Mostrando postagens com marcador Wings. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Wings. Mostrar todas as postagens

15 abril, 2011

Trilha Antiga - Band On The Run (Paul McCartney & Wings)

Por Mariana Coutinho

Band On The Run (1973)


(1. Band On The Run/ 2. Jet/ 3. Bluebird/ 4. Mrs. Vandebilt/ 5. Let Me Roll It/ 6. Mamunia/ 7. No Words/ 8. Picasso's Last Words (Drike To Me)/ 9. Nineteen Hundred And Eighty Five)




Na Up and Coming Tour, que volta ao Brasil em maio, Paul McCartney apresenta 33 faixas em cada apresentação. Entre as músicas escolhidas para o primeiro show em São Paulo no ano passado, por exemplo, cinco (Band On The Run, Jet, Let Me Roll It, Mrs. Vandebilt e Nineteen Hundred And Eight Five) eram de seu terceiro disco com os Wings, Band On The Run. Das 33 músicas, 20 eram dos Beatles, e as outras 13 se dividiam entre carreira solo e Wings. Com esses números, quero provar a qualidade do disco que resenho hoje. O álbum de 1973 tem apenas nove faixas, e cinco delas foram lembradas em um show que pretendia reunir as melhores músicas de um artista que já gravou 34 álbuns em estúdio.

Band On The Run é indiscutivelmente bom. A faixa de abertura é uma montanha-russa, que, como algumas faixas de seu primeiro disco solo, lembram as composições de McCartney no Lado B de Abbey Road. O refrão, repetido à exaustão, é marcante e a música é uma das melhores dos Wings. Em seguida, Jet mantém o  ritmo alucinante do álbum e joga a montanha-russa lá pra cima. Bluebird faz a descida sem solavancos, mas não é um destaque tão grande no disco. O ponto mais alto da viagem se dá em Mrs. Vandebilt e seu 'Ho Hey Ho' empolgante.



O disco segue mais calmo com Let Me Roll It, uma balada daquelas que só Paul McCartney sabe fazer. E continua nessa sintonia em Mamunia e No Words. Os vocais dessa última lembram muito os dos Beatles em álbuns como Rubber Soul e Revolver. Picasso's Last Words (Drink To Me) é uma boa colagem, também com altos e baixos, mas não chega perto da canção-título nesse quesito. Nineteen Hundred And Eight Five tem uma levada pop bem anos 70, e trabalha, mais uma vez, com o conceito de colagem.

Band On The Run é um marco na carreira de McCartney fora dos Beatles. Apesar de já ter chamado a atenção dos críticos com Maybe I'm Amazed e Live And Let Die, foi com esse álbum que ele provou que poderia escrever canções maravilhosas sem a parceria com John Lennon

Para quem vai assistir Sir Paul McCartney no Estádio do Engenhão, segue um aperitivo de Let Me Roll It no primeiro show da Up and Coming Tour em Nova York:




Veja também:
Good Evening New York City (Paul McCartney)
Trilha Antiga - McCartney (1970)
Paul McCartney sacode o Estádio do Morumbi

E ainda:
Lado B - Eleanor Rigby (The Beatles)
Trilha Antiga - Abbey Road (The Beatles)
Trilha do Artista - The Beatles

Pesquisa:
Wikipedia, livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer


22 novembro, 2010

Paul McCartney sacode o Estádio do Morumbi

Por Mariana Coutinho

Divulgação/ Marcos Hermes

A meteorologia indicava raios e trovões. Mas, naquela noite de domingo, alguma magia poderosa soprou as nuvens para bem longe da capital paulista e revelou uma lua cheia cor-de-caramelo sobre o Estádio do Morumbi. Era o primeiro indício de que aquela seria uma noite para ficar na memória.

Os portões foram abertos às 17h30. Muito antes disso, filas que atravessavam quarteirões já tinham se formado em frente a cada entrada do estádio. Foi interessante observar a expectativa crescendo entre o público que esperava Paul McCartney. Ainda com o dia claro o estádio já estava quase cheio. Enquanto o pessoal da pista prime se espremia para conseguir o melhor ângulo, a pista normal passava o tempo brincando com uma bola gigante de um dos patrocinadores do espetáculo, e as arquibancadas se aqueciam com ‘olas’ contínuas, as primeiras tímidas e as seguintes mais intensas.

Sir. Paul McCartney manteve sua pontualidade britânica e começou o show por volta das 21h35. Quando as luzes do estádio se apagaram, todos tinham certeza de que tudo valera a pena para ver aquele que era iluminado pelo ponto de luz no palco. Aos 68 anos, Paul tem uma disposição invejável, além do talento óbvio e da simpatia inegável. É um artista completo. E seu show emociona até o mais cético e faz gritar o mais contido.

O ex-beatle interpretou canções de suas duas bandas e da carreira solo de uma forma intensa e totalmente comprometido em fazer o melhor para aquele público que tanto aguardava sua apresentação. McCartney é zeloso com o público. Fica horas cantando sem parar nem para tomar água, decora frase inteiras em português para tirar sorrisos e respostas empolgadas da plateia, improvisa uma canção em homenagem a São Paulo e no final se empolga para pegar bandeiras do Brasil atiradas pelo público e acaba caindo no palco, sem maiores conseqüências, felizmente. Paul quer fazer daquela noite um momento perfeito. E consegue.

A banda também se esforça para fazer o melhor. O guitarrista arrebenta no solo de ‘Something’ e o baterista improvisa coreografias em ‘Dance Tonight’. Os músicos são impecáveis, uma banda de verdade. A plateia, envolvida totalmente pelo clima, quer devolver a Paul toda aquela emoção. São isqueiros em ‘Let it Be’, balões brancos em ‘A Day in the Life/ Give Peace a Chance’, coro afinado em ‘Hey Jude’ e gritaria intensa em ‘Helter Skelter’. Paul conversa com o público e recebe respostas em uníssono. Por várias vezes os fãs gritam “Paul, Paul, Paul”, ou “We Love you, yeah, yeah, yeah”, ao que ele responde sem reservas “I love you, yeah, yeah, yeah”.

É difícil apontar os momentos mais empolgantes ou emocionantes do show. Mas as músicas mais marcantes foram provavelmente: “Hey Jude”, “Let it be”, “Yesterday”, “A Day in the life/ Give Peace a Chance”, “Something”, “Helter Skelter”, “The Long and Winding Road”, "Live and Let Die" e “Band on the Run”. Eu pessoalmente vibrei muito também com “And I love her”, “I’ve Just Seen a Face”,“My Love” e "Eleanor Rigby". Apagada no White Album, “Ob-La-Di, Ob-La-Da” se mostrou muito eficiente no show, com um coro animado. Canções como “Jet” e “All My Loving”, logo no início, também levantaram o público.

Depois de quase 3 horas de show, Paul se despediu de São Paulo não com um ‘adeus’, mas com um ‘até logo’. Agora só nos resta esperar que ele cumpra com a palavra e volte logo mesmo.

Assista abaixo o karaokê de 64 mil vozes cantando ‘Let it be’ com Paul McCartney no Estádio do Morumbi:



Veja também: