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23 outubro, 2011

Lizzie Bravo: a brasileira que cantou com os Beatles

Por Mariana Coutinho
Lizzie Bravo hoje, e em 1967 com John Lennon (arquivo pessoal)

A brasileira Lizzie Bravo tinha 15 anos quando conheceu os Beatles, em 1967. Ela morou em Londres por três anos e chegou a fazer coro na gravação da música "Across the Universe" junto com uma amiga britânica. Lizzie promete que em breve vai lançar um livro sobre suas aventuras atrás dos Fab Four. Por enquanto, conheça um pouco da história dessa fã na entrevista a seguir:

A Trilha Sonora: Como e em que época você começou a gostar dos Beatles?
Lizzie Bravo: Comecei a gostar dos Beatles logo que eles apareceram, quando eu tinha uns 13 anos.  A banda tinha um som muito diferente de tudo que se conhecia, e apreciei especialmente a personalidade dos integrantes, sua inteligencia e humor.

ATS: Como você foi para Londres? Como conheceu os Beatles?
LB: Fui pra Londres como presente de 15 anos, só que eu sabia que não ia voltar.  Fiquei de fevereiro de 1967 a outubro de 1969, com alguns meses de volta ao Rio em 1968.  Fui pra lá só pra conhecer os Beatles.  Minha amiga Denise tinha ido na frente e já sabia de tudo.  Cheguei do aeroporto, larguei as malas no hotel de estudantes e as duas voamos pros estúdios da gravadora EMI, em Abbey Road.  Ela tinha visto os quatro entrando pra gravar, e ficamos esperando para vê-los sair.  No dia que cheguei do Brasil, pude ver pela primeira vez os quatro Beatles.  Passei a ir todos os dias para a frente dos estúdios e fazer amizade com as outras fãs.  Quase todos os dias podíamos vê-los, bater breves papos, tirar fotos, pedir autógrafos.  Era bom demais, o sonho de qualquer adolescente!

ATS: Como você fazia para se sustentar em Londres todo esse tempo?
LB: Meu primeiro emprego foi num hotel, mas fui despedida depois de alguns dias porque não era rápida o suficiente. Também, pudera, eu nunca tinha feito uma cama na minha vida.Trabalhei como "au pair", que é um sistema onde o governo te dá uma permissão para morar com uma família e ajudar no serviço de casa e com as crianças por uma parte do dia, e estudar no outro. Você recebe casa, comida e uma mesada - não é bem um salário. Nem preciso dizer que eu vivia dura! Fiquei um tempo numa casa e outro em outra. Ainda tenho contato com essa última família, e estive com eles em Londres no ano passado.Fiz matrícula num curso de literatura inglesa e de francês, mas confesso que faltava mais do que ia a aula. Meus pais e alguns tios me mandavam dinheiro, mas pouco.  todo mundo queria que eu voltasse pra casa, o que não estava nos meus planos naquela época.

ATS: Que lembranças você tem dessa época em Londres?
LB: Londres era o centro do mundo, tudo acontecia por lá.  Moda, música, cinema, teatro.  Vi muita coisa bacana, muitos shows, inclusive Jimi Hendrix por duas vezes.

ATS: Como foi a gravação de "Across the Universe"?
LB: Isso vocês vão ter que ler no meu livro. Os quatro Beatles estavam no estúdio, foi gravado ao vivo, todos nós ao mesmo tempo.  George Martin produzindo, os técnicos e o Mal Evans, assistente dos Beatles, roadie deles.  Repetimos muitas vezes, ficamos duas horas e meia lá dentro.

ATS: Você se considera uma beatlemaníaca?
LB: Não gosto muito do termo "maniaco".  Sou fã dos Beatles, e também de muitas outras bandas. E muito fã de MPB, que é o que eu mais ouço hoje em dia.

ATS: Você acha que ainda existe beatlemania hoje?
LB: Claro que existe beatlemania hoje!  Não só o pessoal da minha época como muita gente jovem no mundo inteiro. A cada dia nascem milhares de futuros fãs dos Beatles!

ATS: Você foi a Liverpool naquela época?
LB: Fui a Liverpool em 1967 e 1968.  O mais interessante é que pude conhecer a cidade exatamente como ela era quando eles viviam lá, não tinha nada escrito "Beatles" em lugar nenhum.  Fui ao Cavern original  assistir uma banda local.

ATS: Quantos shows dos integrantes dos Beatles você já assistiu?
LB: Nunca vi um show dos Beatles juntos porque eles pararam de excursionar em 1966. Mas assisti a 19 shows do Paul McCartney, um do George Harrison e um ou dois do Ringo Starr.

ATS: Como se sentiu quando a banda acabou? 
LB: A banda acabar não foi nenhuma surpresa, já era esperado por nós, que acompanhavamos o dia a dia do lado de fora dos estúdios.

ATS: Sua filha, Marya Bravo, participou do musical "Beatles num Céu de Diamantes". Como foi isso para você?
LB: Foi muito bom! O musical é lindo e a participação dela muito especial.  É bom saber que pude deixar um pouquinho dos anos 60 na minha filha e também na minha neta de 18 anos.

ATS: Ter sido fã dos Beatles mudou a sua vida? Como?
LB: Influenciou minha vida principalmente por me fazer conhecer gente do mundo inteiro, e pertencer a essa "tribo" que são os fãs dos Beatles.  A música é inquestionável, perfeita.  E claro que o fato de ter cantado com eles gerou uma curiosidade a meu respeito, e que me rendeu boas entrevistas, como a que a BBC fez no ano passado, quando me levou a Londres para me filmar junto com minha amiga Gayleen, que cantou junto comigo, na frente dos mesmos estúdios de Abbey Road.  Passou num programa de TV no horário nobre.

Veja também:

17 março, 2010

Trilha do Disco - Classic Discos, mais de 60 mil discos de vinil


Quem caminha pela Rua Sete de Setembro, bem no centro carioca, entre camelôs, lojas cheias de bugigangas e muita gente, nem imagina que no número 176 há um sebo de discos de vinil. Ainda mais por que é uma sobreloja escondida e a numeração da rua é meio sem sentido. A fachada do primeiro andar nada diz sobre o que há no segundo, a não ser um senhor que me confirmou que era ali a sala que vendia mais de 60 mil LPs.

Mesmo assim passei pelo corredor meio desconfiado, subi as escadas, em mármore, meio rústica e de forma circular devagar e tentando ver o que me esperava. À esquerda, vi uma pequena sala, depois de uns murais jogados, que estavam encostados na parede. Nunca iria imaginar que aquela loja já era um ponto turístico, ou quase isso.


O Jorge, que é um vendedor quase fundador, me recebeu e contou que portugueses, estadunidenses e até o Michael Jordan foram visitar e levaram vários discos da loja. A pequena sala, com cheiro de poeira e aparência suja não parece receber gringos, mas as fotos dos murais desarrumados não deixam mentir.

Faltam paredes para tantos discos. São muitos, inclusive um da época em que o Ivan Lins tinha cavanhaque. Também achei um do Roberto Carlos, o primeiro da carreira do Rei. Mas esse só sobrou a capa, porque o disco foi vendido por 3 mil reais! Havia vários do Jimi Hendrix e da Janis Joplin e muitos outros que nunca ouvi falar. De todos, os que mais vendiam eram os de MPB.

O Jorge ainda me contou vários segredos. É na loja dele que a TV Globo pesquisa discos antigos. É lá que o Ed Motta procura as maiores raridades. Mas os outros segredos da Classic Discos quem vai contar é o próprio Jorge, dá uma olhada num trecho da nossa conversa.


12 fevereiro, 2010

Trilha Especial: Entrevista com o grupo Moinho


Na última sexta-feira fui a uma festa de aniversário surpresa de um empresário do ramo de supermercados, em Araruama, cidade da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Não fui um convidado exatamente, estava ali a trabalho. E como um verdadeiro jornalista não pode deixar a notícia passar, resolvi entrevistar a atração especial da noite: o grupo Moinho.

A banda é formada por três integrantes, a vocalista Emanuelle Araújo, a percussionista Lan Lan e o violonista e guitarrista Toni Costa. Além de integrantes contratados, como o baixista e o baterista que participaram desse pocket show que presenciei.

Quando consegui a garantia que conseguiria falar com os músicos, fiquei um pouco nervoso, porque não conhecia profundamente os integrantes. A não ser que Emanuelle Araújo é uma atriz global e Lan Lan teve um caso com a Cássia Eller. Mas, certamente, isso não somaria nada a qualidade da minha entrevista. Mas a coisa piorou quando o segurança da festa, que ficou meu amigo, me avisou da maresia que partia do camarim. De repente, a percussionista saiu do camarim e eu, automaticamente, a puxei pelo braço e perguntei se ela poderia dar uma breve entrevista. Aí veio a resposta: espera um pouco pra passar.

Depois de uns 15 minutos o bate papo começou. Pena que foi muito rápido e o barulho da festa atrapalhou o áudio. A empresária me catucava para me apressar, por isso ficou curtinha. O violonista Toni Costa saiu de fininho e não pude falar com ele, mas Manú Araújo e Lan Lan não me escaparam. Confira o bate papo exclusivo aqui no "A Trilha Sonora".

Como é difícil entrevistar sem ter estudado o alvo...

31 janeiro, 2010

Trilha do Artista - Luiz Melodia em entrevista exclusiva!


Dia 7 de janeiro de 1951. Morro do São Carlos, Estácio, Rio de Janeiro. Nome: Luiz Carlos dos Santos.

O que poderia ser uma ficha policial é o registro de nascimento de Luiz Melodia, um dos cantores mais respeitados do Brasil. Como o próprio Melodia diz, alguns amigos da época de favela viraram bandidos. Para sorte dele, e nossa, a música recrutou esse ‘negro gato’ para a MPB.

Filho único, via desde cedo o pai, Oswaldo Melodia, batucar sambas antigos com os amigos. A mãe, Dona Eurídice, não gostava nada do interesse do pequeno filho pela música. Queria que fosse doutor ou engenheiro. Mas, além do sobrenome artístico, o garoto Luiz herdou a vocação de músico, que extrapolou o samba.

Luiz Melodia é muito mais que um sambista, é da MPB. Era influenciado pela Jovem Guarda, por Bossa Nova, contrariando o estereótipo de que quem é do morro só pode ser sambista. Só foi se dedicar ao samba agora, nos 3 últimos discos. Antes, era pura MPB.

E foi como músico e compositor popular que o poeta Wally Salomão descobriu ‘Melô’, como é conhecido pelos amigos. Salomão freqüentava o morro do São Carlos, mas essa história você vai ver melhor contada pelo próprio Luiz Melodia. O ‘A Trilha Sonora’ gravou uma entrevista exclusiva com ele. O cantor conta tudo, da sua história, de como Gal Costa descobriu o maior sucesso dele: Pérola Negra, da fase ator e até que já fumou uns baseados.

Ninguém melhor que o próprio para contar sua história. Então, respeitável público, com vocês Luiz Melodia:

04 dezembro, 2009

Trilha do Disco - Arlequim

Por Robson Sales

O Paço Imperial, um lugar com ares de século XVII, às margens de uma das avenidas mais movimentadas do Centro do Rio, já foi casa da moeda e casa de governador, em 1743. Já foi promovido a Palácio dos Vice-Reis e depois despromovido a departamento dos correios e telégrafos. Hoje é um museu, que é tombado como patrimônio histórico, e abriga a aconchegante loja de discos Arlequim.

Numa harmonia calma, o jazz acolhe quem entra pela porta de vidro e pisa no chão de pedra antiga dessa loja na Praça XV. Criada há 16 anos por Fernando Guilhon e Ronald Skin, a loja tinha como objetivo vender música clássica e jazz. Mas acabou se tornando referência em música independente e artistas alternativos.

Se você procura por Cláudia Leitte, é melhor ir à outra loja. O calmo e receptivo gerente Márcio Pinheiro diz que não há títulos como esse à venda. Há, sim, uma extensa prateleira com ritmos argentinos, que se acabaram depois da morte de Mercedes Sosa, em outubro. Marcio viajou para a Argentina atrás de clássicos do tango dos anos 30, 40 e 50 do século passado. Agora pensa em montar uma seção de música africana. Está de olho na música da África do Sul, por causa da Copa de 2010. O gerente lamenta que a cultura africana não é mostrada comercialmente ao mundo.

A loja, que já teve uma filial no Leblon fechada por culpa da crise do disco, não teme concorrência. Muito menos da pirataria. Segundo Marcio, não há um só título da loja que seja vendido também no camelô. Claro, a Arlequim vende discos importados, sambas e choros de primeira qualidade, músicos independentes, artistas de Pernambuco, ou seja, nada que interessa ao público alvo da pirataria. É por isso que Marcio acha que não é a pirataria que está destruindo as gravadoras.

A Arlequim pesquisa novos discos pelo mundo, que você pode ouvir num toca discos diferente, de ferro verde, com fones grandes, meio antigo. Contrata vendedores que entendem de música, como Ruy, que sabe tudo sobre os ritmos brasileiros.

Bisbilhotando as prateleiras podemos descobrir raridades e correndo pela seção de filmes, achamos diretores clássicos imperdíveis. Há ainda um balcão cheio de souvenirs. São imãs com desenhos diferentes, bloquinhos com capas bem feitas, cartões, camisetas e chaveiros que você fica observando e não consegue não pôr a mão.

Ao fundo, uma livraria segue pelo mesmo caminho: lutando pela qualidade. Há muitos títulos de editoras universitárias. As mesinhas da cafeteria são colocadas estrategicamente entre a livraria e a loja de discos. Deveria ter experimentado o café, cujo cheiro se espalha e se mistura com o jazz que não para de tocar dentro da loja.

Sob um pé-direito altíssimo e teto de madeira, típico de construções antigas, siga as instruções da loja de ler, ouvir e comer.

No vídeo abaixo, um pouquinho do papo com Marcio e algumas fotos da loja. Conversamos desde mercado fonográfico até Lojas Americanas, passando pelo discurso das gravadoras sobre pirataria. Ele lembra que investir em discos não é barato, mas que vale a pena. MP3 não passa de pai para filho e não fica com aquela poeirinha que tem história.

Fotos de Luiza Baptista

25 novembro, 2009

Trilha do Disco - Estasom

Por Luiza Baptista

Adoro música pop e conhecer novos artistas, não tenho preconceitos. Mas quando se trata de ouvir música, sou das antigas, ainda carrego o discman e meus CDs a tiracolo. Então, as lojas de CDs são para mim como as lojas de doces para as crianças: os olhos brilham, a boca fica meio entreaberta e o “mãe, eu quero esse, aquele e... só mais um ” é quase inevitável . Essa semana visitei uma loja de CDs que me fez lembrar “A fantástica fábrica de chocolates”. A Estasom tem CDs para todos os gostos e um cenário aconchegante para falar de música. Afinal, o que é mais confortável que estar entre 12 mil CDs? José Virgílio dos Santos, dono da loja, distribui lançamentos e raridades entre as prateleiras e até no teto, não tem um lugar vazio na loja de 3 por 4m.

Como o combinado era trazer as melhores lojas para comprar CDs, é importante dizer que a Estasom não é uma loja qualquer, é também sebo. Lá você pode levar aquele CD ou DVD que não gosta mais e trocar por um que seja de seu interesse, tanto lançamentos quanto raridades, “a gente troca, vende, aluga, empresta, dá”. José explicou que a vantagem de comprar em loja e não na internet é justamente essa: poder trocar quantas vezes quiser. Eu acrescentaria o prazer de garimpar, não tem sensação melhor que entrar numa loja, mexer nos CDs e achar aquele que você procura há tanto tempo. E acaba que sempre encontramos outros álbuns pelo caminho. O dono, fã de rock progressivo, também aceita encomendas. Então, se você quer um CD, mas não consegue achar, José vai procurar por você, em sebos de outros estados se for preciso. Agradar o cliente é o que importa.

A vontade de trabalhar com CDs alternativos e raridades vem de muito tempo, mas foi há 10 anos que José realizou o sonho. Porém, a trajetória dele na música vem de muito antes, aos 14 anos ele teve seu primeiro emprego em uma loja de discos de Copacabana, depois, a pedido do patrão, foi trabalhar em Icaraí. Com o sucesso profissional veio a proposta de ser sócio de outra loja, ficou por lá alguns anos e saiu para abrir a Estasom. Hoje a loja faz sucesso entre os mais velhos, de 40 a 70 anos, os jovens não freqüentam tanto quanto antes. Nem sempre foi assim. O dono ainda sente falta daqueles adolescentes que iam à loja e os olhos brilhavam, passavam horas garimpando, procurando CDs e conversando.

Lojas de CDs são como livrarias, a pessoa às vezes vai mais pela conversa que pela compra. E na Estasom, o bom e velho bate-papo faz parte do negócio. José costuma dizer que os vendedores são um pouco terapeutas também, e estão sempre dispostos a aconselhar, falar de música e da vida, e no meio do caminho, quem sabe até vender um CD?

Apesar de todo envolvimento com a música, José faz graça e confessa “nem campainha eu sei tocar direito”. Mas para falar de música ninguém precisa saber tocar um instrumento, para falar de música só é preciso ouvir, e quem não gosta? Festa, comemorações, até tomar banho, não tem a mesma graça sem música. A vida não tem a mesma graça sem uma trilha sonora.


Agora veja um pequeno video do José, quem melhor que ele para te convidar para conhecer a Estasom?

Vale a pena conhecer essa charmosa e tradicional loja de Icaraí.

Visite na Rua Moreira César, Shopping 211 (fica no mesmo shopping da livraria Gutemberg) loja 112, no bairro de Icaraí – Niterói (RJ). Ou ligue para (21) 2711-1848.