![]() |
| Lizzie Bravo hoje, e em 1967 com John Lennon (arquivo pessoal) |
A Trilha Sonora: Como e em que época você começou a gostar dos Beatles?
ATS: Como você foi para Londres? Como conheceu os Beatles?
![]() |
| Lizzie Bravo hoje, e em 1967 com John Lennon (arquivo pessoal) |

Dia 7 de janeiro de 1951. Morro do São Carlos, Estácio, Rio de Janeiro. Nome: Luiz Carlos dos Santos.
O que poderia ser uma ficha policial é o registro de nascimento de Luiz Melodia, um dos cantores mais respeitados do Brasil. Como o próprio Melodia diz, alguns amigos da época de favela viraram bandidos. Para sorte dele, e nossa, a música recrutou esse ‘negro gato’ para a MPB.
Filho único, via desde cedo o pai, Oswaldo Melodia, batucar sambas antigos com os amigos. A mãe, Dona Eurídice, não gostava nada do interesse do pequeno filho pela música. Queria que fosse doutor ou engenheiro. Mas, além do sobrenome artístico, o garoto Luiz herdou a vocação de músico, que extrapolou o samba.
Luiz Melodia é muito mais que um sambista, é da MPB. Era influenciado pela Jovem Guarda, por Bossa Nova, contrariando o estereótipo de que quem é do morro só pode ser sambista. Só foi se dedicar ao samba agora, nos 3 últimos discos. Antes, era pura MPB.

E foi como músico e compositor popular que o poeta Wally Salomão descobriu ‘Melô’, como é conhecido pelos amigos. Salomão freqüentava o morro do São Carlos, mas essa história você vai ver melhor contada pelo próprio Luiz Melodia. O ‘A Trilha Sonora’ gravou uma entrevista exclusiva com ele. O cantor conta tudo, da sua história, de como Gal Costa descobriu o maior sucesso dele: Pérola Negra, da fase ator e até que já fumou uns baseados.
Ninguém melhor que o próprio para contar sua história. Então, respeitável público, com vocês Luiz Melodia:
Por Robson Sales
O Paço Imperial, um lugar com ares de século XVII, às margens de uma das avenidas mais movimentadas do Centro do Rio, já foi casa da moeda e casa de governador, em 1743. Já foi promovido a Palácio dos Vice-Reis e depois despromovido a departamento dos correios e telégrafos. Hoje é um museu, que é tombado como patrimônio histórico, e abriga a aconchegante loja de discos Arlequim.
Numa harmonia calma, o jazz acolhe quem entra pela porta de vidro e pisa no chão de pedra antiga dessa loja na Praça XV. Criada há 16 anos por Fernando Guilhon e Ronald Skin, a loja tinha como objetivo vender música clássica e jazz. Mas acabou se tornando referência em música independente e artistas alternativos.

Se você procura por Cláudia Leitte, é melhor ir à outra loja. O calmo e receptivo gerente Márcio Pinheiro diz que não há títulos como esse à venda. Há, sim, uma extensa prateleira com ritmos argentinos, que se acabaram depois da morte de Mercedes Sosa, em outubro. Marcio viajou para a Argentina atrás de clássicos do tango dos anos 30, 40 e 50 do século passado. Agora pensa em montar uma seção de música africana. Está de olho na música da África do Sul, por causa da Copa de 2010. O gerente lamenta que a cultura africana não é mostrada comercialmente ao mundo.
A loja, que já teve uma filial no Leblon fechada por culpa da crise do disco, não teme concorrência. Muito menos da pirataria. Segundo Marcio, não há um só título da loja que seja vendido também no camelô. Claro, a Arlequim vende discos importados, sambas e choros de primeira qualidade, músicos independentes, artistas de Pernambuco, ou seja, nada que interessa ao público alvo da pirataria. É por isso que Marcio acha que não é a pirataria que está destruindo as gravadoras.
A Arlequim pesquisa novos discos pelo mundo, que você pode ouvir num toca discos diferente, de ferro verde, com fones grandes, meio antigo. Contrata vendedores que entendem de música, como Ruy, que sabe tudo sobre os ritmos brasileiros.
Bisbilhotando as prateleiras podemos descobrir raridades e correndo pela seção de filmes, achamos diretores clássicos imperdíveis. Há ainda um balcão cheio de souvenirs. São imãs com desenhos diferentes, bloquinhos com capas bem feitas, cartões, camisetas e chaveiros que você fica observando e não consegue não pôr a mão.
Ao fundo, uma livraria segue pelo mesmo caminho: lutando pela qualidade. Há muitos títulos de editoras universitárias. As mesinhas da cafeteria são colocadas estrategicamente entre a livraria e a loja de discos. Deveria ter experimentado o café, cujo cheiro se espalha e se mistura com o jazz que não para de tocar dentro da loja.
Sob um pé-direito altíssimo e teto de madeira, típico de construções antigas, siga as instruções da loja de ler, ouvir e comer.
No vídeo abaixo, um pouquinho do papo com Marcio e algumas fotos da loja. Conversamos desde mercado fonográfico até Lojas Americanas, passando pelo discurso das gravadoras sobre pirataria. Ele lembra que investir em discos não é barato, mas que vale a pena. MP3 não passa de pai para filho e não fica com aquela poeirinha que tem história.
Por Luiza Baptista
Adoro música pop e conhecer novos artistas, não tenho preconceitos. Mas quando se trata de ouvir música, sou das antigas, ainda carrego o discman e meus CDs a tiracolo. Então, as lojas de CDs são para mim como as lojas de doces para as crianças: os olhos brilham, a boca fica meio entreaberta e o “mãe, eu quero esse, aquele e... só mais um ” é quase inevitável . Essa semana visitei uma loja de CDs que me fez lembrar “A fantástica fábrica de chocolates”. A Estasom tem CDs para todos os gostos e um cenário aconchegante para falar de música. Afinal, o que é mais confortável que estar entre 12 mil CDs? José Virgílio dos Santos, dono da loja, distribui lançamentos e raridades entre as prateleiras e até no teto, não tem um lugar vazio na loja de 3 por 4m.
Como o combinado era trazer as melhores lojas para comprar CDs, é importante dizer que a Estasom não é uma loja qualquer, é também sebo. Lá você pode levar aquele CD ou DVD que não gosta mais e trocar por um que seja de seu interesse, tanto lançamentos quanto raridades, “a gente troca, vende, aluga, empresta, dá”. José explicou que a vantagem de comprar em loja e não na internet é justamente essa: poder trocar quantas vezes quiser. Eu acrescentaria o prazer de garimpar, não tem sensação melhor que entrar numa loja, mexer nos CDs e achar aquele que você procura há tanto tempo. E acaba que sempre encontramos outros álbuns pelo caminho. O dono, fã de rock progressivo, também aceita encomendas. Então, se você quer um CD, mas não consegue achar, José vai procurar por você, em sebos de outros estados se for preciso. Agradar o cliente é o que importa.
A vontade de trabalhar com CDs alternativos e raridades vem de muito tempo, mas foi há 10 anos que José realizou o sonho. Porém, a trajetória dele na música vem de muito antes, aos 14 anos ele teve seu primeiro emprego em uma loja de discos de Copacabana, depois, a pedido do patrão, foi trabalhar em Icaraí. Com o sucesso profissional veio a proposta de ser sócio de outra loja, ficou por lá alguns anos e saiu para abrir a Estasom. Hoje a loja faz sucesso entre os mais velhos, de 40 a 70 anos, os jovens não freqüentam tanto quanto antes. Nem sempre foi assim. O dono ainda sente falta daqueles adolescentes que iam à loja e os olhos brilhavam, passavam horas garimpando, procurando CDs e conversando.
Lojas de CDs são como livrarias, a pessoa às vezes vai mais pela conversa que pela compra. E na Estasom, o bom e velho bate-papo faz parte do negócio. José costuma dizer que os vendedores são um pouco terapeutas também, e estão sempre dispostos a aconselhar, falar de música e da vida, e no meio do caminho, quem sabe até vender um CD?
Apesar de todo envolvimento com a música, José faz graça e confessa “nem campainha eu sei tocar direito”. Mas para falar de música ninguém precisa saber tocar um instrumento, para falar de música só é preciso ouvir, e quem não gosta? Festa, comemorações, até tomar banho, não tem a mesma graça sem música. A vida não tem a mesma graça sem uma trilha sonora.
Agora veja um pequeno video do José, quem melhor que ele para te convidar para conhecer a Estasom?
Vale a pena conhecer essa charmosa e tradicional loja de Icaraí.
Visite na Rua Moreira César, Shopping 211 (fica no mesmo shopping da livraria Gutemberg) loja 112, no bairro de Icaraí – Niterói (RJ). Ou ligue para (21) 2711-1848.

Luiza Baptista
@luizabaptista

Luiza Barros
@LuizaMBarros
Mariana Coutinho
@mariscoutinho
Raiane Nogueira
@raiane_nog

Robson Sales
@robsonsales