Moulin Rouge - amor em vermelho (Moulin Rouge!)
2001
Austrália/EUA
127 min
Direção: Baz Luhmann
Roteiro: Baz Luhmann e Graig Pearce
Elenco: Nicole Kidman, Ewan McGregor, John Leguizamo, Jim Boradbent, Richard Roxburgh.
“The greatest thing that you'll ever learn is just to love and be loved in return”. Algo como “a coisa mais importante que você vai aprender é amar e ser amado”. Os versos da canção “Nature Boy”, de
Eden Ahbez, abre as cortinas do filme Moulin Rouge!, de 2001. Não restam dúvidas, este é um filme sobre o amor. Mas acima de tudo, é uma grande homenagem a todos que se aventuraram a falar sobre o tema através da arte.
Assisti o filme pela primeira vez aos quatorze, três anos depois de seu lançamento. Pessoalmente, achei muito melhor do que se tivesse assistido na época certa, no cinema. Moulin Rouge tem tudo a ver com os arroubos apaixonados dos adolescentes. Na minha escola era o favorito de muita gente, e lembro que cheguei a assistir a um grupinho de góticos representando El Tango de Roxanne com perfeição em plena aula de Educação Física. Não é a toa que todo adulto que o assiste parece se sentir jovem de novo – afinal, apesar de ser completamente surreal, o filme faz com que voltemos a acreditar no amor.

Inspirado no mito de
Orfeu e na ópera de Verdi
La Traviata, o filme conta a história de Christian (Ewan McGregor em sua melhor perfomance desde “Transpotting”), um jovem escritor que se muda para uma colorida Paris em plena efervescência cultural na virada para o século XX. Lá ele conhece um grupo de boêmios, liderado pelo pintor
Toulouse-Lautrec (John Leguizamo), que pretende vender uma peça ao dono do Moulin Rouge, Harold Zidler (Jim Broadbent). É quando Christian e seus amigos vão visitá-lo que o jovem conhece a estrela do cabaré, Satine (Nicole Kidman), e se apaixona, como era de se esperar.
Como se pode ver, a ideia principal é simples. Mas o que torna Moulin Rouge especial é como a velha história do amor proibido é recontada pelo diretor australiano Baz Luhrmann, que também fez Romeu+Julieta. Não seria exagero dizer que o filme renovou o gênero musical, que andava sumido das grandes produções. Clássicos da cultura pop foram inseridos e reinventadas conforme a criatividade da produção permitia. Os cavalheiros que frequentam o Moulin Rouge cantam Nirvana, dois homens (o Duque e Zidler) fazem um dueto de “Like a Virgin”, e Ewan McGregor mostra um outro talento seu até então desconhecido, a sua ótima voz. O ponto alto da parte musical é quando Christian conquista Satine cantando “Your Song”, a canção que rendeu a Elton John o estrelato.
Se em seus primeiros momentos o filme é movimentado e tende para a comédia, a tensão aumenta constantemente conforme vão surgindo os obstáculos ao romance de Christian e Satine. Além do Duque (Richard Roxburgh), que deseja Satine e por isso pressiona Zidler, ainda há o mal do século que acomete a protagonista. Um dos melhores momentos dessa parte do filme é justamente a performance de Roxanne, do Police, em uma sombria versão, muitíssimo superior à original. E tem ainda a música tema do casal, “Come What May”, que acabou ficando de fora do Oscar por ter sido escrita primeiramente para Romeu+Julieta, mesmo que acabasse não sendo usada. Moulin Rouge, aliás, foi completamente desprezado pela Academia. Apesar das oito indicações, incluindo Melhor Filme, levou apenas dois Oscars menores, Direção de Arte e Figurino. Hollywood já foi mais romântica.
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