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02 novembro, 2010

Gorillaz em: Clint Eastwood

Por Raiane Nogueira

Ainda nesse clima um pouco macabro, com fantasmas e zumbis, hoje vamos relembrar um clipe que lançou no mercado músicos um pouco... diferentes. Criada pelo ex líder do Blur Damon Albarn e formada por personagens de animação, surgia em 2001 a banda virtual Gorillaz, estreando ao som do single Clint Eastwood:



Apesar de ter uma letra tranquila, a música ganhou um clipe meio sinistro. O vídeo começa com uma citação em japonês e inglês do filme O Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead - EUA, 1978): "Todo corpo morto que não é exterminado, levanta-se e mata. As pessoas que ele mata, levantam-se e matam". Credo... que medo. A risada maligna do baixista Murdoc, logo no início, integra o cenário aterrorizante.

Clint Eastwood ainda conta com a participação do rapper Del The Funky Homosapien, que aparece no vídeo como um fantasma que sai do corpo do baterista Russel. A voz arrastada do vocalista 2-D também contribui para o ambiente obscuro. Cemitério, raios, tempestade e até gorilas zumbis perseguindo os integrantes da banda completam o clima de terror. A descontração fica por conta dos mesmos gorilas dançando Thriller, além do pequeno e sorridente guitarrista Noodle, que salva todo mundo no final.

A animação foi dirigida por Jamie Hewlett e Pete Candeland, e concorreu ao prêmio de Videoclipe Revelação no Video Music Awards. O clipe fez muito sucesso na época e chegou a ganhar versão em videogame, disponível no site da banda.

Agora, você deve estar se perguntando: afinal, por que Clint Eastwood? A música tem inspiração no filme Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo - Itália, 1966), estrelado pelo ator Clint Eastwood. Além do título, há referências do filme na melodia, com uma mixagem que, se repararmos bem, lembra aquelas musiquinhas que retratam o faroeste. É bem interessante.

Pesquisa: Wikipedia

26 março, 2010

Trilha Nova - Plastic Beach (Gorillaz)

Plastic Beach - Gorillaz
Parlophone/Virgin

1."Orchestral Intro" (featuring sinfonia ViVA)/2. "Welcome to the World of the Plastic Beach" (featuring Snoop Dogg and Hypnotic Brass Ensemble)/3. "White Flag" (featuring Bashy, Kano, and The Lebanese National Orchestra for Oriental Arabic Music)/4. "Rhinestone Eyes"/5. "Stylo" (featuring Bobby Womack and Mos Def)/6. "Superfast Jellyfish" (featuring Gruff Rhys and De La Soul)/7. "Empire Ants" (featuring Little Dragon)/ 8. "Glitter Freeze" (featuring Mark E. Smith)/9. "Some Kind of Nature" (featuring Lou Reed)/10. "On Melancholy Hill"/ 11. "Broken"/ 12. "Sweepstakes" (featuring Mos Def and Hypnotic Brass Ensemble)/ 13. "Plastic Beach" (featuring Mick Jones and Paul Simonon)/14. "To Binge" (featuring Little Dragon)/ 15. "Cloud of Unknowing" (featuring Bobby Womack and sinfonia Viva)/16. "Pirate Jet"

Por Luiza Barros

Ano passado, o nosso presidente do Supremo causou polêmica ao comparar jornalistas com cozinheiros. As minhas intenções aqui não poderiam ser mais diferentes do que a de Gilmar Mendes, mas me vejo agora obrigada a comparar músicos com cozinheiros. O que me leva a isso é o excelente disco novo do Gorillaz, Plastic Beach. Ao refletir sobre ele para escrever este post, várias metáforas relacionadas ao mundo da culinária me vinham à mente. Por quê? Talvez se eu começar a utilizá-las fique mais claro: Plastic Beach é nada mais do que uma perfeita mistura dos mais variados ingredientes, cheia de tempero e bom gosto. E o homem por trás desse tour de force, Damon Albarn, um verdadeiro mestre-cuca.

Qual a receita de Albarn? Difícil definir. O rapaz é audacioso e coloca um pouco de tudo na panela: rap, rock, trip hop, música clássica e oriental. O ecletismo fica mais claro ainda se passarmos os olhos pelos nomes dos convidados especiais do disco: os rappers Mos Def e Snoop Dogg, o grupo sueco de eletrônico Little Dragon, os ex-integrantes do Clash, Mick Jones e Paul Simonon, o ex-vocalista do The Fall, Mark E. Smith, o lendário Lou Reed, do Velvet Underground, e até a Orquestra Nacional Libanesa de Música Árabe Oriental (Achou muita gente? Eu não falei o nome de todos!). Resumindo, com toda essa confusão multicultural, era grande a chance de isso dar errado (imaginem Snoop Dogg tirando sarro do amargurado Mark E. Smith enquanto a Orquestra Libanesa toca).

Mas não só o disco da certo como consegue ter unidade. É perceptível que apesar de seus variados sabores, as faixas convergem para uma mensagem comum: a reflexão sobre um sistema voltado para o consumo de massa e seu impacto no meio ambiente. No entanto, as letras nem de longe lembram a pieguice e o didatismo com que o assunto é geralmente abordado. Na verdade, cada número funciona como uma pequena crônica. Pode ser no formato da (obviamente) melancólica “On A Melancholy Hill” ou na irônica “Superfast Jellyfish”, que ridiculariza a indústria alimentícia. A frustração de Albarn com um mundo cada vez mais artificializado já vinha desde os tempos do Blur (um dos discos deles se chama Modern Life Is Rubbish – "A Vida Moderna é um Lixo", preciso dizer algo mais?). Em Plastic Beach, mais uma vez, o nome do álbum já entrega tudo. Em apenas duas palavras, “Plastic (Plástico)” e “Beach (Praia)” já se encontram todo o conflito entre o natural e o artificial do trabalho.

Resumindo: o Gorillaz conseguiu unir conteúdo e qualidade musical com uma originalidade que se a muito não se via por aí. Tudo isso sem ser chato – o disco é completamente radiofônico e capaz, talvez, de agradar a praticamente todos os paladares. Dito isso, não me resta mais do que cair no clichê e te desejar um bom apetite.

Você pode assistir o clipe do single "Stylo", com participação do ator Bruce Willis, aqui.