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23 abril, 2011

Clipes Inesquecíveis – Subterranean Homesick Blues (Bob Dylan)

Por Luiza Barros

Um dos momentos mais célebres da musica dos anos 60, o vídeo de “Subterranean Homesick Blues” foi gravado muito antes do conceito de videoclipe existir, em 1965. Mesmo assim, o vídeo influenciou tanta gente que foi considerado pela revista “Rolling Stone” o sétimo clipe mais importante de todos os tempos. Na verdade, a famosa sequência foi criada originalmente para a abertura do documetário “Don’t Look Back”. Dirigido  por D. A. Pennebaker, o filme acompanhou a turne de Bob Dylan pela Inglaterra naquele ano. 


Ao contrário dos videoclipes com orçamento milionário dos dias de hoje, “Subterranean Homesick Blues” não poderia ser mais simples. Num cenário sem graça (na verdade, um beco atras do Hotel Savoy, em Londres), Dylan , ao invés de cantar, joga no chão papéis com alguns trechos da música, conforme ela é tocada, no estilo dos cartoes utilizados no teatro para ajudar um ator que esqueceu a fala. Os cartões foram desenhados pelo proprio cantor e alguns de seus amigos, os também compositores Donovan e Bob Neuwirth, além do escritor beat  Allen Ginsberg. Os dois últimos também aparecem discretamente no vídeo, no canto esquerdo.  Os quatro plantaram de propósito alguns erros e piadas nos cartões. Por exemplo, a palavra success (sucesso) aparece grafada como suckcess, um trocadilho com suck, termo de valor pejorativo. Já quando Dylan fala em 11 milhões, são 20 que aparecem escritos no papel.

Apesar da presença de Ginsberg,  a maior influência apontada por trás de “Subterranean Homesick Blues” é o romance “The Subterraneans ”, de outro escritor da geração beat, Jack Keroauc. Longa e sem refrão, a musica é reconhecida por representar o sentimento dos jovens Americanos da época, e chega a fazer alusão aos movimentos sociais emergentes de então. A letra poderosa significou tanto quando foi lançada que mesmo John Lennon chegou a afirmar que ao ouvir “Subterrean Homesick Blues”, achou que não seria capaz de fazer algo tão bom para competir com ela.

Os embates políticos dos anos 60 podem ter ficado para trás, mas a influência, tanto da musica quanto do clipe, persistiram. No disco "OK Computer", considerado até hoje a obra-prima do Radiohead, uma das faixas se chama “Subterranean Homesick Alien”. Já o clipe foi parodiado a exaustão. Uma das homenagens mais conhecidas é a da banda de rock dos anos 80 INXS. No clipe de Mediate, Michael Hutchence e cia. reproduzem Dylan. Apenas sai o colete preto e entram as jaquetas jeans, conforme você pode conferir abaixo:

21 agosto, 2010

Trilha do Filme – Six Feet Under OST Volume 2 - “Everthing Ends”

Por Luiza Barros

Six Feet Under, Vol. 2 - Everthing Ends
2005
Astralwerks

(1. Feeling Good - Nina Simone; 2. Amazing Life - Jem; 3. Everthing Is Everthing - Phoenix; 4. A Rush Of Blood To The Head - Coldplay; 5. Breath Me - Sia; 6. Lucky - Radiohead; 7. Time Is On My Side - Irma Thomas; 8. Aganjú - Bebel Gilberto (The Latin Project Remix); 9. Direction - Interpol; 10. (Don't Fear) The Reaper - Caesars; 11. Transatlanticism - Death Cab For Cutie; 12. Cold Wind - Arcade Fire; 13. I'm a Lonely Little Petunia (In an Onion Patch) - Imogen Heap)

“Ok, mas…” - você vai dizer – “Six Feet Under é uma série, e não um filme." Sim, mas como “trilha do audiovisual” seria um nome muito ruim para uma seção, e além do mais, este disco também é uma trilha sonora, faz sentido ele ficar nesta categoria do nosso blog. E, como quem acompanhou a série da HBO de 2001 a 2005 está cansado de saber, os episódios de Six Feet Under colocam muito filme no chinelo, para usar uma expressão vulgar.

Para quem não sabe disso ainda, eu sugiro que corra atrás dos DVDs das cinco temporadas deixadas para a posteridade. E depois de acompanhar todos os dilemas desta complicada família de agentes funerários de Los Angeles, vale a pena também procurar a ótima trilha sonora, em especial deste segundo volume, lançado junto com a última temporada.

O disco em questão não é apenas um emaranhado de faixas aleatórias, e sim uma seleção cuidadosa dos sons que embalam tantos episódios. A coletânea já vem com um ótimo cartão de visitas: “Feeling Good”, da inclassificável Nina Simone. A música da diva foi utilizada na promo da quarta temporada, em que os Fishers aparecem em uma macabra e sensual dança em pleno supermercado.



Além de Simone, outra representante da música negra americana é a menos conhecida Irma Thomas, com “Time is on my side”. A música, que foi regravada pelos Stones, é um bom motivo para pesquisar sobre essa cantora de Nova Orleans. A mistura harmoniosa entre nomes consagrados e outros mais “underground”, inclusive, é a levada do disco. Se de um lado há as famosas “A rush of blood to the head”, do Coldplay, e “Lucky”, do Radiohead, do outro há os suecos do Caesars e o indie do Death Cab For Cutie, os últimos na faixa mais longa do álbum: “Transatlanticism”.

Contando ainda com nomes como Arcade Fire e Phoenix, a maior parte do disco oscila entre o indie-rock e a música eletrônica. A surpresa é então encontrar uma música em português, da mais internacional das nossas cantoras: Bebel Gilberto. A faixa, é verdade, vem em uma roupagem moderninha, com o remix do Latin Project. Mas o grande destaque do disco fica por conta de uma australiana, conhecida simplesmente como Sia. É ela que canta “Breath me”, música que toca nos memoráveis minutos finais da série. Possivelmente a melhor coisa que você já pôde ver na TV. Dá para conferir o famoso desfecho no vídeo abaixo. Se você nunca viu, logo aviso que está, claro, repleto de spoilers.


17 abril, 2010

Trilha do Artista - Radiohead

Por Luiza Barros


Uma nova década acabou de começar. Daqui pra frente, tudo o que aparecer de novo vai definir como esses dez anos vão ficar marcados no nosso imaginário coletivo. As roupas que os estilistas vão apresentar nas semanas de moda, as inovações tecnológicas que vão surgir, os filmes que veremos nos cinemas, os próximos vencedores da Copa do Mundo. A ascensão de novos líderes mundiais e as inevitáveis tragédias. E claro, as músicas que vamos ouvir. Muitos artistas vão aparecer ainda, sejam vindos do interior de Minas ou da Islândia (parentes da Björk?). Mas neste exato momento, antes de tudo o que está por vir, quem será que está no topo?

A minha resposta pessoal é o Radiohead. Consagrados pela crítica, adorados por milhões, a banda surgida em um longínquo 1988 consegue embasbacar a todos a cada lançamento. Vinte e dois anos após seu nascimento, o Radiohead nunca deixou de ser atual. Talvez, pela excelência de seu trabalho, que como o de titãs como Pink Floyd e Beatles, supera as barreiras do tempo.

O Radiohead surgiu na atmosfera universitária de Oxford. A formação original se mantêm até hoje, com Thom Yorke (vocais, guitarra e piano); Jonny Greenwood (guitarra principal, teclados, e qualquer outro tipo de instrumento que você pensar); Ed O’Brien (guitarra, vocais de apoio); Colin Greenwood (baixo, sintetizadores), irmão mais novo de Jonny; e Phil Selway (guitarra e percursão). Os rapazes se conheceram ainda na escola e formaram a banda On a Friday, alusão ao único dia em que todos podiam se reunir para ensaiar. Após um hiato de dois anos, a banda voltou com força em 1991, quando todos (menos Jonny) já haviam terminado a faculdade. As gravadoras logo se interessaram, e a EMI acabou ganhando os garotos. Com as coisas ficando sérias, resolveram procurar um nome melhor. Escolheram Radiohead, em alusão a uma música dos Talking Heads.

A banda estourou logo, com o hit “Creep”, do disco de estréia Pablo Honey. A música dizia basicamente tudo o que uma multidão de jovens sem rumo no começo dos anos 90 queria dizer mas não sabia como. Mesmo assim, a banda não ficou satisfeita com o resultado final da faixa. O carma com "Creep" só foi superado recentemente, quando a banda passou a aceitar tocá-la em shows.

Em 1995 veio The Bends. O Radiohead havia passado no teste do segundo álbum com êxito. Um disco maduro, repleto de canções de uma beleza angustiantes. Aqui estão velhas favoritas como “High and Dry” e “Fake Plastic Trees”. Bends fez a crítica associar a banda com o movimento Britpop, dos compatriotas Oasis, Blur e Pulp. A diferenciação com o que estava sendo feito pelos outros veio no trabalho seguinte, o lendário OK Computer, de 1997. Considerado até hoje por muitos a obra-prima do “Cabeça de rádio”, o disco fez a crítica dobrar os joelhos. Apesar negar o rótulo de “álbum conceitual”, todas as faixas parecem remeter a uma mesma sensação de asfixia. O clipe de “No Surprises”, logo abaixo, prova o que eu digo. Qual a melhor música? Sem dúvida a mais marcante é “Paranoid Android”, uma saga de mais de seis minutos que prova que Thom Yorke e seus amigos não estavam mais no mesmo mundo que nós. O nome é uma alusão ao andróide Marvin, da série O guia dos mochileiros das galáxias. Como se pode ver, o Radiohead sempre soube agradar aos nerds.


Radiohead - No Surprises

OK Computer não foi o auge, mas apenas o começo de uma nova era. A partir daí, a banda mergulhou fundo na experimentação. O primeiro resultado dessa viagem foi Kid A, lançado em 2000. Enquanto fãs que se identificavam com o rock mais palatável de The Bends se decepcionaram com as excentricidades de Kid A, muita gente do meio da música morreu de inveja da ousadia do Radiohead. “Como se atrevem, p...! Eles não são o Velvet Underground! Quem esses p... pensam que são?”, soltou a vocalista do Garbage, Shirley Manson. A estressada Shirley deve estar nesse momento mais tranqüila, descansando em paz no limbo das celebridades que cairam no ostracismo. Que Deus a tenha.

Outro incômodo de Kid A (desta vez, para o bolso da própria banda) foi ele ter vazado meses antes no falecido Napster. Apesar do choque na época, a banda mostrou depois saber encarar as mudanças na comercialização da música: o último álbum, In Rainbows, foi disponibilizado no próprio site oficial do Radiohead, numa campanha inovadora. Cabia ao fã decidir quantas libras o trabalho do grupo valia.

Um ano depois, foi a vez de Amnnesiac chegar às prateleiras e filas de download. O disco é uma espécie de irmão bastardo de Kid A, já que suas músicas foram feitas nas mesmas sessões do que o anterior. Apesar das misturas com o eletrônico, as guitarras em Amnesiac soam mais altas. No entanto, o retorno definitivo ao instrumento só veio com Hail to the thief, de 2003. Parecia que, depois de um longo exílio intergaláctico, a banda havia pisado de novo na Terra. E não parecia estar muito satisfeita com o que via. O título (que significa algo como “Viva o ladrão”)” é um trocadilho com a marcha “Hail to the Chief” (“Viva o Chefe”), usada para anunciar a entrada do presidente dos EUA. Embora a piada tenha sido criada nas eleições americanas de 1888, ela também foi utilizada em protestos contra a controversa eleição de George W. Bush em 2000. Vale lembrar, 2003 é o ano em que foi iniciada a Guerra no Iraque. Leitor de Naomi Klein e Noam Chomsky, Thom Yorke firmava suas posições políticas, mas sem descambar para a obviedade e o oportunismo típicos de alguns de seus colegas de profissão.

Entre o lançamento de Hail to the thief e In Rainbows, os integrantes da banda aproveitaram para se dedicar a projetos pessoais. Em 2006, Yorke lançou um disco solo, The Eraser. Jonny Greenwood assinou as trilhas sonoras dos filmes Bodysong, de Simon Pummel, e Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson. Esta última, um trabalho soberbo, com o qual ganhou o Critics’ Choice Awards. No momento, Greenwood trabalha na trilha de Norwergian Wood, filme baseado no romance de Haruki Murakami. E ainda aproveitaram para visitar o Brasil pela primeira vez, no festival Just a Fest. A banda se apresentou no Rio e em São Paulo em março do ano passado. Eu perdi a festa, mas das pessoas que foram, não vi uma até agora usando qualquer adjetivo abaixo de “inesquecível”. Depois da boa recepção de In Rainbows, basta saber o que o Radiohead nos promete nessa década por vir.

Pesquisa: Green Plastic , Beijar o Céu, de Simon Reynolds, 1001 discos para ouvir antes de morrer, org. Robert Dimery.

31 dezembro, 2009

Trilha Especial - Os melhores da década


Agora que você já conferiu o pior do mundo da música nos anos 2000, na primeira parte do nosso especial (Parte I - Os piores da década), está na hora de apreciar as 10 melhores coisas para os fãs de música nos últimos 10 anos. Lembrando que a numeração é apenas para organização e não determina nenhum tipo de hierarquia. Divirtam-se...

1) Revolução Musical na Internet

Em todo o século XX, vimos a tecnologia levar a música para formatos cada vez mais eficientes. Mas a internet mudou tudo. Não mais presa a suportes tradicionais como o CD e o vinil, cada faixa pode ser adquirida separadamente, e acima de tudo: gratuitamente. A Indústria Cultural nunca se viu tão abalada. Por mais que suas organizações tentem se proteger, através de processos e clamando por direitos autorais, a cada site que sai do ar, mais cinco aparecem. E enquanto tem muita gente perdendo dinheiro nessa briga de gato e rato, outros aproveitam para faturar: artistas são revelados cedendo suas músicas no MySpace, e até veteranos se arriscam, como o Radiohead, que disponibilizou todo o conteúdo do seu último disco pelo preço que o consumidor quiser pagar.

2)Nova geração do samba e da MPB

A nova música popular brasileira está cheia de novos talentos que despontaram nessa década, são eles: Vanessa da Mata, Isabella Taviani, Jair Oliveira (o Jairzinho), Pedro Mariano, Ana Carolina, Fernanda Porto, Simoninha,Céu, Ana Cañas, Zeca Baleiro e a iniciante Maria Gadú, dentre outros. Também pudemos observar uma nova geração de sambistas nascendo nos anos 2000 como Maria Rita, Diogo Nogueira, Roberta Sá e Teresa Cristina, que foi indicada ao melhor disco de samba no Grammy Latino de 2003.

3)Indie salva o Rock (ou não)

A tag é polêmica e recusada por muitos, mas a verdade é que grande parte das melhores bandas que surgiram nos anos 00 estão, queiram ou não, dentro dela: Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, The Killers, e claro, The Strokes, só para citar as maiores (e melhores). Com camisetas pólo, Ray-Ban Wayfrayer e o insuportável jeito blasé de ser, eles foram os grandes responsáveis por trazerem algo de novo para o rock, mesmo que muitas vezes reciclando o pós-punk. Mas isso é vintage, gente!

4) Retorno dos musicais às telas do cinema

Até a década de 70 tínhamos muitos musicais nos cinemas, de Cantando na Chuva, West Side Story, My Fair Lady e A Noviça Rebelde até Hair e Grease. A partir da década de 80 os musicais foram desaparecendo das telonas e os poucos produzidos até os anos 90 não tiveram tanto destaque, com exceção apenas de Evita(1996), estrelado por Madonna. Mas nos anos 2000 esse tipo de filme voltou a chamar atenção. Os musicais de agora podem não ser mais tão inocentes, mas ainda são, de certa forma, mágicos.

Moulin Rouge (2001)abriu a década falando de amor, e não havia local mais propício do que Paris. Chicago (2002) não tinha uma história tão rica, mas com um elenco tão talentoso não poderia deixar de ganhar o Oscar de melhor filme do ano. O divertido Os Produtores (2005) traz no elenco Nathan Lane, Matthew Broderick e UmaThurman. Across the Universe transforma músicas dos Beatles em uma história com tudo que o público gosta: amor, amizade, rebeldia e uma guerra, é claro. Hairspray (2007) é pura animação, destaque para John Travolta, no papel da simpática Edna Turnblad. O contagiante Mamma Mia (2008) trouxe nada mais, nada menos que Merryl Streep, e os três ex-namorados que disputam a paternidade de sua filha.


5) Brasil entra na rota das turnês internacionais

“Obrigado, Brazil!” Nunca antes na história deste país tantos gringos repetiram a mesma frase em nossos palcos. Finalmente nossos produtores ficaram mais corajosos e conseguiram trazer artistas de fora para tocar aqui, mesmo os que ainda não foram consagrados e que jamais lotariam o Maracanã. A década começou com o retorno do Rock'n'Rio em 2001, que teve Guns'N Roses, Red Hot Chilli Peppers e vaias para Britney Spears, por ter exibido a bandeira americana em sua apresentação. Depois, vimos novos festivais patrocinados surgirem, como o (já extinto) Tim Festival e o Planeta Terra, que trouxeram muita gente bacana pra cá.

6) O ipod

Um dos maiores avanços musicais que tivemos nessa década não foi uma banda, nem um novo estilo, mas uma nova tecnologia: os mp3 e ipods. Os pequenos aparelhinhos revolucionaram nossa forma de escutar música. iPod, a marca da Apple, junta ‘Portable on Demand’ (POD), algo como ‘portátil desejado’, com ‘i’, ou seja ‘eu’ em inglês; e não é à toa. Com um mp3 ou mp4 você pode escutar música onde quiser, sem complicação, da forma que desejar. Agora suas viagens de ônibus e caminhadas matinais tem trilha sonora. A trilha que você escolheu.

7) Guitar Hero

Um joguinho descompromissado, que consiste em apertar as teclas certas, na hora certa. E que mesmo assim, levou o mercado da música para um outro suporte: o dos games, a indústria do entretenimento que mais faturou no ano passado. Desenvolvido pela Hamornix, o game se popularizou em pouquíssimo tempo e gerou o Rock Band, em que não há apenas a guitarra, mas também bateria e microfone. Várias sequencias já foram lançadas, inclusive algumas dedicadas inteiramente a uma só banda, como o Guitar Hero: Metallica, Guitar Hero: Aerosmith e o mais recente objeto de desejo, The Beatles: Rock Band.

8) Montagem de musicais no teatros brasileiros

Há tempos não se montavam grandes musicais no Brasil. Mas nos últimos anos dessa década tivemos vários. Os grandes ‘culpados’ dessa invasão de musicais aos palcos brasileiros são os diretores Charles Möeller e Cláudio Botelho, que começaram uma bem-sucedida parceria no final dos anos 90. No início dessa década montaram os musicais ‘Cole Porter – Ele nunca disse que me amava’, ‘Company’ e remontaram ‘Suburbano Coração’ de Naum Alves de Souza e Chico Buarque. Em meados dos anos 200o vieram ‘A Opera do Maladro’ e ‘Sweet Charity’, inspirado no filme ‘Noites de Cabíria’ de Fellini. Já no final da década montaram ‘Sassaricando’, ‘7 –O Musical’ e o aclamado ‘Beatles num Céu de Diamantes’. Depois vieram ‘A Noviça Rebelde’, ‘Gloriosa, A Vida de Florence Foster’ com Marília Pêra e agora a mais nova investida dos diretores ‘O Despertar da Primavera’. Outro que teve um papel importante nas montagens de musicais foi o versátil Miguel Falabella que dirigiu e atuou em ‘Os Produtores’ e agora dirige ‘Hairspray’.

9) Radiohead e a consagração mundial

Formado em 1988, o Radiohead não é um filho do século XXI. Mas, depois de estourar com The Bends, de 1995, e ganhar o apoio incondicional da crítica dois anos depois com OK Computer, a banda de Thom Yorke conseguiu não só manter a qualidade como ampliar seus horizontes nos anos 00. Primeiro com os controversos Kid A e Amnesiac e depois com Hail To The Thief, e o trabalho mais recente, In Rainbows, que inovou no lançamento (veja o item número 1 da lista) e finalmente trouxe os ingleses para o Brasil, em um espetáculo memorável que contou ainda com Kraftwerk e Los Hermanos.

10) Nova geração de Soul e R&B

A primeira década do século XXI foi marcada pela nova geração de cantores de soul e R&B. O grande destaque é Amy Winehouse que despontou com um estilo que lembra as divas do rhythm and blues, com as músicas Rehab e Back to Black, algumas das melhores dessa década aliás. Outra que chamou a atenção foi a inglesinha Joss Stone. E não podemos esquecer do badalado Black Eyed Peas e das popularíssimas Beyoncé, Rihanna e Alicias Keys. Esses últimos têm um estilo que mistura pop e hip-hop, mas são considerados por muitos críticos como pertencentes ao R&B.