, “Educação Sentimental” e “Educação Sentimental II”, “Os Outros” e “Garotos”, além de “Conspiração Internacional” – na minha opinião, uma das melhores músicas – e “A Fórmula do Amor”, parceria com o cantor Léo Jaime. A voz discreta de Paula Toller, que parece não fazer o menor esforço para cantar, e as letras de Leoni, com participação nas dez composições do disco, fizeram de Educação Sentimental mais um sucesso. E garantiram o segundo Disco de Ouro para a banda. Cabe lembrar que no mesmo ano, o Kid Abelha se apresentou no Rock in Rio, maior evento de rock do mundo no momento.

Em 1986,
Leoni saiu do Kid para montar outra banda (“Heróis da Resistência”). Em 1990, o grupo se estabeleceu somente com Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato. O nome da banda também ficou menor, passando a se chamar só Kid Abelha.

Dos anos 80 para cá, o trio construiu uma sólida carreira, que resistiu a três décadas. Atualmente, o
Kid Abelha está em “pausa” e seus integrantes se dedicam a projetos solo. De acordo com o site oficial do grupo, “qualquer notícia sobre o fim da banda é falsa, mera especulação sensacionalista”. Bom, só nos resta esperar que a “fábrica de hits” não feche. Mas convenhamos... essa volta já está demorando demais.

Fontes: Site oficial, MPBNet , Wikipedia

29 dezembro, 2009

Trilha Antiga - Legião Urbana I (Legião Urbana)


Legião Urbana "I" - Legião Urbana
1985
EMI - Odeon
(1. Será/2. A Dança/3. Petróleo do Futuro/4. Ainda É Cedo/5. Perdidos No Espaço/6. Geração Coca-Cola/7. O Reggae/8. Baader-Meinhof Blues/9. Soldados/10. Teorema/11. Por Enquanto)

Brasília não me atrai. Nunca a visitei. As obras faraônicas de Niemeyer sempre me pareceram um grande exagero, ouso até dizer, um exagero. Se vivesse na época, provavelmente seria um daqueles chatos que se opunham à sua construção. Listaria todas as coisas que poderiam ser feitas com o dinheiro investido; hospitais, escolas, saneamento, etc. Tudo que até hoje não temos. Mas, paradoxalmente, sou grata a Brasília. Pois sem Brasília, jamais existiria esse disco, primeiro da Legião Urbana.

Cerca de vinte anos após sua fundação, a capital via surgir uma cena musical que não era nada mais do que sua representação. Isolada, política e angustiada, a geração que crescera em meio a prédios modernistas e ruas sem esquinas finalmente ganhava voz. Primeiramente, com a crueza do punk do Aborto Elétrico, (banda da qual Renato Russo fez parte e que gerou muitas das músicas que compoem esse disco) e depois, um pouco mais amadurecida e lapidada, mas ainda perguntando com a mesma coragem: “será que vamos conseguir vencer?”

Estava tudo ali. Em onze faixas, a banda exteriorizava todos os demônios dos jovens da época, hoje nossos pais: o arrastado período de transição da ditadura, que fazia “filósofos suicidas” e “agricultores famintos” desaparecerem “debaixo dos arquivos”, em “Petróleo do Futuro”, a realidade opressora que criava personagens como o de “O Reggae”, a dificuldade de se concretizar um romance de “Perdidos no Espaço” ou “Ainda É Cedo”. A inspiração musical podia até beber na fonte dos ingleses contemporâneos (Smiths, Cure, Joy Division...), mas as letras, sim, as letras eram produtos exclusivos do talento de Renato Russo.

A Legião e sua paisagem urbana

Aquela era a “Geração Coca-Cola”, anunciava o cantor sem rodeios, que agora devolveria tudo o que receberam da vida – nem que fosse só através da música. Mais densa do que “Geração...”, “Baader-Meinhof Blues” explica melhor o sentimento coletivo dessa juventude: estavam “cheios de se sentir vazios”. O título da faixa, que faz alusão ao grupo terrorista da extrema -esquerda alemã, é mais uma hipérbole do que uma ameaça. Mas nem a própria juventude escapava: “se acha tão moderno/mas é igual aos seus pais”, é o recado de “A Dança”, que expõe a hipocrisia dos rebeldes sem causa.

E depois de tanta fúria, a calmaria. O disco se encerra com a bela e quieta “Por Enquanto”, uma das joias da banda, regravada por Cássia Eller em 1990. Triste e repleta de paradoxos, a letra simples consola e lembra: “estamos indo de volta pra casa”. Seja lá onde essa casa for, em Brasília ou aqui.